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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Meu coração é movido a gasolina

Terça, 15 de Maio de 2012 às 15h00

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É um prazer e uma grande responsabilidade ganhar um espaço como este. O leitor pode não imaginar, mas conquistar o direito de escrever sobre algo que gosta, dando suas opiniões e impressões, é bastante difícil e concorrido. A partir de hoje, aos domingos, nos encontraremos aqui para falar de algumas modalidades diferentes, que encantam e fascinam pessoas por gerações.

A coluna Pé na Tábua nasceu de um apaixonado pelo zunido dos motores e pelo cheiro forte da gasolina. Aliás, talvez seja este o líquido que flui nas veias dos amantes do esporte a motor.

O desafio de escrever — e convencer — nesta coluna é ainda maior, pois o brasileiro, sempre apaixonado por carro, parece estar numa maré baixa. Qual o motivo, por exemplo, da Fórmula 1 não fazer mais você acordar de madrugada para assistir a uma corrida no Japão? As provas têm parecido mais um carrossel de grandes equipes e cartas marcadas. Os brasileiros andam ‘apagados’ e o coração parece ter parado de pulsar no fatídico ano de 1994.

Ainda assim, o apaixonado por estes esportes continua fiel. Eu sou um deles e minha missão será a de levantar isso. Os organizadores destas modalidades, bem atentos, observaram o fato e já planejam mudanças.

Agora temos um Rubens Barrichello motivado correndo pela Indy. Tem boas chances de se dar bem. Vamos observá-lo nos ovais. Teremos mudanças no traçado de Interlagos, um feito histórico, além de diversas competições pelo País e mundo. Vamos reacender a ignição destes corações movidos a gasolina?

Fernando Martins é editor de Economia e escreve neste espaço, aos domingos, sobre esporte a motor.

Para Ayrton, minha reverência

Quarta, 21 de Março de 2012 às 15h03

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Ainda criança percebi minha paixão por motores e velocidade. Talvez não fosse jornalista, seria mecânico. E, se Deus permitisse e fosse para ser, seria piloto. No começo dos anos 90 aprendi a andar. Mais que isso: vi que os pés podiam pisar num artefato de metal e conseguir algo maior, o prazer de acelerar. As pistas de corrida me fascinavam, junto com um rapaz que conseguia trazer alegrias para um País que acabava de se encontrar com a democracia e com dias livres.

Esse cara era Ayrton. Bravo, combativo e até chato. Mas profissional, persistente e ousado. Não falo da 'ousadia' de Neymar, mas da ousadia de Ayrton. Sua missão não acabava com a bandeira quadriculada. E nem parava nos comerciais e flashs para revistas e TV. Brigava com os chefões da Federação e sempre lutou pelos colegas em busca de melhorias e mais segurança. Isso é ousar. É ir além do 'joga bonito'. Por jogar bonito na pista, poderia bem se limitar a isso. Mas sempre fez mais.

E eu aqui. Enquanto meus amigos adoravam o futebol, eu brincava de pilotar com tampas de panela. E vi em Ayrton o exemplo maior de dedicação. Amor e perfeição ao que fazia. Em 1994, ainda bem criança, chorei sua morte. Meu mentor havia partido. Como poderia ser? Ainda na circunstância em que foi. Mais tarde entendi: viveu e deu o seu melhor naquilo que amava. Até o fim. Nesta vida, é óbvio. Cresci e ainda estou para ver pessoa como ele. Determinado e dedicado. Faço de seu estilo o meu. Copio mesmo, des-ca-ra-da-men-te.

Não me tornei piloto. Mas virei repórter. E, dentre os grandes que jamais poderei entrevistar, está o aniversariante de hoje. Ayrton Senna da Silva, do Brasil e de cada um de nós que acredita em conseguir o melhor e ir além.

Parabéns #mito.

Crédito da foto: Google Imagens

Fator povo

Sexta, 11 de Novembro de 2011 às 03h00

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O comentário é geral. Seja nas rodas de amigos, nos balcões dos bares e até nas universidades: "Araraquara é primeiro mundo." Outros, mais atrevidos, cogitam dizer que este é um pedacinho do Paraíso na Terra. Talvez até seja. Gosto dessa cidade e de todas as oportunidades que ela produz.

Todo este burburinho foi gerado pela Tribuna, que anunciou, em sua edição de 8 de novembro, o fato de a cidade ser a terceira melhor do País.

Educação, emprego e renda mostram índices melhores. A revista Veja também colocou Araraquara no topo quando o assunto é saneamento básico. Enfim, questões de infraestrutura elencam o sucesso de uma localidade. Mas é só isso?

Prefiro levantar outro questionamento. Dá para ir além e elencar outro quesito importante: o fator povo. Qualquer cidade só consegue efetivamente andar, se sua população assim o fizer. Os prédios, construções e tecnologias sozinhas de nada adiantam. São as pessoas que dão vida e cor ao cotidiano cinza do concreto.

Se Araraquara é a terceira melhor cidade para se viver no Brasil, é porque o seu povo assim o fez. Cada um com seu grau de importância. Desde aquele que toma decisões até o mais simples executor delas. Cada um colocou seu tijolo para colocar Araraquara onde hoje está.

Do mesmo jeito, há uma porção de gente que se encantou por esta terra e veio aqui tecer sua história. Araraquarenses natos ou ‘adotados’ são os responsáveis por essas conquistas.

O sucesso em qualquer área só depende do empenho e desejo de cada um. Assim como Tolstoi disse: "Se queres ser universal, canta a tua aldeia." Esta lição, por sinal, temos cumprido com primazia.


