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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

‘Histeria’: a invenção do vibrador

Domingo, 20 de Maio de 2012 às 15h03

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Entre os créditos iniciais de "Hysteria" consta a seguinte advertência: "This story is based on true events... Really"(algo como: "esta história é baseada em fatos reais... ACREDITE"). A veemência é necessária à medida que descobrimos que trata-se da história de como foi inventado, no final do século 19, nada menos que o primeiro VIBRADOR.

É interessante e divertida a forma como o roteiro apresenta as contradições em torno da criação de tal aparelho. Na Londres de 1880 a eletricidade ainda era uma invenção nova, utilizada de forma experimental, e o uso de antibióticos para combater infecções era uma corrente inovadora da medicina ainda pouco aceita entre os profissionais da velha escola, o que causava ataques de revolta no jovem e idealista médico Mortimer Granville (Hugh Dancy, lindo como sempre!).

Paradoxalmente, o médico de senhoras Horace Dalrymple (Jonathan Price) ocupava-se, mais do que de problemas do órgão reprodutor feminino, de tratar o que ingênua e respeitosamente (de verdade!!!) a medicina da época chamava de histeria. O mal, que acometia mulheres das mais variadas faixas etárias, era caracterizado por variações de humor que provocavam certos pensamentos" antinaturais e estressantes" nas mulheres. Seu tratamento - paliativo, já que era considerado sem cura - consistia em provocar uma descarga de tensão nas senhoras por meio de massagens... adivinhem onde.

Acreditem, o filme nem de longe flerta com pornografia ou erotismo. Chega a ser admirável como consegue contar esta história sem sequer banalizá-la. Mas não deixa de ser divertido observar Price, com sua indefectível classe de lorde inglês, demonstrar enfado e cansaço com o tratamento aplicado às mulheres, a ponto de passar o encargo ao novo assistente com indisfarçável alívio. E é com senso de dever altruísta que o jovem médico aceita o trabalho.

Quando o excesso de esforço começa a causar-lhe lesão muscular na mão - o que hoje chamamos tendinite - a ponto de incapacitá-lo, Granville leva o problema ao amigo metido a inventor, que passa o tempo a fazer experimentos com aparelhos movidos a eletricidade.

Paralelamente a tudo isso, ainda sobra tempo para Granville cortejar a filha mais nova de Dalrimple e ser cooptado para a causa humanitária da mais velha, considerada ovelha negra por gastar o dinheiro da família com a manutenção de um abrigo para a população pobre de Londres.
Adivinhe quem vai acabar conquistando seu coração...

Pura diversão!!!

Domingo, 13 de Maio de 2012 às 13h22

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Acreditem ou não, filmes de ação costumam me despertar uma imensa preguiça de ir ao cinema porque, ironicamente, as sequências-razão-de-ser do gênero - lutas, tiroteios, explosões, perseguições - são justamente as que me matam de tédio. Quando elas começam chego ao ponto de ficar procurando fissuras no teto ou imperfeições na estante da sala - ou qualquer outra distração para passar o tempo até a história recomeçar do ponto em que a "sessão testosterona" a interrompeu.
Precisei explicar isso para que o leitor tenha a dimensão do quanto significa para mim fazer a confissão a seguir:

"Os Vingadores" é DEMAAAAAAAAAAAAAAAAAAIS!!!

Dá para contar nos dedos quantas vezes um entretenimento de ação fez eu me render com tamanha entrega a diversão pura, anestesiante, AMNÉSICA!

Só para constar: não sou completamente refratária ao gênero. Quando um filme alia a ação a uma boa história (e bem contada), como em todos os filmes de Christopher Nolan ("Batman Begins", "O Cavaleiro das Trevas", "A Origem", etc) ou na série "Star Wars", por exemplo, também me rendo sem pudores.

Mas nem estou bem certa se este é o caso em "Os Vingadores". A história sequer é surpreendente, já que várias produções - de medíocres a medianas - vinham preparando o público para ela.

