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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Paulo Coelho Não É Literatura!

Fernanda Miranda

O Mago e a falta de bom senso

Terça, 28 de Fevereiro de 2012 às 14h11

1 Comentário

Reproduzo aqui, com muito entusiasmo, a coluna de Rodrigo Brandão publicada hoje na Tribuna Impressa a respeito de Paulo Coelho, que inspira este blog (Tá vendo, Rodrigo, ele é capaz de originar coisas boas... claro, não com o cérebro dele...). E, não, eu não tenho uma resposta para a grande pergunta deste texto.

O milagre e o mistério

Por Rodrigo Brandão

Utilizo-me de uma terminologia recorrente em seu vocabulário sofrível para descrevê-lo: Paulo Coelho é um milagre. Algo como o artilheiro que jamais fez um gol; ou, para nos aproximarmos do mundo artístico, do qual ele só faz se distanciar, o cineasta que jamais fez um filme.

Em 2012, Paulo Coelho completa 25 anos de carreira literária. O maior escritor brasileiro de todos os tempos, ainda que não tenha escrito um livro sequer. Ao menos que prestasse. Deve lançar ainda este ano sua 21ª obra. Foi lançado em 160 países. Foi traduzido para 73 línguas. Tem 10,5 milhões de seguidores no Facebook e Twitter.

Na entrevista concedida à "Serafina", da Folha de São Paulo, Paulo Coelho falou sobre tudo, seus problemas de saúde e as consequentes superações, resumiu a trajetória de sua vida, pincelou sobre magia negra, contou que fuma seis cigarros por dia, que não almoça, apenas café da manhã e jantar, e até se apresenta de modo a se tornar um sujeito interessante, diferente.

Só não falou, é claro, de literatura, embora tenha se declarado vencedor em relação à crítica especializada. Não é preciso ser especializado. Basta bom-senso. Os temas escolhidos são duvidosos, as tramas são infantis e o texto é medonho. Por que é tão lido? Porque nada exige dos leitores, não provoca reflexão. Por que vende tanto? Isso não denota qualidade. O show de Luan Santana é mais caro do que tantos outros.

Por fim, contou que armazena todas as críticas que lhe são imputadas. Alguém pediu seu voto para a Academia Brasileira de Letras. Pesquisando em seus arquivos, Paulo Coelho descobriu que o aspirante havia falado mal dele há 20 anos, em um jornal pequeno. Não votou. Agora, por que alguém deseja ingressar em uma casa que tem Paulo Coelho como integrante, eis um mistério.

Viva Educação Viva!

Marcos Liba

Semáforo: pra quê?

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012 às 20h27

1 Comentário

Olá pessoal! Tudo bem? Quel tal começar a semana refletindo?

Circulando nos últimos meses por Araraquara/SP, esta bela cidade onde vivo, observei situações que me chamaram bastante a atenção. Seja dia, seja noite, observo cada vez menos motoristas respeitarem a sinalização de transito. Atravessam o cruzamento no sinal vermelho como se a via fosse um lugar privado onde pudesses escolher, sem pensar nas consequências, a maneira que melhor lhes convém para transitar. Na busca de conscientizar e diminuir a ocorrência deste tipo de imprudência, a prefeitura providenciou placas anexadas aos semáforos dizendo que só é permitido avançar quando o sinal estiver verde, o que apesar de ser uma boa companha, é por si só um absurdo, pois esta regra, de tão simples, é o conhecimento mínimo que um sujeito precisa ter para para receber a Carteira Nacional de Habilitação.

Situações assim são tristes e absurdas, pois expressam o individualismo em seu mais alto grau. O condutor pensando só nele, esquecendo que mora em um espaço coletivo no qual outras pessoas, mesmo sem querer, estão ligadas à suas ações. O infrator esquece que existem regras e valores que fazem a cidade funcionar e que devem ser respeitados!

Sabemos que moral é o conjunto de regras e valores existentes em um lugar e que auxiliam no seu bom funcionamento, além de proporcionar harmonia e desenvolvimento ao espaço coletivo. Também sabemos que o uso coerente destas regras e valores definem o que é ética. Ou seja, onde está a ética destes condutores?

