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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Um ator faz toda a diferença em 'Jane Eyre' de 2010

Segunda, 22 de Agosto de 2011 às 01h18

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À esquerda, Michael Fassbender como Edward Rochester na última versão para cinema de 'Jane Eyre'

Mesma história, mesmos personagens... apenas um ator faz toda a diferença na versão de 2010 de um dos clássicos da literatura inglesa quase tão filmado quanto os livros de Jane Austen: "Jane Eyre", de Charlotte Brontë.

A primeira versão para cinema que assisti, de 1996 (foto menor acima), era assinada pelo contido Franco Zeffirelli e trazia Charlotte Gainsboourg como Jane e um William Hurt aparentando "dor de barriga" no papel de Edward Rochester. Sua interpretação era tão soturna que foi difícil acreditar que era capaz de se apaixonar pela preceptora de sua sobrinha. Lembro-me de ter gostado da história, mas de ter considerado as atuações do par central insossas, fato que atribuí, à época, à direção do italiano, que sempre considerei também insosso, "certinho" demais, carolo demais, enfim, nada demais...

A segunda versão que assisti foi um telefilme de 1997 (foto à esquerda), com Samantha Morton e Ciáran Hinds - ambos ótimos atores ingleses, mas talvez "bons demais", a ponto de terem pesado a mão na atuação - exagerada, trágica, shakespeareana (já disse que odeio Shakespeare? rs).

A terceira que vi tinha formato de minissérie em quatro capítulos. De 2006 (foto abaixo, à esquerda) traz Ruth Wilson como Jane e Toby Stephens como Rochester. Nesta versão já achei a atuação de ambos o oposto da de 1996, mas igualmente deslocada: leve demais, frívola demais, nada a ver com o clima da história... o atormentado Edward Rochester de Toby Stephens era quase um dandi e o flerte entre ambos soou banal, pequeno, menor. Como explicar? Era como se o tom superficial das interpretações não combinasse com a força do drama.

Eis que chego, finalmente, à minha quarta - e até agora preferida - versão, filmada em 2010 com Mia Wasikowska (a Alice de Tim Burton) na pele da governanta e o LINDO e expressivo Michael Fassbender (o Eric/Magneto jovem de "X Men - Origens") como um apaixonante Sir Edward Fairfaix Rochester.

Agora sim! Nada de cara de dor-de-barriga ou atuação hiper-trágica e nem frívola. O Edward de Fassbender dosa com precisão a jocosidade que Rochester tenta aparentar na superfície, o tormento que tenta disfarçar no âmago e a paixão que o domina num crescendo...
A garota Wasikowska também está muito bem, mas permitam-me derreter-me mais ante a expressividade do olhar sofrido e apaixonado e a voz de veludo de Fassbender. Ele, sozinho, vale o filme!

A direção é de Cary Fukunaga.

1300

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2 Comentários

  • 22 de agosto de 2011 às 20h34 | Assunção Cristóvão disse:

    Hummm. Fiquei curiosa! Acho que vou ter que assistir às quatro versões. Parabéns, Silvia, por mais uma crítica instigante.

  • 23 de abril de 2012 às 10h07 | Carolina disse:

    Olá, Silvia! Terminei o livro e fui correndo assistir duas dessas adaptações sugeridas aqui no blog, a minissérie de 2006 e o filme de 2010. Mas antes dessas, descobri outra versão da BBC do ano de 1983, que é uma minissérie de 11 episódios, a qual me deixou de queixo caído. A atriz que interpreta Jane era desconhecida para mim (Zelah Clarke), mas não deixou a desejar com relação ao livro; porém, todo o destaque vai para o estonteante Timothy Dalton, em uma interpretação magnífica e muito fiel ao personagem criado por Charlotte Brontë. Vale muito a pena conferir. A Respeito das outras, te digo que gostei mais da de 2006 (embora um tanto resumida) do que do filme com Michael Fassbender (embora o casal de protagonistas tenha se saído bem). Nesse último foram cortadas partes importantíssimas do enredo (por exemplo, a cena da louca invadindo o quarto de Jane e rasgando o véu), além de alterar outras sem nenhuma razão - o que me deixou um tanto decepcionada, já que sou partidária da lealdade aos detalhes da história original. Enfim, deixo aqui a recomendação para que assistas a de 1983, não vais te arrepender. Abração!