* é jornalista
fernandomartins@araraquara.com

Que Deus mantenha nossa saúde em dia

Segunda, 26 de Setembro de 2011 às 23h35

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Amigos, peço que tirem uns minutos e leiam isso. É quase um texto de humor se não fosse real.

Há pouco mais de um mês minha avó faleceu. O atendimento dado em um hospital particular da cidade, via plano de saúde conceituado, foi lastimável. Pude vê-la morrer em quatro dias.

Paciência, afinal já era bem velhinha, podemos pensar. Enfim. O tempo passa e depois de uns belos 12 ou 15 anos, me vi neste fim de semana com uma forte infecção na garganta. Como todos me conhecem, nem me atrevo a tomar algum medicamento, muito menos ir ao médico.

Na noite desta segunda, o 'bicho pegou'. A dor foi para o ouvido esquerdo e cheguei a conclusão que precisava ir ao Pronto Socorro Municipal. Fiquei em pânico após ver o caso dos irmãos de São Carlos que morreram após uma infecção de garganta. Usei a saúde pública, pois se tenho medo de ir em médicos, para que pagar um plano, não?

E aqui narro minha aventura. Cheguei ao PS às 21h25. Havia uma grande fila e demorei 20 minutos da feitura do cadastro até a entrada no 'acolhimento'. Uma enfermeira bastante simpática lutava para fazer a triagem dos casos sozinha. Daí chegou outro rapaz, mais sério e com ar cansado. De saco cheio, diria eu.

Mais 10 minutos se passaram para que eu fosse chamado. Pelo 'rapaz de poucos amigos', é claro... Falei do meu problema e a pressão arterial foi aferida. Temperatura? Para quê? Também nem me importei. Comecei a achar melhor nem querer usar o termômetro tão bem higienizado entre um atendimento e outro. Na paciente anterior, ela mesma teve de colocar o termômetro e analisar o valor mostrado. Blá, blá, blá.

Em dois minutos estava noutra fila, para o atendimento com o clínico geral. Nem precisava colocar as fichas na caixa, pois de dentro do consultório ele gritava 'próximo', como em uma fila bancária. Atendimento a toque de caixa.

Vi uma moça, muito bonita por sinal, que passava pelo corredor com uma ficha e outros papéis na mão. Perguntei como estava o atendimento e ela disse que fez uns exames e só precisava mostrar ao médico, pois o que havia lhe atendido fora embora no final do plantão às 19 horas. Ou seja, matemática rápida: ela estava lá desde antes das 19h e já havia acabado de passar das 22 horas. Cedi minha vez a ela. Dois minutos depois ela sai, sorri e diz: "É assim... o exame também demorou, né", como se tentasse encontrar nela a desculpa pela demora.

Nesse meio tempo foram quase 10 minutos. Ao todo, já estava lá por uns 40. O médico me chama e parece ser bem simpático. A julgar pelo traje achei que fosse para alguma balada no fim do plantão. Mas não, afinal é segunda-feira. Ele só é fashion!

Falei das dores e ele me examinou a garganta. O ouvido, coitado, deixe lascar. Falei que fui até lá por medo do que havia acontecido em São Carlos. Contei o fato e ele disse: "É... quando não dá para identificar a bactéria é assim. É a vontade de Deus, não há o que fazer". Isso me deu um conforto único. Juro.

A consulta durou quatro minutos. Exatos, cravados. Uma receita com dois antibióticos - após eu recusar a já conhecida Benzetacil - e o recado: "Se não melhorar, volta aqui, ok?"

Ah, tá... pode deixar... Por enquanto... que Deus mantenha nossa saúde em dia.

Jornalismo maroto

Quarta, 01 de Junho de 2011 às 23h27

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Eu acredito em uma nova vertente do Jornalismo. O modo como a nova safra de repórteres surge dá margem para matérias diferentes. Até os assuntos de agenda podem ser conduzidos de forma mais leve. É o que eu e alguns outros colegas chamamos de Jornalismo maroto. Quem sabe não será propagado pelas redações e ensinado nas faculdades? rs

Aqui na Tribuna Impressa e no Araraquara.com temos vários exemplos de profissionais com essa verve. E isso mostra que há fôlego na comunicação. Que ela deixa de ser engessada para ser acessível a todos.

Nas últimas semanas tive a oportunidade de fazer duas matérias para o Araraquara.com e uma para a Tribuna Impressa. A do jornal foi sobre cremação. Leia aqui. O tema é difícil e áspero, mas somente até entender bem e garantir a leveza do tema. Quebrar o tabu no Jornalismo. Essa é a missão.

Para o Araraquara.com, fiz dois vídeos considerados piégas para o público: um na semana passada, com o filho que reencontrou a mãe pelo Orkut depois de 33 anos de separação e outro hoje, com a gravação do 'Construindo um Sonho' do Domingo Legal em Araraquara. Mas a maneira de conduzir é o diferencial. Tentaremos aumentar essa produção para mostrar a proximidade com o público. Mostrar que não há redoma que blinda a mídia. Mostrar que mídia é feita por todos, com histórias de todos.

E são essas histórias que gostamos de mostrar. Em outros posts reclamei do peso de mostrar coisas ruins e negativas, mas que ainda assim, precisam ser mostradas. Dessa vez, o que realmente gostamos de mostrar: pessoas e suas histórias. Afinal, todo jornalista é um escritor. E também quer contar histórias. Reais e legais.

Veja os vídeos: