Entrar no vestiário, calçar as chuteiras e vestir o uniforme do clube que defende. Algo aparentemente simples para qualquer jogador de futebol. Aparentemente, porque para Fabrício Carvalho, de 33 anos, poder fazer o que ele mais ama já é uma vitória.
Contratado na última quinta-feira, o novo atacante grená teve a carreira interrompida em seu melhor momento. Depois de conquistar o título inédito do Paulistão pelo São Caetano, em 2004, sendo artilheiro do time com 18 gols, exames no Hospital do Coração detectaram uma arritmia cardíaca, em testes de pré-temporada.
Um drama que durou dois anos. "Depois do título no São Caetano, surgiram propostas do Palmeiras e do São Paulo. Foi quando veio esse baque. Você passa uma vida jogando futebol e se vê impossibilitado de fazer o que mais gosta. Nem me lembro de quantos exames realizei", conta o atleta, que atendeu a reportagem da Tribuna Impressa no palco onde ele sonha em se superar ainda mais: a Arena da Fonte.
Desistir, jamais
Durante o encontro, Fabrício Carvalho disse que, apesar das dificuldades, o verbo ‘abandonar’ o futebol não foi conjugado dentro de sua cabeça. "Depois de dois anos parado, dei minha primeira entrevista à Rede Globo mostrando que eu estava bem e não sentia mais nada. A partir daí, os clubes começaram a ligar. Foi quando acertei com o Goiás."
E foi em Goiânia que o camisa 9 ouviu de um médico o que ele mais precisava. "Foram três meses fazendo muitos exames. Não sentia nada e nem apresentava mais nenhum sintoma. Foi aí que me liberaram para poder voltar", revela.
Lutando para reconquistar seu espaço e enfrentando um novo momento na carreira, Fabrício Carvalho deixou o Goiás para defender a Portuguesa. Depois, ainda passou pelo Remo-PA, Bragantino e Oeste, onde conquistou o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro no ano passado.
Agora em Araraquara, o atacante quer repetir o feito realizado em Itápolis para escrever um novo capítulo em sua história. "Acredito que Deus me trouxe aqui, a Araraquara, por um propósito. Saí do Oeste vendo nos olhos das pessoas a alegria com o acesso que obtivemos lá. Quero fazer o mesmo pela Ferroviária e poder entrar para a história com todo o grupo", fala.
Caso Serginho
Antes de ver sua carreira interrompida, Fabrício Carvalho viveu um drama ainda mais assustador. Ele estava em campo no dia 27 de outubro de 2004 quando o zagueiro Serginho, do próprio São Caetano, morreu ao sofrer uma parada cardiorrespiratória em partida contra o São Paulo, no Morumbi. "Foi um trauma para todos que viram de perto tudo aquilo. Por isso, faço exames regulares para ter certeza que estou em perfeitas condições para poder atuar", revela o atleta, que já foi aprovado nos exames médicos da Ferroviária.
A tragédia envolvendo o companheiro de clube fez os times intensificarem os exames em seus atletas. Algo, que segundo Fabrício Carvalho, teria complicado ainda mais sua situação. "Depois da morte do Serginho, nenhum médico queria assumir a responsabilidade de me liberar. Mas, graças ao Goiás, consegui retomar minha carreira", finaliza.
18 gols
Fabrício Carvalho marcou com a camisa do São Caetano, em 2004, quando foi campeão Paulista
