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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

A vida é feita de desafios

Sexta, 11 de Maio de 2012 às 08h47

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Quando pisei pela primeira vez na Tribuna Impressa, no final de 2001, ainda como estagiário, senti uma sensação diferente, como se alguma coisa boa estivesse por vir. Alguns meses depois — seis, se não me engano —, passei de estagiário para auxiliar de redação. O legal de começar por baixo é poder presenciar e sentir todos os níveis de um jornal diário impresso. Fui radioescuta, arquivista, motorista quando precisaram, fotógrafo quando uma coisa urgente apareceu do nada, fiz café para os repórteres e editores de plantão. Enfim, quem já foi estagiário um dia sabe do que eu estou falando.

Curioso como sou, comecei a escrever algumas notinhas policiais e também algumas matérias sobre esporte amador para a editoria de Esportes da Tribuna que, na época, era comandada pelo meu pai. Minha editora-chefe, a gloriosa Maria Antônia Dario, gostou destas minhas peripécias jornalísticas e convidou-me para ajudar o meu pai no caderno de Esportes, cobrindo o esporte amador. Mesmo com frio na barriga, aceitei o desafio.

Na editoria de Esportes, fui de um extremo a outro. Cobri a Ferroviária na Série B1 do Campeonato Paulista e também a poderosa equipe de basquete masculino da Uniara no Campeonato Brasileiro. O vôlei masculino de Araraquara, na minha época, também era forte metia medo em equipes da Capital.

Em 2009, com a morte do meu pai, recebi a notícia de que iria assumir a editoria de Esportes da Tribuna. Confesso que fiquei em pânico, pois era muita responsabilidade. Sempre teria a sombra de Vagner Bellini nas minhas costas. Eu era o filho do ‘Legal’, o ‘Bellininho’. Mas eu precisava crescer profissionalmente e aceitei mais um desafio.

Ao lado do amigo e ‘compadre’ Felipe Santilho, sofri e aprendi com as críticas que vinham de todos os lados. Eu e Santilho implementamos uma nova linguagem neste caderno, mas nunca esquecendo de manter vivo o espírito crítico e imparcial ensinado pelo mestre ‘Vagninho’.

Nesta semana, fui convocado pela diretoria do jornal para mais uma missão. A partir de segunda-feira, irei assumir como editor do caderno de Cidades. Deixo a editoria de Esportes em boas mãos. Felipe Santilho irá comandar estas páginas, assim como já fazia, quando me ajudou a escrever a história do esporte araraquarense nestes últimos seis anos que estivemos juntos.

Chegou a hora de crescer profissionalmente, de novo. Chegou a hora de separar a dupla dinâmica. Aceitei mais um desafio e saio com um sentimento bom, de dever cumprido. E começa mais um ciclo, como tudo na vida. Meu muito obrigado a todos!

Pobre futebol paulista

Quarta, 02 de Maio de 2012 às 08h46

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A última rodada da fase final da Série A2 do Campeonato Paulista pode entrar para a história do futebol como uma das maiores marmeladas deste malfadado torneio regional. O jogo entre Atlético Sorocaba e União Barbarense, realizado no Estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba, estava ‘normalzinho’ até os 32 minutos do segundo tempo. Até este ponto do cronômetro, o Barbarense estava vencendo o Atlético por 2 a 0, carimbando sua vaga na elite do futebol paulista. No outro jogo, em São Paulo, o Audax vencia a Ferroviária por 3 a 1 e também estava galgando seu lugar na Primeirona.

Agora, prestem atenção nos acontecimentos a seguir. Aos 32 minutos da segunda etapa, com 2 a 0 para o União, o árbitro do jogo expulsa Thyego, do Barbarense, que já tinha levado um cartão amarelo ‘bobo’ — levou o segundo e foi para o chuveiro. Três minutos depois, aos 40, o Atlético marca o primeiro gol, com Henrique, após um bate-rebate danado dentro da área. Após o tento, Marcus Tulio, do Galo, é mandando para fora, com cartão vermelho, após agredir o goleiro do União.

Até este momento, tudo bem, mas o pior estava por vir. Aos 44 minutos, o glorioso árbitro do duelo resolve expulsar mais dois atletas do União Barbarense (Cahiame e Renato), após carrinho por trás, como relata a súmula da partida do último domingo. Quando o jogo estava caminhando para o final, após preciosos nove minutos de acréscimo (isso mesmo!), o árbitro assinalou um pênalti duvidoso para o Atlético — muitos dizem que a bola bateu no peito do atleta do União e não no braço, como viu o árbitro. Neste instante, um empate bastaria para o time de Sorocaba subir à Série A1, já que no critério de desempate por gols marcados, o Galo ficaria à frente do Audax: 12 a 11.

