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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

'O Artista': encantador, mas...

Domingo, 29 de Janeiro de 2012 às 23h01

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Jean Dujardin e Berenice Bejo em cena de 'O Artista', indicado em dez categorias do Oscar deste ano

Finalmente pude dar continuidade à minha maratona pessoal pré-Oscar, assistindo a "O Artista", filme mudo do francês Michel Hanazivicius que faturou os Globos de Ouros de Melhor Comédia, Melhor Ator de Comédia (o também francês Jean Dujardin) e trilha sonora.

Como o prêmio dado pelos correspondentes estrangeiros em Hollywood é considerado uma prévia do Oscar, pode-se dizer que o filme tem grandes chances de levar algumas das dez estatuetas às quais concorre na festa deste ano da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood: Filme, Direção, Ator, Atriz Coadjuvante (a brasileira radicada nos EUA Berenice Bejo), Roteiro Original, Direção de Arte, Direção de Fotografia, Figurino, Edição e Trilha Sonora Original.

Se dependesse do meu voto, porém, levaria - muito ao contrário. Considero-o encantador, mas não acho que traga nada de novo ou a mais para a cinematografia atual.

Talvez tenha sensibilizado os votantes da Academia a homenagem que seu roteiro faz à história da sétima arte e o desafio assumido por seu diretor ao filmar em preto-e-branco e sem som na era do cinema hipertecnológico (considerando que no ano passado o fraco "Guerra ao Terror" venceu apenas por tratar da Guerra no Iraque, não duvido que seja laureado só pelo saudosismo).

A história nem é muito original para merecer a indicação de Melhor Roteiro da categoria. Lembra um pouco a de "Cantando na Chuva" por ser ambientada nos anos de transição do cinema mudo para o falado, em Hollywood.

Começa com o encontro divertido e casual de um astro do cinema mudo e uma aspirante a atriz, que se atraem mutuamente, mas, por isso mesmo, têm que se afastar - ele é casado. A partir do advento do cinema falado, a carreira do astro, que recusa-se a levar a sério os filmes com som, entra em decadência, enquanto a da aspirante a atriz inicia uma curva ascendente.

Suas carreiras se desencontram, mas um permanece sempre na memória do outro e tudo indica que acabarão por se encontrar, mas não adiantarei se o final será trágico ou romântico.

Os atores estão bem sim, mas não arrisco apostar neles para os Oscars em suas categorias até ter visto as performances de todos os concorrentes (vai ser um prazer!).

Até o próximo candidato a Melhor Filme (faltam sete!).

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