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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Harry Potter: alter ego de uma geração

Terça, 12 de Julho de 2011 às 00h00

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Tenho uma inveja boa da geração que cresceu assistindo à série Harry Potter. A minha não contou com um produto dramatúrgico que lhe alcançasse tão certeiramente neste período crucial de passagem da infância para a adolescência. Quem cresceu na década de 80 encontrava no cinema entretenimentos pontuais - a maioria aventuras rasteiras, como "Os Goonies", outras mais sensíveis, mas distantes, como "E.T.". Nada que acompanhasse e espelhasse tão eficientemente as várias fases e transformações - físicas e psicológicas - pelas quais se passa neste período da vida. E ainda conseguindo, para além do espelho, uma simbiose perfeita com a fantasia, com todas as suas possibilidades de metaforização, referenciamento e simbolismo.

Vamos deixar de lado aqui a crítica profissional e os preconceituosos, que torcem o nariz para qualquer dramaturgia que vire fenômeno de massa, para admitir sem dúvidas: a série "Harry Potter" é a obra (bem sucedida) de uma geração.

Ouso dizer que quem cresceu com a série pode ter apreendido, com os conflitos enfrentados pelo bruxinho órfão, um ou mais valores morais por assimilação inconsciente - alguns deles perdidos dentro dos novos modelos de família, em que muitos pais atarefados (ou desinteressados) demais deixam à escola a formação moral que deveria vir de casa.

Os integrantes dessa geração podem não perceber agora - é normal termos consciência da lição muito tempo depois de aprendida -, mas é grande a carga de valores passadas pela obra de J.K. Rowling. Entre as mais importantes, a de que são as escolhas pessoais e não uma pré-determinação genética ou cármica que definem o tipo de pessoas que somos/seremos.

O oitavo e último filme traz mais algumas lições sobre abnegação e sacrifício; qualidades reduzidas ao status de cafonice em um modelo de conduta individualista cada vez mais em voga nesta era da informação - era em que jovens imberbes viram milionários antes de aprender a lidar com o próprio ego ou com as conseqüências de tal poder econômico.

Harry não será o único herói a dar exemplo dessas lições. Como pontua muito bem o crítico Luiz Carlos Merten, no Caderno 2 de domingo do Estadão, este último filme descortina outro herói, "o verdadeiro herói, que tem que trair para servir o objeto de sua devoção" e que carrega bravamente o ônus da antipatia e do julgamento injusto em nome de uma causa maior que ele mesmo. A motivação não poderia ser outra: o amor.

E correndo o risco de assumir de vez a pecha de cafona, atrevo-me a dizer que ainda não inventaram nenhuma motivação mais legítima para escolher o que é certo - pautando como certo o que é bom para toda a coletividade - do que "gostar do outro como de si mesmo". Isso lembra alguma coisa?

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3 Comentários

  • 12 de julho de 2011 às 15h45 | Fernanda Franco disse:

    Fantástico comentário, Sílvia. E de cafona não tem nada. Beijocas

  • 17 de julho de 2011 às 18h36 | Vânia Angélica Pereira disse:

    Também adoro a série, li todos os livros e tenho todos os filmes em DVD em casa e os assisto sempre. Na fila do cinema houve a oportunidade de perceber as escolhas das crianças que se fantasiaram com o emblema da Grifinória, equipe de Harry. Não pude observar ninguém portando o emblema da Sonserina. Ainda que as crianças tivessem feito esta escolha por admiração por Harry, é nítido o desejo delas de tê-lo como herói, ídolo. Alguém a ser seguido e imitado, por mais que Harry sofresse com suas próprias escolhas, as crianças optaram por ser da equipe dele: A equipe do bem, aquela que luta em benefício de todos e não somente pelo seu próprio benefício. Adorei o post minha irmã. Bjs.

  • 06 de agosto de 2011 às 14h07 | Luciana Betenson disse:

    Assim como a Vânia, sempre fui e serei fã de carteirinha do Harry Potter. Li todos os livros, assim que saíam, vi todos os filmes e tenho os DVDs em casa. Dá inveja mesmo da geração que cresceu com o Harry - cresceu mesmo, pois acompanhou o meninos de 11 anos virar adulto e enfrentar conflitos, sem pieguice e lições de moral banais. Adorei o post. Beijos,