E o milagre ocorreu em Sorocaba. Helton partiu para a cobrança, balançou as redes, e colocou o Atlético Sorocaba na elite do futebol paulista, para a alegria da torcida do Galo e também para a felicidade do dono do time, o Reverendo Moon, que é representado no Brasil pelo seu advogado, Marco Polo Del Nero.

Ah, o Del Nero, por uma simples coincidência, é o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), almeja um cargo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também é membro dos comitês executivos da Fifa e Conmebol. Mas acho que isso não tem nada a ver com esta história, não é mesmo?

Pobre torcedor, que ainda briga pelo seu time de coração. Pobre colunista, que sofreu com a Ferroviária nesta fase final. Pobre futebol paulista, que está jogado às traças e atende a interesses obscuros.

A inveja nossa de cada dia

Sexta, 27 de Abril de 2012 às 08h48

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Todo final de Campeonato Paulista é a mesma coisa. Os times comemorando um acesso heroico e eu, como sempre, sentindo aquela inveja boa dos adversários. No último sábado, em Santa Bárbara d’Oeste, o União Barbarense praticamente carimbou sua vaga na elite do Paulista com um gol aos 45 min sobre a Ferroviária, que deixou em êxtase o estádio local. Ah, que inveja.

Na quarta-feira última, pela penúltima rodada do quadrangular final da Série A2, uma vitória do São Bernardo, por 1 a 0, sobre o Penapolense, carimbou o retorno do Bernô ao Paulistão, após cair na temporada passada. Mais uma vez senti uma pontinha de inveja do time do ABC.

O que dizer desta última rodada da Série A2, que será disputada neste final de semana? Vou ficar imaginando como seria se a Locomotiva chegasse nesta derradeira partida com chances reais de voltar, após longos e sofridos 16 anos, à Série A1 do Campeonato Paulista. Pode parecer bobagem, mas cheguei a escrever em minha agenda do jornal, na página do dia 25 de abril, há um mês, que o perrengue grená iria ter fim nesta data. Mais uma vez, me enganei.

Só espero não me iludir na próxima temporada. Fico aqui pensando, cá com os meus botões, que não era para ser neste ano. Vida de torcedor é assim mesmo. A sua hora vai chegar, Ferroviária, pode acreditar.
Por e-mail

Na coluna da semana passada, escrevi sobre aquele 1 a 0 da Ferroviária sobre o Santos, no Campeonato Paulista de 1985. Tinha esquecido de quem havia marcado o gol da Locomotiva naquela ocasião e pedi para o amigo leitor me ajudar, enviando um e-mail para a redação, com o nome do ‘matador’ daquela partida.

Gostaria de agradecer imensamente aos amigos Aldo Comito Júnior e Marco Antonio Martiniano de Oliveira, que ressuscitaram a memória deste humilde colunista. Naquele dia, o atacante Marcão foi o responsável pelo gol da vitória da Ferroviária. "O gol da vitória de nossa Locomotiva ocorreu aos 31 minutos da etapa final", lembrou Marco Antonio.

Comito já lembra de mais detalhes: "Tenho esse momento muito claro em minha mente. Manhã de muito sol, a Fonte Luminosa lotada e, num cruzamento pela linha de fundo, Marcão meio que de canela vencia o até então imbatível Rodolfo Rodriguez". Muito legal essa interatividade pela coluna.

E você? Possui alguma história legal sobre a Ferroviária que marcou sua vida? Quer compartilhar com a gente? Mande um e-mail para aquele endereço que está ali em cima. Recordar é viver.

De volta ao passado

Sexta, 20 de Abril de 2012 às 08h19

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Nunca escondi de ninguém minha paixão com a Associação Ferroviária de Esportes (AFE). Antes de ser jornalista, passei minha infância e cresci nas piscinas da AFE e também no charmoso Estádio da Fonte Luminosa.

Na década de 80, nos tempos áureos da Locomotiva, sempre acompanhava meu pai no estádio, que, na época, era repórter de campo, e gostava de entrar junto com a Ferroviária no gramado, sempre ao lado do mito Marcão (atacante).

Sempre quando me sinto para baixo, após me decepcionar com o time, como nesta fase final da Série A2 do Paulista, recorro a lembranças do passado para recordar de como era bom torcer para a Ferroviária.

E, nesta semana, lembrei-me do Campeonato Paulista de 1985, quando a máquina grená chegou à semifinal da competição, após terminar a fase classificatória em quarto lugar, na frente de potências como Corinthians, Santos e Palmeiras.

