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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Ismael Ivo, um ótimo engano

Sexta, 29 de Outubro de 2010 às 03h00

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Confesso que, ao chegar nesta última quarta-feira, pela manhã, na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, recebi com certo preconceito a notícia de que Ismael Ivo (foto ao lado) estava lá para visitar e falar aos alunos e docentes. Preconceito porque estou cansada de conhecer pessoas (algumas famosas, outras que pensam que são), e não apenas na área da dança, dotadas de extrema arrogância e presunção. Mero engano! E que bom que a vida nos surpreende!

Como acadêmica e artista, acompanho carreiras, estudo biografias, investigo processos artísticos e persigo as montagens relacionadas principalmente ao balé, à dança contemporânea, ao sapateado e à dança moderna. E eu já havia lido e visto trabalhos do coreógrafo brasileiro, radicado na Alemanha, Ismael Ivo, mas não o conhecia pessoalmente.

Que ótima oportunidade a vida me concedeu: estar hoje num centro de excelência da dança no Brasil e também internacional - a UFBA. Lá, trabalho com grandes nomes da dança brasileira, como Dulce Aquino, e tenho colegas de tamanha importância para a dança na própria universidade e em outros espaços como a Escola de Dança da Funceb, na gestão pública e privada, municipal e estadual, e em espaços culturais.
Ismael Ivo é uma pessoa especial, destas que contagiam e fazem emanar, pelo corpo todo, a alegria. Seus olhos brilham ao falar. Suas palavras ganham corpo e suas ideias dançam nos movimentos das mãos, cabeça, braços, pernas, pés...

Contou-nos que estava trabalhando com o Balé do Teatro Castro Alves, comentou sobre os processos desenvolvidos com o elenco para a coreografia que estreia hoje, intitulada "A Flor da Pele", falou de sua biografia, de curiosidades, de golpes de sorte, de como foi parar nos EUA e depois na Europa, enfim, de maneira extremamente generosa, humilde, carismática e instigadora, falou por uma hora e meia a uma plateia de estudantes e professores de, aproximadamente, 60 pessoas.

A apaixonante fala sobre dança e vida, inseparáveis, foi recheada de momentos inesquecíveis, como quando relatou que dançou a Kazuo Ohno, em seu aniversário de 100 anos, no Japão; de sua amizade com Pina Bausch, Willian Forsythe, Alwin Ailey, Jiri Kylian, Marcia Haidée, Klauss Vianna e tantos outros; de suas atribuições atuais como curador de dança da Bienal de Veneza e coordenador do Festival Impulztans, em Viena.

Ismael Ivo é muito famoso sim, mas sua simplicidade ficou no ar e, durante todo o dia, os alunos se encontravam e relembravam o que tinham ouvido de sua boca de sorriso largo. Pessoas como ele fazem falta neste mundo, são realmente raras; no entanto, pessoas que olham nos olhos, escutam, aconselham e animam são imprescindíveis e continuarão a cruzar nossos caminhos. E isso não será um engano.

Gestus apresenta 'Sobre Todos Nós' no SESI-Araraquara

Terça, 26 de Outubro de 2010 às 09h53

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Depois de uma bem sucedida temporada no Equador no início deste mês, o Grupo Gestus retorna à sua cidade natal - Araraquara - para a apresentação do espetáculo "Sobre Todos Nós", que integra o projeto About Angels, realizado com o patrocínio da Lupo, via Lei Rouanet. A apresentação será realizada na próxima sexta-feira (29) no Sesi-Araraquara, às 19 horas, com entrada gratuita. Os ingressos devem ser retirados uma hora antes da apresentação, no teatro do Sesi.

O mais novo projeto do Gestus, "About Angels" - que dá continuidade à pesquisa desenvolvida pelo grupo desde 2006, sobre ativismo artístico - contempla os trabalhos: "Sobre Todos Nós", "Microdanças que se desfazem...", "Viral" e "Ausculta". Como singularidade, o universo infantil gerou as pautas que nortearam a criação destes trabalhos. Para a apresentação no Sesi-Araraquara, o Gestus apresenta pontualmente "Sobre Todos Nós", com direção de Gilsamara Moura. Com propostas de solos e coletivos que dialogam entre si, o Gestus apresenta intérpretes-criadores convivendo num ambiente de criação permanente. Pertencimento, memória, alteridade integrada, denúncia, consumismo são algumas das questões abordadas em "About Angels".

A infância, de acordo com Gilsamara, norteou os caminhos percorridos na construção deste projeto, "não como sustentáculo narrativo, mas como ambiente em potencial, para ser desenhado e compartilhado pelo coletivo".

