Quarta, 08 de Setembro de 2010 às 00h59
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Em uma das apresentações do projeto do Grupo Gestus, About Angels, coordenei, junto com a bailarina Sabrina Kelly, uma Residência Artística de Dança Contemporânea com o GDC - Grupo de Dança Contemporânea da UFBA.
A princípio, eu e Sabrina nos deparamos com uma grande dúvida, o que é Residência Artística e o que a difere de oficina e workshop.
O conceito de Residência Artística é uma das formas mais características de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes e, a partir dos anos 80, consolidou-se em várias cidades da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão. Concebida nos moldes da Cité des Arts, em Paris, a Residência Artística é uma visão contemporânea das antigas bolsas de viagens. São projetos que têm como objetivo principal servir de residência temporária para artistas estrangeiros.
Após termos esclarecido estas informações, conseguimos planejar um desenvolvimento para aquela atividade.
A Residência teve duração de quatro dias de trabalho intenso. No início, discutimos com os bailarinos do GDC o que queríamos propor de trabalho e o que eles esperavam de nós, assim conseguiríamos realizar a troca artística entre ambos. Decidimos ali trabalhar aula técnica e jogos de improvisação.
Para mim, aquela vivência foi uma experiência ímpar e gratificante, pois me permitiu entrar em uma rotina diferente de trabalho diário em dança.
No colocar-me e deslocar-me em outro campo cultural e estar entre contextos diferentes me fez olhar para o lugar de onde vim e onde vivo, levando-me a estabelecer pontes e compreender as divergências das vivências em diferentes rotinas e situações. Com certeza isso é algo prazeroso, libertador e criativo.
Pablo Lozano

DEPOIMENTOS DOS PARTICIPANTES DA RESIDÊNCIA:
"Agradeço a todos do Grupo Gestus e, principalmente, ao Pablo e à Sabrina pela contribuição das informações que nos foram dadas durante o período da residência ministrada aqui, com o nosso grupo. Os exercícios de aquecimento a partir de seqüências coreografadas enriqueceram nosso vocabulário corporal, ampliando as nossas possibilidades de investigações de movimentos. Essa forma de aquecimento, mesmo depois de encerrada a residência, tem sido praticada por nós em muitas aulas, visto que ela é um ótimo meio (bem dinâmico) de despertar os nossos corpos, deixando-os em prontidão para iniciar o ensaio.
Como estamos na fase do processo de concepção do nosso próximo trabalho, saliento aqui a importância que nós temos dado às células que elaboramos no final da residência, pois muitas delas têm sido incluídas em algumas seqüências coreográficas. Para elaborarmos as nossas experimentações corporais, temos bebido, também, das informações obtidas nos exercícios improvisação, visto que eles nos abriram novas possibilidades de se movimentar e se auto descobrir.
Creio, a partir deste exposto, o quanto nós do GDC estamos gratos e satisfeitos com a vinda de vocês aqui em Salvador. Será um enorme prazer recebê-los mais vezes por aqui."
"É muito bacana conhecer/experimentar como outros grupos trabalham/estão trabalhando. Ao receber novas pessoas, novas propostas, temos a possibilidade de produzir um novo conhecimento, da mesma forma acredito que os que propõem as experiências também se deparam com um novo conhecimento a ser produzido a cada local/grupo por onde passam. Isso é muito importante para quem participa, para a arte, para a Dança!
A residência fora um espaço/momento para conhecer diferentes práticas e criar infinitas relações com o trabalho que viemos desenvolvendo desde março no GDC. Todo o trabalho proposto pelos bailarinos do Gestus serviram como estímulo de criação para alguns momentos do meu trabalho individual."