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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Kymani, meu Marley preferido

Terça, 24 de Abril de 2012 às 08h30

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A programação da Virada Cultural Paulista no Interior me deixou em polvorosa. Santos e Americano vão receber - a primeira à meia-noite do dia 19 de maio, a segunda às 18 horas do mesmo dia - o cantor Kymani Marley.

Um dos 57 filhos de Bob Marley, Kymani é o meu preferido dentre todos eles. Todos são muito talentosos - sobretudo Stephen, que canta, compõe, produz todos os irmãos e já ganhou dois ou três Grammys com eles - porque, afinal, que genética boa tinha o homem. Mas minha preferência pelo filho de Bob com a ex-mesatenista Anita Belnavis, nascido em Miami e não na terra do café, é pelo simples fato de que ele não faz reggae.

Para justificar o sobrenome, ele até faz algumas músicas de duas notas, mas seu reduto é o hip hop de pegada forte. Com muito ritmo, tem também boas baladas, cheias de sugestões sexuais.

Pelo que posso acompanhar, tem boas relações com os figurões do meio e podia estar tocando nas rádios em meio a Jay-Z, Usher e 50 Cent. Com uma vantagem: seu vocal é muito melhor. Aliás, melhor que todos os irmãos. Acho que só não é possível compará-lo com Damian, que faz ragga e é rei nesse canteiro, imbatível. Como são estilos muito diferentes, melhor não colocar frente a frente.

Kymani tem a voz levemente rouca que só muita maconha pode fazer por você, mas tem uma habilidade do pai que nenhum dos outros demonstrou até hoje: fez um joguinho vocal que estende o uhuhuhu (se é que me entendem) e é seu charme de gângster.

O Gordinho, como costumo tratá-lo pessoalmente, tem pelo menos três discos lançados - "Radio" é meu favorito - e recentemente compôs e cantou junto com Dominguinhos em um projeto do produtor Bid chamado "Brasil Bambas Dois Jamaica".

Abaixo, vídeos de duas das minhas músicas preferidas e de duas parcerias, entre elas a música com Dominguinhos. Ah, sim, dizem que quando chegou para gravar o vocal de "Little Sunday", Kymani encontrou todos os instrumentais prontos. Mas se recusou a colocar sua voz neles. Segundo @maestromarley, os músicos brasileiros não tinham a pegada do reggae jamaicano. Chamou sua banda e refez tudo.

No site http://www.kymani-marley.com dá pra ouvir alguns de seus trabalhos recentes.

"One day", com Mims

"So Hot"

"Ghetto Soldier"

"Brasil (Little Sunday)"

O Amor nos Tempos do Cólera

Sexta, 20 de Abril de 2012 às 09h26

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Por cinco anos, eu relutei em ver o filme que adaptava para o cinema a obra literária "O Amor nos Tempos do Cólera", de Gabriel García Márquez. Por princípio. Porque as limitações de um não vão nunca contemplar toda a amplidão do outro. E, assim, é impossível o produto do cinema ser melhor ou tão abrangente que o produto da literatura. Gritem, rosnem, me atirem pedras. Quem ama a literatura e só aprecia o cinema vai concordar comigo. Mas, também, se não concordar, paciência.

Em um momento anterior, neste blog, escrevi sobre "O Leitor" e, sim, disse que gostei muito mais do filme do que do livro. O primeiro me tocou, me emocionou. Fui ao segundo e me decepcionei. Mas, neste caso, os elementos que encorparam o filme é que deram à narrativa os elementos mais fortes dessa história entre um jovem apaixonado por uma mulher misteriosa e a ligação entre eles a partir palavra escrita que ela só descobriu na vida adulta.

Voltando a Gabriel García Márquez, acabei me rendendo ao filme porque não aguentei de curiosidade sobre o que afinal fizeram com minha história de amor preferida. Armada de gritos e protestos, acabei em lágrimas. Porque o roteirista deve também amar esta história e não quis corrompê-la.

Mesmo com atores badalados e o pior dos piores crimes - ninguém falava espanhol no filme e todos tinham sotaques bizarros, do tipo ator carioca da novela da Globo falando com sotaque nordestino -, o filme não teve ares hollywoodianos. As pessoas são bonitas, mas não são perfeitas, os velhos são velhos, não são azeitonas com algumas rugas; as cenas são quentes e úmidas o bastante para se ter uma impressão de forte calor, sujeira e morosidade. Enfim, não é um castelo no Monte Olimpo.

O mais importante é que o conjunto de cenas foi capaz de mostrar a grandeza do amor do Florentino Ariza por Fermina Daza. Mesmo com suas 600 mulheres, ele separou sexo de amor e todos os outros elementos sublimes de que esse sentimento vem acompanhado e que preenche o ser humano - dedicação, esperança, força, esmero, presença. E, por outro lado, como a falta de amor pode tornar uma pessoa vazia de propósitos e cheia de mágoas, dores, ressentimentos, interesses vis.

