É um prazer e uma grande responsabilidade ganhar um espaço como este. O leitor pode não imaginar, mas conquistar o direito de escrever sobre algo que gosta, dando suas opiniões e impressões, é bastante difícil e concorrido. A partir de hoje, aos domingos, nos encontraremos aqui para falar de algumas modalidades diferentes, que encantam e fascinam pessoas por gerações.
A coluna Pé na Tábua nasceu de um apaixonado pelo zunido dos motores e pelo cheiro forte da gasolina. Aliás, talvez seja este o líquido que flui nas veias dos amantes do esporte a motor.
O desafio de escrever — e convencer — nesta coluna é ainda maior, pois o brasileiro, sempre apaixonado por carro, parece estar numa maré baixa. Qual o motivo, por exemplo, da Fórmula 1 não fazer mais você acordar de madrugada para assistir a uma corrida no Japão? As provas têm parecido mais um carrossel de grandes equipes e cartas marcadas. Os brasileiros andam ‘apagados’ e o coração parece ter parado de pulsar no fatídico ano de 1994.
Ainda assim, o apaixonado por estes esportes continua fiel. Eu sou um deles e minha missão será a de levantar isso. Os organizadores destas modalidades, bem atentos, observaram o fato e já planejam mudanças.
Agora temos um Rubens Barrichello motivado correndo pela Indy. Tem boas chances de se dar bem. Vamos observá-lo nos ovais. Teremos mudanças no traçado de Interlagos, um feito histórico, além de diversas competições pelo País e mundo. Vamos reacender a ignição destes corações movidos a gasolina?
Fernando Martins é editor de Economia e escreve neste espaço, aos domingos, sobre esporte a motor.

Ainda criança percebi minha paixão por motores e velocidade. Talvez não fosse jornalista, seria mecânico. E, se Deus permitisse e fosse para ser, seria piloto. No começo dos anos 90 aprendi a andar. Mais que isso: vi que os pés podiam pisar num artefato de metal e conseguir algo maior, o prazer de acelerar. As pistas de corrida me fascinavam, junto com um rapaz que conseguia trazer alegrias para um País que acabava de se encontrar com a democracia e com dias livres.