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Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010

Paulo Coelho Não É Literatura!

Fernanda Miranda

Mexicano lança romance em São Carlo

Quinta, 09 de Setembro de 2010 às 03h00

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O escritor e jornalista mexicano Alejandro Reyes estará hoje no auditório do Centro de Educação e Ciências Humanas da UFSCar, às 17 horas, para lançar o romance "A rainha do Cine Roma".

A história se passa em Salvador, onde o escritor firmou morada em 1995, depois de passar por Estados Unidos e França, e foi escrito em português. O personagem Betinho, menino de rua desde os 7 anos, conta, já adulto, suas aventuras e desventuras para sobreviver e suas tentativas de amar.

Reyes é mestre em Estudos Latino-Americanos e já publicou o livro de contos "Vidas de Rua", em 1997; "O Lacandón", em 1997; e "Contos Mexicanos", em 2004.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail espanhol.ufscar@gmail.com.

Depois da Janta

Fernanda Manécolo e Richard Selestrino

Falta de dinheiro faz filhas do "Seu Madruga" venderem figurino do pai

Quarta, 08 de Setembro de 2010 às 16h04

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De acordo com a revista mexicana TVNotas, as filhas do ator Ramón Valdez, o Seu Madruga, do Chaves, irão vender o figurino do pai. Elas afirmaram que, apesar de seu pai ser um dos mais populares do seriado, a família não recebe o suficiente pelo uso de sua imagem.

As filhas teriam até tentando entrar em acordo financeiro com Roberto Gómez Fernández, filho de Roberto Gómez Bolaños, o criador do Chaves, mas ninguém aceitou aumentar os lucros.

Gestus em Dança

Grupo Gestus

Residência artística: sim, nós fizemos!

Quarta, 08 de Setembro de 2010 às 00h59

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Em uma das apresentações do projeto do Grupo Gestus, About Angels, coordenei, junto com a bailarina Sabrina Kelly, uma Residência Artística de Dança Contemporânea com o GDC - Grupo de Dança Contemporânea da UFBA.

A princípio, eu e Sabrina nos deparamos com uma grande dúvida, o que é Residência Artística e o que a difere de oficina e workshop.

O conceito de Residência Artística é uma das formas mais características de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes e, a partir dos anos 80, consolidou-se em várias cidades da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão. Concebida nos moldes da Cité des Arts, em Paris, a Residência Artística é uma visão contemporânea das antigas bolsas de viagens. São projetos que têm como objetivo principal servir de residência temporária para artistas estrangeiros.

Após termos esclarecido estas informações, conseguimos planejar um desenvolvimento para aquela atividade.

A Residência teve duração de quatro dias de trabalho intenso. No início, discutimos com os bailarinos do GDC o que queríamos propor de trabalho e o que eles esperavam de nós, assim conseguiríamos realizar a troca artística entre ambos. Decidimos ali trabalhar aula técnica e jogos de improvisação.

Para mim, aquela vivência foi uma experiência ímpar e gratificante, pois me permitiu entrar em uma rotina diferente de trabalho diário em dança.

No colocar-me e deslocar-me em outro campo cultural e estar entre contextos diferentes me fez olhar para o lugar de onde vim e onde vivo, levando-me a estabelecer pontes e compreender as divergências das vivências em diferentes rotinas e situações. Com certeza isso é algo prazeroso, libertador e criativo.

Pablo Lozano

DEPOIMENTOS DOS PARTICIPANTES DA RESIDÊNCIA:

"Agradeço a todos do Grupo Gestus e, principalmente, ao Pablo e à Sabrina pela contribuição das informações que nos foram dadas durante o período da residência ministrada aqui, com o nosso grupo. Os exercícios de aquecimento a partir de seqüências coreografadas enriqueceram nosso vocabulário corporal, ampliando as nossas possibilidades de investigações de movimentos. Essa forma de aquecimento, mesmo depois de encerrada a residência, tem sido praticada por nós em muitas aulas, visto que ela é um ótimo meio (bem dinâmico) de despertar os nossos corpos, deixando-os em prontidão para iniciar o ensaio.

Como estamos na fase do processo de concepção do nosso próximo trabalho, saliento aqui a importância que nós temos dado às células que elaboramos no final da residência, pois muitas delas têm sido incluídas em algumas seqüências coreográficas. Para elaborarmos as nossas experimentações corporais, temos bebido, também, das informações obtidas nos exercícios improvisação, visto que eles nos abriram novas possibilidades de se movimentar e se auto descobrir.

Creio, a partir deste exposto, o quanto nós do GDC estamos gratos e satisfeitos com a vinda de vocês aqui em Salvador. Será um enorme prazer recebê-los mais vezes por aqui."

"É muito bacana conhecer/experimentar como outros grupos trabalham/estão trabalhando. Ao receber novas pessoas, novas propostas, temos a possibilidade de produzir um novo conhecimento, da mesma forma acredito que os que propõem as experiências também se deparam com um novo conhecimento a ser produzido a cada local/grupo por onde passam. Isso é muito importante para quem participa, para a arte, para a Dança!

A residência fora um espaço/momento para conhecer diferentes práticas e criar infinitas relações com o trabalho que viemos desenvolvendo desde março no GDC. Todo o trabalho proposto pelos bailarinos do Gestus serviram como estímulo de criação para alguns momentos do meu trabalho individual."