Está mais do que na hora de revermos nossos valores e, acima de tudo, nossas atitudes. Temos que entender que pertencemos a uma coletividade, e o que talvez consideremos uma simples atitude, pode ocasionar consequências danosas a ponto de atentar contra a vida de outrém. Constatamos, através da mídia, e com muita tristeza, o número absurdo de acidentes de transito em nosso país.. Vamos mudar esta realidade!

Cinélide

Silvia Pereira

Meu Oscar vai para...

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012 às 16h17

3 Comentários

"A Invenção de Hugo Cabret".
Após ter declarado minha torcida por "Tão forte e tão perto", no último post, - que escrevi ainda sob a emoção de tê-lo assistido - voltei a ver o filme de Scorsese e cheguei à conclusão de que "...Hugo" merece mais a estatueta pelo conjunto da obra.
O filme de Stephen Daldry é sensível e belíssimo sim, mas muito mais pela história do que pelo conjunto de sua realização. Já "A Invenção de Hugo Cabret" não tem apenas um ponto forte: a história, a fotografia, a direção e as atuações são impecáveis.
Cheguei a esta conclusão após assistir a oito dos nove concorrentes na categoria principal - juro que comecei e tentei, duas vezes, terminar de ver "A Árvore da Vida", mas não consegui (muuuito arrastado).
Desta vez, consegui ver a maioria dos concorrentes nas principais categorias. Por isso estou em condições de torcer em quase todas - as exceções são as de animação e documentários.
Aí vão minhas torcidas:

DIREÇÃO
Por motivos óbvios, vou torcer para o prêmio de Melhor Direção ir para Martin Scorsese (..."Hugo"), mas é provável que a Academia premie o francês Michel Hanazavicious ("O Artista") pelo prodígio de ter sido bem sucedido ao fazer um filme mudo e em branco-e-preto em pleno século da tecnologia de efeitos especiais no cinema. Não entendo Terrence Malick ("A Árvore da Vida"), mas adorei a direção leve de Woody Allen em "Meia-noite em Paris".


ATORES
Na categoria Melhor Ator, vou torcer para um azarão, Demian Bichir, de "A Better Life", mas também acharei justíssimo se George Clooney ganhar por sua ótima atuação em "Os Descendentes". Não achei nada demais as atuações de Brad Pitt ("O Homem que Mudou o Jogo") e Jean Dujardin (o francês de "O Artista"). Já Gary Oldman ("O Espião que sabia demais") sempre arrasa, mas duvido que ele leve, pois não faz o estilo mainstream.
Já a disputa para Melhor Atriz está dificílima neste ano, por isso não torcerei para ninguém em especial pois acho que, da jovenzinha Rooney Mara ("Os Homens que não amavam as mulheres") à veterana Meryl Streep ("A Dama de Ferro"), todas estão bem em seus papéis. Glenn Close está inacreditavelmente convincente como protagonista de "Albert Nobbs", uma mulher que se passa por um garçon em um hotel de Londres, no início do século passado. E Michelle Williams realmente surpreende em "Sete dias com Marilyn". Já Viola Davis, acho que está mais carismática do que bem em "Histórias Cruzadas".

COADJUVANTE
Já para ator coadjuvante vou torcer febrilmente para Christopher Plummer em "Toda Forma de Amor", no qual interpreta um idoso que decide "sair do armário" aos 70 anos, após a morte da mulher. Max Von Sydow também merece pelo papel de avô em "Tão forte e tão perto". Keneth Branagh e Jonah Hill estão apenas bem em "Sete dias com Marilyn" e "O Homem que mudou o jogo", respectivamente. Não assisti a "Guerreiro", filme pelo qual Nick Nolte foi indicado.

Para Melhor Atriz Coadjuvante, minha torcida fervorosa fica com o fantástico trabalho de Octavia Spencer em "Historias Cruzadas", que já levou o Globo de Ouro pelo papel. Se ela não estivesse no páreo, eu até acharia justo a estatueta ir para Jessica Chastain, do mesmo filme. Não vi nada demais nas atuações de Berenice Bèjo ("O Artista"), Melissa McCarthy ("Missão Madrinha de Casamento") e Janet McTeer ("Albert Nobbs"), outra atriz interpretando uma mulher que se passa por um homem.