Começa quando uma arma alienígena é roubada de uma base ultra-secreta pelo Asgardiano Loki e o alto agente da Inteligência norte-americana Fury (Samuel L. Jackson) decide convocar os super-heróis que ele vem recrutando há alguns filmes: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Incrível Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). O semideus asgardiano Thor (Chris Hemsworth) entra na parada para tentar conter o irmão adotivo, e o Arqueiro (Jeremy Renner), que começa o filme dominado pelo vilão, a certa altura também adere ao "time do bem".

O que torna esta produção impagável, para além dos esperados efeitos especiais de última geração e do perfeito timing de ação da montagem, são dois ingredientes genialmente combinados: o humor que embala toda a ação e a química perfeita entre os atores escolhidos.

ALIÁS, por favor, permitam-me pagar-pau para a boa forma de Chris Evans, para a voz sedutoramente grave de Chris Hemsworth e para o irresistível ar de bebê chorão de Mark Ruffalo - e o que é o CHARME daquele Robert Downey Jr!!! Tá bom, posso estar me deixando levar pelo entusiasmo pós-filme, mas até a atuação de Tom Hiddleston como Loki (FOTO À ESQ.) me fez adorar odiá-lo. Ele mandou muito bem!.

Ah... Scarlett Johansson está "boazinha" também...

'Sete Dias com Marilyn': pobre diva!

Sábado, 12 de Maio de 2012 às 12h04

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MICHELE WILLIAMS como Marilyn e como ela mesma: entendeu???

Dois aspectos impressionaram-me ao assistir "Sete dias com Marilyn": o primeiro, a performance da atriz Michelle Williams, pessoalmente nada glamourosa, já que faltam-lhe os atributos sinuosos da silhueta e a malícia no olhar da Marilyn original.

Pois não é que, com carinha e olhar de anjo, Michelle consegue convencer no papel? E não teve a ver com os enchimentos em seu figurino. Só com interpretação ela consegue passar as fragilidade, instabilidade e imaturidade da personalidade de Marilyn... e quase - quase mesmo, faltou pouco - também a carga de sensualidade que transbordava em cada olhar e balanço de corpo da diva.

Não é preciso ser homem para admitir isso. Está lá, em todos os filmes da Marilyn original, que me deu vontade de rever - e revi - após assistir à produção de Simon Curtis. E olhe que o filme reproduz apenas os bastidores da filmagem de "O Príncipe Encantado" (The Prince and the showgirl,1957 - FOTO AO LADO), em que a loira contracenou com o monstro do teatro inglês Laurence Olivier.

E deu trabalho, hein! Assisti-la linda, doce e irremediavelmente sedutora no papel da dançarina que conquista um monarca, no filme original, não dá a mínima pista do trabalho que sua insegurança e bipolaridade rendiam no set.

Esta foi a segunda coisa que me impressionou ao assistir ao filme: o quanto era difícil trabalhar com Marilyn, o que fornece pistas do quão mais tremendamente difícil devia SER Marilyn Monroe, a diva platinada que transbordava sexualidade por todos os poros e que, por isso mesmo, era o tempo todo julgada por isso.

Mas, a despeito de todo o trabalho, o próprio Olivier e todos os envolvidos no projeto tinham que admitir: Marilyn carregava consigo uma aura de mágica sedução que agarrava a câmara e sobrepujava as melhores escolas de arte dramática. Não havia talento à altura de seu grande carisma em cena.

Mas que infeliz devia ser sua vida, sobressaltada por crises de auto-estima e à mercê de cônjuges que, sinceramente, ela escolhia sempre diametralmente opostos a seu temperamento.

Na época da filmagem de "O Príncipe Encantado", seu marido era o dramaturgo Arthur Miller, intelectual que a usava como um laboratório de personagens.