O processo de criação de "Sobre Todos Nós" teve inspiração em 16 crianças "que falam sobre todos nós". O elenco apresenta: Luzinete Silva, Gilsamara Moura, Pablo Lozano e Rafael Otoni, além do estagiário Nícolas Souza e os bailarinos convidados Cesar Nunes e Nirlyn Seijas (estes últimos não participam da apresentação em Araraquara, já que estão envolvidos em trabalhos no Núcleo Gestus em Salvador).

Os bailarinos revivem o tempo do universo simbólico da criança, transformando-lo no espaço e fazendo associações daquilo que as crianças de hoje têm em comum: sonhos, desejos, carências. Assim, revivem momentos de transição e agregam novas experiências. Agora, os corpos já adultos experimentam de novo, em outro tempo-espaço, algumas das suas vivências da infância.

"Será maravilhoso dançar em Araraquara, depois de um ano que fui morar em Salvador. Será uma ótima oportunidade, até porque voltamos dentro de um projeto do SESI que merece aplausos. O Gestus tem 20 anos e sempre lutou por dignidade e respeito à dança, por isso agradeço em nome do grupo, ao SESI e ao gestor Alvaro Filho que tem participado desta militância em prol da valorização da cultura local", disse a diretora. "Quero ainda salientar que nossa terceira visita ao Equador foi determinante: além de apresentarmos o programa completo de About Angels, o Gestus estabeleceu vínculos institucionais com algumas companhias daquele país, podendo voltar e colaborar permanentemente com o desenvolvimento da dança contemporânea".

Depois de Araraquara, o grupo segue com apresentações em novembro por Belém, Teresina, e Parnaíba. A agenda, até o final do ano, inclui ainda algumas cidades de São Paulo - entre elas a capital, com o solo "Ausculta", da bailarina Sabrina Kelly. Para o primeiro semestre do próximo ano a agenda prevê a vizinha cidade de Ribeirão Preto e La Paz, na Bolívia.

SERVIÇO:

Grupo Gestus apresenta "Sobre Todos Nós" - obra do projeto "About Angels"

Local: Sesi-Araraquara (Av. Octaviano de Arruda Campos, 686 - Jardim Floridiana)

Data: sexta-feira (29 de outubro)

Horário: 19 horas

Entrada gratuita (retirada de convites uma hora antes da entrada)

Quais são nossas demandas?

Terça, 19 de Outubro de 2010 às 15h27

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No final do mês de agosto e início do mês de setembro, estive em Salvador, participando do "Seminário de Economia da Dança", promovido pela PID (Plataforma Internacional de Dança) e pela REDSD (Rede Sudamericana de Danza), representando o Grupo Gestus, de Araraquara/SP.

O Evento tinha por intuito o intercâmbio de experiências sobre políticas públicas bem como, em um segundo momento, diagnosticar estratégias e possíveis alianças para o alcance de maiores avanços da área da Dança. Analisar o impacto do setor cultural na economia foi o objetivo principal. Tal aspecto, contudo, aliado às iniciativas públicas para movimentação econômica deste setor.

Para o desenvolvimento de tal diálogo, representantes e militantes da Dança de diversos países da América do Sul (Venezuela, Argentina, Equador, Chile, Bolívia, Uruguai, Peru, Colômbia) e representantes do Centro Cultural da Espanha estavam presentes para expor seus avanços, retrocessos, questionamentos e necessidades locais para melhorar as condições de executabilidade das políticas públicas em dança de cada região. Aliás, este foi um denominador comum entre os representantes das regiões que ali estavam: os artistas ainda dependem, e muito, das iniciativas públicas, valendo-se de editais, na maioria das vezes, para alcançarem alguma renda suficiente à manutenção da própria subsistência.

Após longas, porém produtivas exposições, os passionais militantes da Dança tiveram seus pés re-colocados no chão por Márcio Meirelles, Secretário de Cultura da Bahia que disse: - Não se faz política pública sem números!

Além de contribuir com o desenvolvimento cultural de nossas regiões, nós, bailarinos, militantes, artistas (...) estivemos realmente preocupados em algum momento em produzir esses números, ou nossa preocupação limitou-se, até então, apenas ao comprometimento com o desenvolvimento qualitativo da arte produzida?

Nos diálogos entre países e regiões, o que restou evidente é que não houve durante o desenvolvimento deste setor que se encontra em ascensão, a devida preocupação com a sua sustentabilidade.