FILME ESTRANGEIRO
Não vi aos demais concorrentes a Melhor Filme Estrangeiro, mas vou torcer muito para o iraniano "A Separação", com roteiro e direção de Asghar Farhadi. O filme, que já levou o Globo de Ouro na categoria e também o Urso de Ouro em Berlim, acompanha o processo de separação do casal de classe média Simin e Nader. Ela é quem toma a iniciativa da separação porque ele recusa-se a deixar o País, como haviam previamente combinado, porque precisa cuidar do pai, diagnosticado com Alzheimer.
Simin vai para a casa da mãe, forçando Nader a contratar uma ajudante para cuidar do pai. Um incidente que culmina no aborto da ajudante detona um inquérito na Justiça iraniana em que Nader tem que provar que não provocou o aborto.
Por meio deste microcosmo, o diretor aborda preconceito contra as mulheres e, principalmente, as difíceis posições que as brigas dos pais colocam a filha, obrigada a fazer doloridas escolhas o tempo todo.

ROTEIRO ORIGINAL
Apesar de ter gostado muitíssimo da história de "Meia-noite em Paris", minha torcida fica, mais uma vez, com o iraniano "A Separação" na categoria Melhor Roteiro Original. Não acho que "O Artista" mereça e achei a história de "Missão Madrinha de Casamento" uma tremenda BOBAGEM. Não assisti a "Margin Call - O Dia antes do fim" para opinar.

ROTEIRO ADAPTADO
Nesta categoria só não assisti a "Tudo pelo poder". Entre os quatro que restaram, votaria em "A invenção de Hugo Cabret", contra "Os Descendentes", "O Homem que mudouo jogo" e "O espião que sabia demais", que, aliás, é bem difícil de acompanhar.

MÚSICA
Enfim, vou fazer pensamento positivo para que Carlinhos Brown traga o Oscar de Melhor Canção para o Brasil.

E vamos assistir à festa!

Paulo Coelho Não É Literatura!

Fernanda Miranda

Sacos, sacolas, bags, ecobags e ecochatos...

Quarta, 22 de Fevereiro de 2012 às 18h03

3 Comentários

Sacolas plásticas, sacolas biodegradáveis, ecobags, ecochatos… Essa história de sacolas em supermercados está me cansando. Me sinto uma idiota como consumidora quando compro um produto e não tenho o direito de levá-lo para a casa decentemente.

Antes que alguém diga que eu sou contra o planeta, o meio ambiente, e blábláblá, adianto que não, apesar de, nos meus rompantes de raiva dessa história, dizer que estou pouco me f... para o planeta porque não vou estar aqui quando tudo acabar.

O problema dessa campanha idiota é que os empresários estão usando um argumento digno para lucrar. E as pessoas estão encampando essa idéia sem pensar, com um discurso vazio escrito por outros. Não fosse isso o presidente do sindicato do comércio, uma das partes desse acordo, ia fechar um de seus negócios, que vende embalagens plásticas. Ou ele acredita ou não acredita na salvação do planeta.

Não fosse para se dar bem com essa história, eles poderiam simplesmente distribuir sacolas biodegradáveis no lugar das plásticas, como faz - e há muito tempo - a C&A, sem nenhum alarde.

Não fosse isso, os funcionários de frente de caixa, também chamados empacotadores, estariam lá no mesmo lugar, prontos para nos ajudar a colocar as compras nas sacolas. Porque eu não sei como colocar 20 produtos dentro de um único saco.

Ou alguém concorda comigo que é legal ir ao supermercado e receber saco de arroz ou de açúcar para acondicionar suas compras?!! Por favor...

Não me venham com o argumento de que nossas avós usavam carrinhos de supermercado e sacolas de pano e não reclamavam. Elas também passavam roupa com carvão quente, usavam absorventes de pano, tinham dez filhos, lavavam dúzias de fraldas de pano por dia, morriam no parto, andavam de carroça, moravam em casa sem iluminação e pediam ligação para a telefonista, que demorava três dias para retornar avisando que o parente não foi encontrado.
Se é para ser assim, como nossas avós, vamos começar deixando os itudo de lado. Quero ver quem embarca.