É emblemático que a filmagem só tenha se tornado possível depois que Marilyn pendurou-se ao pescoço do "faz-tudo" do set, Colin Clark (o autor do livro que originou o filme), interpretado pelo inglês Eddie Remayne. É como se ela precisasse ser desejada e endeusada por alguém para adquirir confiança. Como se a adoração fosse para ela como o cabelo de Sansão.

Pobre Marilyn!

'Noites de Tormenta': delícia de romance-fórmula!

Domingo, 29 de Abril de 2012 às 15h23

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Quão lindo pode ser um amor maduro? Sem promessas de felicidade cor-de-rosa, mas, ainda assim, um cobertor quente e macio dentro de uma casa velha chacoalhada por uma tempestade... É como os charmosíssimos Diane Lane e Richard Gere (ai, ai...) nos fazem crer no amor, mesmo em um filme-clichê como "Noites de Tormenta" (Nights in Rodhante, 2008), passado no litoral da Carolina do Norte, à época da passagem de um furacão.

Vamos combinar, não é uma grande história. Se você colocá-la ao lado dos demais romances de Nicholas Sparks - o autor romântico mais filmado da atualidade (vide "Uma Carta de Amor", "Um Amor para Recordar", "Diário de uma Paixão", "Querido John", "A Última Música", todos calculadamente açucarados) -, vai perceber que segue a mesma fórmula das outras, apenas com nomes e idades diferentes para os personagens: sempre um homem e uma mulher que, depois de se apaixonarem idilicamente, são separados por um drama que, ou envolve renúncia ou morte.

A diferença em "Noites de Tormenta" é como um par de atores maduros consegue conferir veracidade, dignidade e charme irresistíveis a esta história-coringa. Você só quer mandar seus pudores intelectuais às favas, enrolar-se em um edredom no sofá da sala e render-se ao clima, de preferência levemente embebedada por duas taças de vinho frisante. E se São Pedro ainda manda uma chuvinha para tamborilar na sua janela, hummmm...

Ao fim da sessão de choro catártico, só resta redimir-se em 1.500 toques de um texto de blog em que você explica porque, de vez em quando, precisa render-se a um romance-fórmula: porque é tudo de bom!

Como Peggy Sue

Quarta, 25 de Abril de 2012 às 18h40

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"Peggy Sue - Seu passado a espera" (Peggy Sue Got Married, 1986), de Francis Ford Coppola, foi um de meus primeiros cultos cinematográficos. Seu roteiro foi o primeiro que vi utilizar como argumento - copiado à exaustão muitos filmes depois - a volta da protagonista (Kathleen Turner - foto acima) a seu passado, com a memória de todo um futuro vivido e com o poder de reeditá-lo. Até então acreditava que eu e todos os adultos do mundo considerariam dar um braço ou perna por tal oportunidade.

Ainda tenho todos os meus membros no lugar, mas de uma forma torta, poética, mas não menos real, ganhei de presente minha própria oportunidade de reeditar 27 anos passados em minha cidade natal, após 14 de outros "sonhos felizes de cidades" - e nem precisei entrar em coma como Peggy Sue.

Foi acordada que confrontei, recentemente, as esquinas que me assistiram carregar dilemas adolescentes e duras lidas de início de carreira. Atrás delas reencontrei antigos e valiosos afetos, personagens caras não apenas por terem passado por minha vida, mas por terem me escolhido e aceito junto com toda a parafernália emocional confusa que vinha junto com minha amizade. De uma dessas pessoas especiais ouvi, ao reencontrar: "Acho que amizade é isso, né? Parece que não passou tanto tempo... que te vi ontem".

Descobri assim que gratidão é um sentimento tão bom de sentir quanto o amor e fiz as pazes com este passado que acreditei ruim por tantos anos. Cheguei à mesma conclusão de Peggy Sue: o passado não precisa ser reeditado e a vida segue exatamente o rumo que escolhemos - não há melhor!