Em verdade, chega-se ao momento de reconhecimento e aceitação da verdadeira situação fática. Assustadora e não muito bem aceita pela sensibilidade artística dos que nesta área militam, mas uma verdade a ser emergencialmente considerada: CULTURA E MERCADO PARECEM COISAS ANTAGÔNICAS. DEVEMOS PENSAR EM MERCADO DA DANÇA E CULTURA?

Leonardo Brant que discursou no evento, cuidadosamente tratou sobre o assunto durante sua palestra. Levantou questões importantíssimas. O mercado cultural, sem dúvida, tem suas numerosas especificidades, e estamos hoje em um mercado com formatos e lógicas de gestão pré-estabelecidas.

Ocorre, entretanto, que os profissionais da cultura não se reconhecem dentro desta lógica. Outra questão levantada por Brant é a necessidade primária de subsistência do artista. Desta feita, em decorrência dessa dificuldade em enquadrar-se no modelo dominante de gestão econômica, a classe artística acaba por operar por seus próprios modos, o que não contribui para o registro de números vistosos ante os órgãos governamentais, deixando, portanto, de criar precedentes numéricos para embasar as demandas apresentadas ao Poder Público.

Contudo, embora não estejamos habituados a nos preocupar em contribuir com o registro de números, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mapeou alguns dados animadores sobre a movimentação econômica no setor cultural.

A pesquisa feita pelo IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNDA 2008) analisou o quadro geral de ocupações constantes perante o ministério do trabalho (CBO - Classificação Brasileira de Ocupações), e, dentre estas, fez dois recortes para análise: a de ocupações no setor cultural de forma ampla e, de forma específica, a de bailarinos e coreógrafos.

Os resultados são entusiasmantes. De 2000 a 2008, o quadro geral de ocupações no Brasil teve um crescimento de 40,8% ao passo que, no mesmo período, as ocupações no setor cultural tiveram um crescimento de 64,5%. Já no grupo específico (De bailarinos e coreógrafos) de 2000 a 2008 o crescimento de ocupações nesta área foi de 20.8%.

Estes dados só vêm a contribuir com a importância do setor. Todavia, outro dado captado indica que, de fato, o setor não de enquadra no modelo de mercado ao qual estamos habituados. Analisando o perfil destes trabalhadores do setor cultural, verificou-se que apenas 9,8% deles têm carteira assinada. Já na ocupação de bailarinos e coreógrafos, a pesquisa verificou que 0% é registrado. Ainda entre estes, 53,4% trabalham sem registro; 36,2% trabalham por conta própria, 0% são empregadores.

Aqui, cabe minha questão: Ante a dinâmica do setor cultural, cabe enquadrarmos este perfil de trabalhador nos regimes Celetistas? É essa "estabilidade" que buscam os artistas? Este padrão serve às necessidades desta classe? Tais excessivas formalidades não viriam de encontro às suas necessidades?

De fato, há ainda um distanciamento entre a tutela fornecida e o ideal almejado para abrigar legalmente a classe artística. Oportunamente, Marila Velloso, que também palestrou durante o evento, citou o filósofo Italiano Giorgio Agamben, que trata sobre a discrepância entre a área da cultura e a área do direito. É certo que ainda se trata, infelizmente, de um distanciamento abissal entre estes setores que tanto precisam um do outro.

Inquieta com essas riquíssimas questões suscitadas, não pude deixar de fazer a minha. Ainda que seja uma pergunta retórica, o intuito é exatamente este, avaliar: Quais sãos as atuais limitações ou lacunas do cenário jurídico atual que esbarram ou impedem o desenvolvimento da dança? Onde ainda precisamos nos trabalhar para atender a demanda da dança?

A resposta dada com por Beatriz Cerbino, que presidia a mesa naquele momento foi: Isso é tese de Mestrado! De fato é uma pergunta complexa, mas sem dúvida temos que nos colocar a pensá-la para termos objetivos específicos a serem apresentados ao poder público, tornando possível, assim, diminuir o distanciamento apontado por Agamben.

Ana Karla Marcontao

*Ana Karla Marconato é Assistente de Produção e Assistente Jurídica do Grupo Gestus; bailarina integrante da Cia. Shuffle Trips e Advogada formada pelo Centro Universitário de Araraquara - Uniara.

Araraquara, Salvador e Guayaquil

Sexta, 15 de Outubro de 2010 às 03h00

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O Grupo Gestus, de Araraquara, retornou do Equador neste dia 13 de outubro, após uma semana de trabalho intenso em Guayaquil, cidade banhada pelo Rio Guayas. Fizemos a apresentação de quatro espetáculos, bate-papo e oficinas sobre processos de criação.

