A programação da Virada Cultural Paulista no Interior me deixou em polvorosa. Santos e Americano vão receber - a primeira à meia-noite do dia 19 de maio, a segunda às 18 horas do mesmo dia - o cantor Kymani Marley.
Um dos 57 filhos de Bob Marley, Kymani é o meu preferido dentre todos eles. Todos são muito talentosos - sobretudo Stephen, que canta, compõe, produz todos os irmãos e já ganhou dois ou três Grammys com eles - porque, afinal, que genética boa tinha o homem. Mas minha preferência pelo filho de Bob com a ex-mesatenista Anita Belnavis, nascido em Miami e não na terra do café, é pelo simples fato de que ele não faz reggae.
Para justificar o sobrenome, ele até faz algumas músicas de duas notas, mas seu reduto é o hip hop de pegada forte. Com muito ritmo, tem também boas baladas, cheias de sugestões sexuais.
Pelo que posso acompanhar, tem boas relações com os figurões do meio e podia estar tocando nas rádios em meio a Jay-Z, Usher e 50 Cent. Com uma vantagem: seu vocal é muito melhor. Aliás, melhor que todos os irmãos. Acho que só não é possível compará-lo com Damian, que faz ragga e é rei nesse canteiro, imbatível. Como são estilos muito diferentes, melhor não colocar frente a frente.
Kymani tem a voz levemente rouca que só muita maconha pode fazer por você, mas tem uma habilidade do pai que nenhum dos outros demonstrou até hoje: fez um joguinho vocal que estende o uhuhuhu (se é que me entendem) e é seu charme de gângster.
O Gordinho, como costumo tratá-lo pessoalmente, tem pelo menos três discos lançados - "Radio" é meu favorito - e recentemente compôs e cantou junto com Dominguinhos em um projeto do produtor Bid chamado "Brasil Bambas Dois Jamaica".
Abaixo, vídeos de duas das minhas músicas preferidas e de duas parcerias, entre elas a música com Dominguinhos. Ah, sim, dizem que quando chegou para gravar o vocal de "Little Sunday", Kymani encontrou todos os instrumentais prontos. Mas se recusou a colocar sua voz neles. Segundo @maestromarley, os músicos brasileiros não tinham a pegada do reggae jamaicano. Chamou sua banda e refez tudo.
No site http://www.kymani-marley.com dá pra ouvir alguns de seus trabalhos recentes.
"One day", com Mims
"So Hot"
"Ghetto Soldier"
"Brasil (Little Sunday)"

Por cinco anos, eu relutei em ver o filme que adaptava para o cinema a obra literária "O Amor nos Tempos do Cólera", de Gabriel García Márquez. Por princípio. Porque as limitações de um não vão nunca contemplar toda a amplidão do outro. E, assim, é impossível o produto do cinema ser melhor ou tão abrangente que o produto da literatura. Gritem, rosnem, me atirem pedras. Quem ama a literatura e só aprecia o cinema vai concordar comigo. Mas, também, se não concordar, paciência.
Lamentavelmente, o diretor teve puderes e tirou dos diálogos uma das minhas frases preferidas e parte de uma delas. "Convenceu-a de que a gente vem ao mundo com as trepadas contadas, e as que não se usam por qualquer motivo, próprio ou alheio, voluntário ou forçado, se perdem para sempre" caberia no contexto, mas não passou perto do filme nessas palavras. Mais ao fim, Fermina pergunta a Florentino: "Até quanto tempo o senhor acha que podemos ficar nesse ir e vir do caralho?" A que ele responde: "Por toda a vida". O diretor preferiu suprimir o palavrão.
om o tema dependência química tão em alta, também estão pipocando por aí os livros sobre o assunto. Os títulos variam de técnicos, que explicam cientificamente a doença, a relatos de adictos sobre suas experiências de vida e familiares contando o drama da codependência (este é o nome que se dá à doença daqueles que sofrem as conseqüências do convívio diário com os viciados na ativa. Sobre isso escrevi, no post "