Lamentavelmente, o diretor teve puderes e tirou dos diálogos uma das minhas frases preferidas e parte de uma delas. "Convenceu-a de que a gente vem ao mundo com as trepadas contadas, e as que não se usam por qualquer motivo, próprio ou alheio, voluntário ou forçado, se perdem para sempre" caberia no contexto, mas não passou perto do filme nessas palavras. Mais ao fim, Fermina pergunta a Florentino: "Até quanto tempo o senhor acha que podemos ficar nesse ir e vir do caralho?" A que ele responde: "Por toda a vida". O diretor preferiu suprimir o palavrão.

Felizmente, estavam lá duas das minhas passagens matadoras, quando Florentino diz a Fermina que chegou o momento de pensarem no que fazer com o amor que acumularam durante toda a vida e que ficou sem dono. E o desfecho: "Depois de 54 anos, sete meses, onze dias e noites, meu coração finalmente se realizou. E eu descobri, para a minha alegria, que é a vida e não a morte, que não tem limites."

Lendo o livro, vendo o filme, dá até para acreditar que é possível. E que o amor não acontece apenas para poucos.

Dependência química e a origem da doença

Terça, 13 de Março de 2012 às 17h47

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Com o tema dependência química tão em alta, também estão pipocando por aí os livros sobre o assunto. Os títulos variam de técnicos, que explicam cientificamente a doença, a relatos de adictos sobre suas experiências de vida e familiares contando o drama da codependência (este é o nome que se dá à doença daqueles que sofrem as conseqüências do convívio diário com os viciados na ativa. Sobre isso escrevi, no post "Queimando vidas").

Um dos livros mais elucidativos que encontrei sobre os fatores que levam à adicção é "Dependência Química: problema biológico, psicológico ou social?", de Leonardo de Araújo e Mota, publicado pela Editora Paulus pela coleção "Questões Fundamentais da Saúde".

Já havia lido um outro livro do mesmo autor sobre o alcoolismo e a formação do grupo Alcoólicos Anônimos. Um dos trechos mais marcantes mostra como o álcool e as drogas foram e ainda são utilizados para "cegar" política e socialmente a população. Durante a Revolução Industrial, a bebida amenizava os ânimos dos trabalhadores mais revoltados e com tendência a fazer levantes.

Este "Dependência Química" está divido em cinco capítulos que explicam qual a relação da doença com cada aspecto proposto no título. O primeiro discorre sobre o que é uma droga, desde a origem controversa do termo - uma das possibilidades é que deriva do termo holandês "droog", que quer dizer seco e refere-se a peixe. Ou seja, peixe estragado.

Na segunda parte, o autor "prova" que a dependência química é uma doença genética e hereditária, um transtorno cerebral como qualquer outra doença neurológica ou psiquiátrica e que os adictos têm o organismo diferente do das pessoas normais. Assim, uma vez que o sujeito experimenta álcool e drogas, se torna vulnerável para sempre.

Ao final deste capítulo a pergunta que fica é: segundo a Teoria da Eugenia, uma alteração de gene ou uma "limpeza étnica" salvaria o mundo da adicção.

O terceiro capítulo sugere que a doença é comportamental, pois a droga é um substitutivo para uma carência emocional, um encorajador diante de situações frustrantes, artifício para preencher lacunas de personalidade. E o viciado é uma pessoa incapaz de lidar com os problemas e a dor de existir. Desta forma, a dependência seria um sintoma e não a causa.

A parte quatro deste livro de 80 páginas mostra que os fatores sociais é que determinam a dependência. Meio violento, envolvimento com a criminalidade, más companhias, pobreza, família desestruturada, pais permissivos. Tudo isso é elemento facilitador para o uso e abuso de drogas, movimento fatal para quem tem predisposição para a dependência.

Os leitores que ainda não têm muita familiaridade com o assunto, neste momento, ficam em dúvida: afinal, qual desses fatores determina a doença? A resposta está no quinto capítulo. A síntese mostra que a doença é definida pela junção de todos esses elementos e só pode ser combatida se todos eles forem tratados, atacados e mudados, sempre levando-se em consideração o indivíduo, não o todo. "Cada indivíduo se constitui em um universo próprio, indefinível."

Um poeminha de João Cabral

Quarta, 07 de Março de 2012 às 23h36

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Um poeminha de João Cabral de MeLlo Neto para encerrar o expediente nesta quarta-feira.

Difícil Ser Funcionário

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...

Conar suspende campanha das sacolas plásticas

Terça, 06 de Março de 2012 às 20h50

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O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) decidiu por unanimidade suspender a campanha "Vamos tirar o planeta do sufoco".

As peças devem ser tiradas de jornais, revistas, internet, outdoor e materiais promocionais e ações internas nos supermercados porque (PASMEM) estão FORA DOS PADRÕES LEGAIS da normatização do Conselho, especialmente no aspecto que zela pela sustentabilidade, pelas questões socioambientais e pelo direito do consumidor.

A decisão está no site da entidade www.conar.org.br .