Depois de estar representada pela terceira vez, a cidade de Araraquara é hoje, para a dança contemporânea naquele país, uma referência profissional. Em 2008, o Gestus levou para Quito, Manta e Guayaquil o trabalho "Cortadores", do coreógrafo Mário Nascimento, e recebeu uma crítica no jornal equatoriano de maior circulação escrito por Noël Bonilla, crítico de dança cubano, que surpreendeu a todos.

Em 2009, o convite veio à Cia. Shuffle Trips, que levou seu último trabalho, "Ninguém vai sabê: 10 modos de TAPear", oportunizando ao público de Guayaquil, Quito e Cuenca momentos de apreciação estética e conhecimento acerca do sapateado americano e da percussão brasileira.
Agora, em 2010, o Grupo Gestus retornou após um convite especial para participar como convidado do 11º Festival de Artes ao Ar Livre da cidade de Guayaquil (Faal). Com patrocínio da Lupo e apoio do Ministério da Cultura do Brasil, o Gestus tem exercido mobilidade artística dentro e fora do País, um dos aspectos mais complexos para grupos brasileiros. Há de se destacar que, sem financiamento, é impossível viajar e socializar o trabalho artístico.

Em Guayaquil, estiveram presentes os bailarinos de Araraquara e do núcleo do Gestus de Salvador (Bahia), além da equipe de direção geral e artística. Apresentados para centenas de pessoas, três trabalhos do Projeto "About Angels": "Viral", "Sobre Todos Nós" e "Microdanças que se desfazem...", que percorreram praças e ruas, em estruturas dignas de investimento do poder público em Cultura, como palcos gigantes, iluminação e som de alto nível.

Com esta participação, o grupo firmou-se como referência e exercerá, nos próximos anos, um papel importante no estabelecimento de parcerias, convênios, intercâmbio de bailarinos e docentes, tanto no núcleo do Gestus em Araraquara, como no espaço da Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Trata-se de um espaço ímpar para trocas artísticas e fomento da dança contemporânea. Uma ponte promissora que possibilitará unir povos distantes territorialmente, mas, que, todavia, compartilham semelhanças como latino-americanos.

Gestus leva 'About Angels' para o Equador

Terça, 05 de Outubro de 2010 às 14h21

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Completando 20 anos de existência em 2010, o Grupo Gestus de dança contemporânea (Araraquara-SP) parte nesta semana em viagem para o Equador, onde é convidado especial do XI Festival de Artes Independência de Guayaquil, realizado entre os dias 08 e 10 de outubro, em Guayaquil - cidade mais populosa do Equador e que detém o principal porto do país.

O mais novo projeto do Gestus, "About Angels" - que dá continuidade à pesquisa desenvolvida pelo grupo desde 2006, sobre ativismo artístico - norteia as apresentações, com os trabalhos: "Sobre Todos Nós", "Microdanças que se desfazem..." e "Viral" - este último concebido pelo coreógrafo Mario Nascimento (MG). O projeto é produzido com o patrocínio da Lupo, via Lei Rouanet, de incentivo fiscal do Governo Federal.

Único representante brasileiro no Festival, o Gestus ocupará os espaços cênicos do Palácio de Cristal (localizado numa das áreas mais turísticas de Guayaquil: o "Malecón 2000") e também na Praça Rodolfo Baquerizo. As apresentações serão nos dias 08, 09 e 10, nas diversas estruturas espalhadas pela cidade para o festival, que é de arte na rua.

Nesta turnê internacional, sete pessoas - entre elas, a diretora artística Kranya Díaz-Serrano, responsável por ensaios, concepção, embasamento teórico-prático e suporte intelectual.

Com About Angels, o Gestus apresenta trabalhos de dança contemporânea de diferentes criadores, a partir de uma questão comum: "Infância". A infância, de acordo com Gilsamara Moura, diretora do grupo, norteou os caminhos percorridos na construção do projeto "About Angels", "não como sustentáculo narrativo, mas como ambiente em potencial, para ser desenhado e compartilhado pelo coletivo".

Com propostas de solos e coletivos que dialogam entre si, o Gestus apresenta intérpretes-criadores convivendo num ambiente de criação permanente. Pertencimento, memória, alteridade integrada, denúncia, consumismo são algumas das questões abordadas em "About Angels".

O XI Festival de Artes Independência de Guayaquil é organizado pelo Museu Municipal, Direção de Cultura e Promoção Cívica do município de Guayaquil, a segunda cidade mais importante do Equador, depois de sua capital Quito. Vale lembrar que, em 2008, o Gestus participou do Festival de Artes Escenicas da Red Ecuatoriana de Festivales, com o espetáculo "Cortadores", em Quito, Guayaquil e Manta.