Cinélide

Silvia Pereira

‘Mary and Max’: solitários e especiais (em todos os melhores sentidos)

Terça, 07 de Setembro de 2010 às 15h04

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Cenas de 'Mary and Max', animação sobre dois solitários que se encontram a oceanos de distância

Juro que não foi proposital ter assistido dois filmes seguidos com protagonistas especiais. Após a cinebiografia da autista "Temple Grandin", assisti à animação "Mary and Max", que conta a história da garota australiana Mary, que, solitária e com pais distantes, escolhe a esmo um nome na lista telefônica de Nova York e começa a se corresponder com o portador de Síndrome de Asperger (um tipo de autismo) Max.

A técnica de animação (stop motion) e o texto, com narração em off na maior parte do filme, sugerem, à primeira vista, um filme infantil. Mas não se enganem. No máximo, "Mary and Max" poderá ser entendido pela platéia infanto-juvenil para cima, pois aborda temas -mesmo que por sugestão ou metáforas sutis- adultos, como sexualidade, homossexualidade, alcoolismo, além do principal, que é a visão do mundo que tem uma pessoa especial.

A trama sustenta-se toda sobre a troca de cartas entre a jovem Mary e o obeso Max - ambos solitários - durante décadas. No início, ela ainda é criança, e a visão de mundo de ambos é muito similar, simples e pura. À medida que Mary cresce, porém, suas cartas vão impondo ao limitado Max questões humanas mais complexas, uma das quais chega a detonar nele uma crise que termina em sua internação em uma instituição por oito meses.

O filme trata disso com tanta normalidade, que nos desarma de preconceitos. Sem falar que é encantadora a forma como os dois solitários e diferentes -cada um a seu modo - se ajudam, se entendem e se amparam mutuamente mesmo a oceanos de distância.

Está aí outro filme imperdível sobre diferentes maneiras "especiais" de ver e entender o mundo - ou, ao menos, o maior perímetro possível além do nosso umbigo.

Cinélide

Silvia Pereira

‘Temple Grandin’: maravilhoso testemunho de vida

Domingo, 05 de Setembro de 2010 às 01h15

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A verdadeira Temple Grandin (à esquerda na foto) com a atriz Claire Danes, que a interpreta magistralmente no filme

Levei um punhado de minutos para me recuperar da emoção de assistir a "Temple Grandim", filme da HBO do qual ouvi falar na festa do Emmy Awards. Que maravilhoso testemunho de humanidade e do quanto se pode chegar longe quando quem nos ama escolhe acreditar mais em nossas habilidades do que em nossas limitações, evitando que a super-proteção nos impeça de crescer sempre, de fazer parte do mundo, de cometer nossos próprios erros e ultrapassá-los.

Neste mundo louco, em que nos é exigido fazer cada vez mais coisas em cada vez menor tempo, em que cresce o número de distúrbios -mentais, comportamentais, cerebrais ou como quer que se chamem estas doenças do novo século -, um exemplo de vida como o de Temple Grandin é mais do que bem vindo. É obrigatório.

Temple foi diagnosticada com autismo aos 4 anos de idade por um médico que aconselhou à sua mãe interná-la em uma instituição para doentes mentais. A mãe teimou em educá-la em casa e, quando conseguiu que Temple aprendesse a ler, matriculou-a em escolas das quais ela era expulsa a cada vez que cometia algum "delito social" - como bater em um colega que lhe fazia bullying.

Até que, em um internato rural que acolhia todo tipo de crianças especiais, um professor de ciências percebeu o grande potencial cerebral da menina e o estimulou. Grandin alcançou notas que a capacitaram a conseguir vaga em qualquer boa faculdade.

E lá foi ela novamente lidar com a selvageria de outro ambiente social hostil para continuar descortinando "os mundos novos" que seu professor de ciências lhe prometeu a cada vez que ela tivesse coragem de atravessar uma porta - metáfora para o desconhecido.

Enquanto escrevo ainda me arrepio de emoção ao lembrar a forma como o filme mostra, do ponto de vista de Temple, seu jeito muito peculiar de apreender o mundo, em constante choque com a forma com que todo o restante da humanidade o faz.

Mas Temple aprende a não fugir ou se esconder deste mundo que ela não entende. De tal forma seus limites vão sendo testados por ambientes e comportamentos hostis que ela é mais do que estimulada - é obrigada - a lançar mão de todas as suas melhores habilidades para se equilibrar nele. O resultado foi ela ter chegado onde os médicos como o que a diagnosticou aos 4 anos jamais imaginariam.

A autista Temple Grandin hoje é professora universitária, PHD em ciência animal e percorre o mundo dando palestras sobre este assunto e, claro, sobre autismo. Na primeira palestra em que foi convidada a falar, alguém lhe perguntou: "como você se curou?". Ela não titubeia: "Eu não me curei. Sempre serei autista". Esta realidade tão simples não a impediu de chegar mais longe do que muitas pessoas normais jamais conseguiram.

A vida de Temple é o melhor testemunho do quanto a inclusão pode provar que aqueles aos quais chamamos especiais, o são de verdade, e não apenas por condescendência nossa. Se os incluirmos, se não o protegermos, descobriremos que o que os fazem especiais são mais as habilidades que eles têm melhor desenvolvidas do que em nós do que as que lhes faltam.

Todos devíamos nos lembrar disso a cada vez que somos tentados a fugir ou ignorar quem é diferente.