
Há alguns meses, vivenciei uma situação que me deixou primeiro constrangida e, depois, curiosa.
Fui comprar uma televisão em uma loja da cidade onde tenho crediário desde que cheguei a Araraquara. Julgava na minha santa ignorância ter direito ao seu cartão da loja. Não. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Os valores só eram válidos para o cartão. Pois, então, façamos o cartão. Não também. Meu perfil não foi aprovado.
Não tenho nome sujo, não tenho dívidas com cartão de crédito, não tenho cheques voadores. Se tenho dinheiro compro, se não tenho passo vontade. Nenhum crediário atrasado, tudo em dia. Não, não foi possível aceitar sua proposta'. E ninguém soube explicar porquê.
Não era o modelo que eu queria, mas acabei comprando em outro lugar. No final, é tudo igual.
Passados uns dias, Regina Oliveira que sempre contribui com boas histórias para Os Implicantes, me relata a mesma situação. Tentou fazer um crediário em uma loja de departamento em Ribeirão Preto. Não. Tentou na mesma loja em Araraquara. Não. Tentou em uma loja de eletrodomésticos. Não também. Mas, desta vez, argumentou: não tenho cheque sujo, não tenho nome no Serasa, não tenho financiamento, não tenho nada que me desabone. E ouviu da atendente: Esse é o problema. Quem paga à vista não existe para o comércio. Se a senhora tivesse compras parceladas, atrasadas, a senhora conseguiria o crédito.
COMO ASSIM? Então bom pagador não existe?! Eu tenho é que dever na praça para me venderem qualquer outra coisa?
Parece mentira, mas não é.
A mesma ‘vergonha’ passou Patrícia, uma amiga nossa. Tentou comprar uma máquina de lavar e pagar mais barato onde não tinha crediário. Voltou para a casa com um modelo mais caro. E só porque ali a conta já era antiga.
