NAMASTÊ
Após ter feito minha inscrição no Ironman me peguei pensando. E agora bonitão, como vai fazer para treinar? Na verdade, como vai fazer para sair vivo da água, afinal de contas, a natação é a primeira etapa de qualquer triathlon, a mais temida pela maioria dos atletas, e no meu caso, serão 3.800 metros em mar aberto.
Já estava treinando antes mesmo de me inscrever, mas minhas aulas de natação pareciam não evoluir, treinava, treinava, mas continuava achando que não estava saindo do lugar. Na verdade, estava saindo do lugar sim, da superfície para o fundo da piscina. Resumindo, eu era um saco de batatas tentando flutuar.
Mesmo estando a quase um ano da prova, comecei a me sentir inseguro quanto a minha capacidade de realizá-la. Comecei a conversar com nadadores de travessias e triatletas e todos diziam que havia tempo suficiente para me preparar adequadamente, para relaxar e curtir os treinos, etc, etc. Ok, minha praia sempre foi o ciclismo mesmo, e levando-se em conta que a evolução nas duas rodas também não se dá de uma hora para outra, resolvi relaxar.
Tentava relaxar, entretanto, toda vez que deitava na cama para dormir e pensava por alguns segundos na prova, a sensação de asfixia crescia assustadoramente. Meus pulmões simplesmente não estavam sendo capazes de abastecer meu cérebro com o precioso gás. Meu Deus! Isso não vai dar certo!
Minha amiga Patrícia Stuchi se prontificou em me ajudar diante do visível pânico que estava se instalando em mim. Fomos ao Sesc para treinarmos juntos e levei uma surra dela. Eu nadando "velozmente" e ela me dando um baile nadando de mãos fachadas. Risadas a parte, resolvemos investir tempo e trabalho em uma preparação específica, não para me tornar veloz, mas para conseguir sair vivo da água e o que é o mais importante, sem desperdiçar a preciosa energia que será gasta ao longo de um dia inteiro de esforço intenso.
Após meses de treinamento, ainda não me considero um bom nadador, simplesmente faço parte do grupo de atletas que iniciam as provas de triathlon loucos para que acabe logo a natação. Desse grupo outros 80% dos que largam estão comigo, ou seja, não sou o único. Cá entre nós, é preciso ser muito masoquista, ou idiota mesmo, achar legal as largadas de provas em águas abertas. Um bando de sem juízo disputando aos tapas, e aos chutes, um exíguo espaço para se deslocar e ao mesmo tempo conseguir respirar e não se afogar.
Minha primeira experiência em largadas de triathlons foi simplesmente apavorante. Me "hidratei" o suficiente para uma semana e apanhei mais que tamborim em ensaio de escola de samba do grupo de acesso. Quis me posicionar bem para a largada e acabei sendo massacrado por nadadores de verdade. Hoje, sigo conselho do chefe apache, "Mantenha-se calmo, e nade no seu ritmo". O que são alguns segundos, ou minutos, quando ainda temos muito chão pela frente depois que saímos da água.
Já não acordo mais de madrugada sonhando que estou me afogando, mas continuo treinando com muita dedicação e concentração, simplesmente para superar essa minha fraqueza. Nas sábias palavras de meu amigo Douglas, "Dedicação e Superação". Sempre.
BONS TREINOS.
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1 Comentário
03 de fevereiro de 2011 às 15h28 | Joao Paulo disse:
Namastê, meu irmão. Fica Tranquilo que até lá vc já é um golfinho, hehehehe. Vc escrevendo, parece que estou relendo o livro do japonês, Haruki Murakami - DO QUE EU FALO QUANDO EU FALO DE CORRIDA. No Livro, ele tem as mesmas paranóias que vc, até mesmo o pânico nas largadas das provas de triathlon, mas o que fica claro é o seguinte, só mesmo com muito treino que vc vai ganhar a confiança necessária para se sair bem na prova. Portanto, negão, vai fazendo a lição de casa, treinando na represa do náutico, e fazendo algumas provas testes até o Ironman, só assim ,vc vai ganhar a confiança necessária para conseguir estar a com a cabeça livre, leve e solta para literalmente arrebentar lá no IronMan ou se arrebentar kkkkk. E tem mais, quando for fazer a inscrição para a prova do Havaí em Kona, avisa que quero participar também, nem que seja para carregar as malas e ficar gritando nos pontos de transição, Vai lá Pavani dá na cabeça, vamos lá. Quando Fiz a meia maratona de Buenos Aires, ouvia muito do pessoal de apoio um frase que gritavam nos pontos de hidratação, que naquela situação me marcaram muito e vou guardar para sempre, é o seguinte: "Dale, Dale Se puedes, se puedes Por la vida, por la vida." Grande Abraço, Jão da gi.