Os espetáculos

Em "Sobre Todos Nós" os bailarinos revivem o tempo-espaço, do universo simbólico da criança, de maneira transformada e fazem associações daquilo que as crianças de hoje têm em comum: sonhos, desejos, carências. Assim, revivem momentos de transição e agregam novas experiências. Agora, os corpos já adultos experimentam de novo, em outro tempo-espaço, algumas das suas vivências da infância.

O processo de criação do espetáculo teve inspiração em 16 crianças "que falam sobre todos nós". O elenco apresenta: Luzinete Silva, Gilsamara Moura, Pablo Lozano e Rafael Otoni, além dos bailarinos convidados Cesar Nunes e Nirlyn Seijas.

Já em "Microdanças que se Desfazem", a bailarina e diretora Gilsamara Moura, apresenta um solo inspirado na obra "O olho e o cérebro - Biofilosofia da percepção visual", de Philippe Meyer. Dessa forma, "Microdanças..." trabalha com alguns sentidos e canais da percepção, revelando experiências táteis, visuais, cinestésicas e acústicas.

O trabalho apresenta corpo e pensamento enredados, num tempo determinado e bem curto, onde cada dança se constrói e se desfaz. Assim, o tempo se desfaz na dança e a dança se desfaz no tempo...

Por fim, "Viral", do coreógrafo Mario Nascimento, aborda processos mnemônicos - aqueles que auxiliam na memorização e que são tratados como processos contaminatórios de movimentos de outro bailarino. O que a memória seleciona é um dos fios condutores de Viral.

Como nos contaminamos com as ideias dos outros? Como passamos isso adiante? Como mudamos os percursos? Quando a contaminação cessa? Questões como estas atravessam a cena e se evidenciam na construção coreográfica dos bailarinos Cesar Nunes, Luzinete Silva, Nirlyn Seijas, Rafael Otoni e Pablo Lozano.

Grupo Gestus

O Grupo Gestus foi criado em 1990, na cidade de Araraquara e, atualmente, é formado por quinze pessoas que desempenham papéis nas áreas de criação, produção, comunicação e direção, constituindo um núcleo artístico de pesquisa e produção em dança.

Na sua trajetória, foi agraciado pelos prêmios Em-Cena Brasil/2002, Caravana Funarte/2004 e Klauss Vianna de Dança/2007.

Apresentou-se em inúmeros eventos e salas no Brasil, participou de diversos festivais internacionais de Dança em países como Colômbia, Peru, Equador, Argentina, Estados Unidos, Alemanha.

Integrou o projeto de residência artística internacional IPL/2008 e participou do projeto de cooperação internacional "Fronteras", ambos em Lima-Peru.

Co-produziu edições do Festival de Dança de Araraquara/2001-2008 e do Fronteiras Brasil/2009.

Seus integrantes atuam em projetos sociais e acadêmicos ligados à dança, entre eles, Gestus Cidadãos e Universidade Federal da Bahia.

Em 2010, após firmar patrocínio com a Lupo, o Gestus tem conquistado palcos brasileiros e se destacado no exterior, onde ainda deverá dançar, além do Equador, também na Venezuela e na Bolívia. Assim, em 2010, o projeto About Angels soma mais de 15 apresentações, percorrendo estados da Bahia, Pará, Piauí, São Paulo e pelo menos três países.

"About Angels" - Ficha técnica

Direção: Gilsamara Moura

Assistente de Direção: Kranya Díaz-Serrano

Elenco: Gilsamara Moura, Luzinete Silva, Pablo Lozano, Rafael Otoni e Sabrina Kelly

Estagiário: Nícolas Souza

Bailarinos Convidados: César Nunes, Nirlyn Seijas

Criadores/ Propositores: Gilsamara Moura, Mário Nascimento, Khosro Adibi, Sabrina Kelly

Iluminador: Ricardo Portari

Figurino: Melibae Ocanto

Projeto Gráfico: Veridiana Santos e Pablo Lozano

Fotografia: Aldren Lincoln, Ines Correa e Luiz Áureo

Produção: Nirlyn Seijas

Assistente de Produção: Ana Karla Marconato

Assessor de Imprensa: Tadeu Queiroz

Assessoria Jurídica: Ana Karla Marconato

Preparação Física: Cássio Mascarenhas Robert Pires

Balé Clássico: Pablo Lozano

Dança Contemporânea: Elenco

Capoeira: Gilson de Almeida

Yoga: Juliana Oliveira Michelutti

Realização: Grupo Gestus

Patrocínio: LUPO

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