Também não me venham com o argumento de que na Europa é assim há anos. Olha, aqui não tem o melhor chocolate do mundo, não tem neve, não é Barcelona, não tem os italianos bem vestidos e cheirosos, não tem os cafés franceses, não tem aurora boreal, não tem analfabetismo zero... Se não tem os benefícios, então também não me deixem as mazelas.

Quer salvar o planeta? Eu tenho várias outras sugestões e duvido que os ecochatos estejam seguindo:

- Recicle plástico, alumínio, vidro e papel;

- Troque o carro e a moto por ônibus, bicicletas e tênis com bom sistema de amortecimento;

- Não jogue restos de comida, produtos químicos e óleo de cozinha no ralo; o Daae agradece;

- Use a água da máquina de lavar roupas para limpar o quintal;

- Não desperdice água lavando todo dia o quintal, o carro, o periquito;

- Descarte pilhas, remédios e lâmpadas no lugar certo;

- Recicle óleo de cozinha;

- Desligue o chuveiro quando está se ensaboando;

- Desligue a torneira enquanto escova os dentes ou ensaboa a louça suja;

- Compre frutas, legumes e verduras orgânicos;

- Aproveite talos e folhas de legumes e verduras para fazer tortas, bolinhos, biscoitos e sucos;

- Use restos orgânicos para fazer adubo em composteiras.

Se você não faz metade disso, então também não tem o direito de acabar com o pouco de paciência que eu tenho.

Cinélide

Silvia Pereira

'Tão forte e tão perto': MARAVILHOSO!!!

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012 às 02h47

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Devo ter ficado perto de meia hora soluçando e tentando organizar em minha mente virginiana as razões para ter chorado tão copiosamente com "Tão forte e tão perto" - título brasileiro de "Extremely Loud & Incredibly Close" [em tradução literal, "Extremamente alto (no sentido de volume) e Incrivelmente perto"], um dos nove indicados à categoria de Melhor Filme do Oscar 2012.

Não percam nisso o mesmo tempo que eu.

Esta jóia de história filmada por Stephen Daldry (dos também excelentes "Billy Elliot", "O Leitor" e "As Horas") não é para ser entendida com a razão e sequer no âmbito do consciente.

É preciso deixar sentidos e emoções acompanharem as expedições do garoto Oscar Schell (Thomas Horn) - primeiro em busca do sexto município de Nova York, que o pai diz ter flutuado para longe; depois à procura da fechadura na qual se encaixe uma chave que ele encontra entre os pertences do pai - sem racionalizar.

O inconsciente - regido e regente das emoções - se encarrega de nos conectar aos significados embutidos nas buscas do garoto com Síndrome de Asperger (*), que sai pela metrópole encarando seus medos para tentar dar sentido a uma perda.

No processo, ele conhece pessoas de todos os tipos; intuitivamente descobre o avô (Max Von Sydow, divino!) que nunca conhecera; e redescobre a mãe (Sandra Bullock), que mantinha à distância de sua relação simbiótica com o pai (Tom Hanks).

Claro que não entregarei qual grande descoberta ele faz ao final, mas posso adiantar que a solução de uma de suas expedições é uma metáfora valiosa que o pai deixa como ensinamento derradeiro.

Que maravilhoso descobrir que a indústria do cinema, cada vez mais à merce de tecnologismos e efeitos especiais, ainda é capaz de produzir filmes tão profundos e sensíveis!

Apostei no último post que "A Invenção de Hugo Cabret" seria o grande vencedor do Oscar deste ano - e talvez seja mesmo, pelos motivos que elenquei no post anterior -, mas minha torcida apaixonada fica, desde já, com "Tão forte e tão perto".

Simplesmente MARAVILHOSO!

(*) Síndrome de Asperger: síndrome do espectro autista que não implica atraso ou retardo global, mas dificuldade de interação social, em processar e expressar emoções (o que leva outras pessoas a pensar erroneamente que não sentem empatia), interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados e, não raro, grande capacidade de raciocínio lógico e memória.