Como era bom torcer para a Ferroviária. Nunca me esqueço da vitória de 1 a 0 sobre o Santos, em um jogo disputadíssimo. Só não me lembro quem marcou o gol da vitória naquele dia. A idade vai chegando (tinha dez anos naquela época) e as lembranças vão esvaindo-se. Se o leitor puder me ajudar, é só me enviar um e-mail para o endereço que está logo ali acima. Ficaria muito grato.

Mas voltando ao assunto, ou melhor, o Paulistão de 1985, a Locomotiva fez uma campanha perfeita. Um a um os adversários foram sendo abatidos. Não tinha tempo quente. Era vitória em casa e fora de seus domínios. Em 38 jogos do Estadual — naquela época o torneio era disputado em turno e returno —, a Locomotiva venceu 14.

Com a vaga carimbada na semifinal, a Ferroviária passou a sonhar com um título do Paulistão. Naquela época, nenhuma equipe do Interior havia conquistado esta glória. O Internacional de Limeira seria campeão paulista somente no próximo ano, em 1986. Quatro anos depois, seria a vez do Bragantino ser campeão. Mas poderia ser a Locomotiva. Se no caminho não tivesse a Portuguesa. O primeiro jogo da semifinal, na Fonte Luminosa, foi épico, com um empate em 2 a 2. Depois, a Ferroviária perdeu na Capital, mas deixou sua marca naquele torneio.

O leitor deve perguntar por que diabos estou escrevendo isso? Como disse lá no começo do texto, é uma maneira de aliviar o estresse pelos últimos acontecimentos e mostrar à jovem torcida da Ferroviária que este time já brilhou e lutou muito. E, quando perdeu uma batalha, caiu em pé. Mas aquela era outra época, quando o amor à camisa estava acima de qualquer coisa ou interesse. Bons tempos. Velhos tempos.

Time de segunda

Quarta, 18 de Abril de 2012 às 07h14

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A campanha desastrosa da Ferroviária neste quadrangular final da Série A2 do Campeonato Paulista de 2012 tem estimulado a imaginação dos torcedores e também deste colunista.

Será que a Ferroviária realmente está fadada a ser um time de Segunda Divisão para sempre? Longos e tenebrosos 16 anos já se passaram, e o time, por incrível que pareça, não consegue dar a volta por cima e voltar à elite do futebol de São Paulo.

O desempenho na fase final desta temporada é comparado ao fiasco da Ferroviária em 2008. Naquele ano, o time foi o motivo de chacota de sua chave, quando perdeu cinco jogos e venceu apenas um, o último, sobre o Botafogo, na antiga Fonte Luminosa. Em 2012, a chacota já ronda a Arena da Fonte, com a imprensa dos times adversários fazendo projeções de goleadas contra a Locomotiva, para as equipes de suas cidades fazerem saldo de gol nesta fase final.

O futebol de primeira, antes vistoso da primeira fase, foi embora. O time é pior do que aquele do início da Série A2, quando o desempenho irregular custou a cabeça do técnico Paulo Cézar Catanoce. Ito Roque assumiu o comando técnico da Ferroviária, deu outro ânimo para o time e levou a Locomotiva ao quadrangular final.

As esperanças da fanática torcida grená reacenderam-se com a possibilidade de voltar a disputar partidas com grandes times do Paulista, revivendo os tempos dourados vividos dos anos 60 aos 80. Arena cheia, orgulho de vestir novamente o manto sagrado da Ferroviária e projeções otimistas foram jogadas no ralo após as três primeiras rodadas desta fase final.

A gota d’água foi a pipocada em Sorocaba, contra o Atlético, quando a Locomotiva foi surrada pelos donos da casa, com uma sonora goleada de 5 a 0. A derrota na primeira rodada, para o Audax, por 2 a 1, dentro da Arena, foi considerada até normal, pelo poder financeiro do adversário. Mas o vexame no Estádio Walter Ribeiro não foi explicado até hoje.

Nenhuma das teorias que correm no conturbado bastidor da Ferroviária foram explicadas. Premiação baixa, racha no elenco, pipocada, falta de dinheiro, deficiência técnica e muitas outras coisas que chegam distorcidas aos ouvidos da imprensa ficam sem respostas.

Que estes jogadores do atual elenco fiquem sabendo que esta camisa que vestem possui uma tradição que jamais irá abalar-se por pequenices e vaidades. Entra ano e sai ano. Atletas chegam e saem, mas a camisa da Ferroviária é a mesma.

Sintam-se envergonhados por fazer desta Locomotiva, um time de segunda.