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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Sexta, 04 de Novembro de 2011 às 03h00

Discos do Museu da Imagem e Som são jogados no ‘lixão’

Material havia sido deixado ao relento no estacionamento da Casa da Cultura na terça, como a Tribuna mostrou ontem

Por Felipe Turioni

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Os discos de baquelite e vinil deixados no estacionamento da Casa da Cultura de Araraquara entre terça e quarta-feira foram encontrados na tarde de ontem no aterro sanitário da cidade. O material foi descartado pela Casa da Cultura após dedetização do Museu de Imagem e Som (MIS).

Embora muitos discos estivessem quebrados e outros danificados por cupins, a reportagem da Tribuna constatou que parte do material estava em bom estado e até mesmo intacto. Discos de Carlos Gardel, Doris Day, Francisco Alves, Maria Callas, Elvis Presley e raridades italianas de 1943 foram encontrados no lixo.

Trabalhadores do aterro disseram que o material foi recolhido na Casa da Cultura. A secretária de Cultura, Euzânia Andrade, não soube dizer como o material em bom estado foi levado da Casa da Cultura para o lixão. "O que foi descartado estava comprometido, mas vamos averiguar o fato", garantiu.

A seleção dos discos prejudicados foi feita no feriado de Finados. As obras ficaram em uma área externa da Casa da Cultura para não atrapalhar a limpeza do MIS. "Deixamos os discos cobertos no estacionamento para avaliarmos o estado de conservação deles", afirma a gerente pedagógico-cultural dos museus, Virgínia Fratucci.

Ela garante que a Casa da Cultura tem autonomia para descartar o que está prejudicado. "Foi uma pré-decisão feita com muito discernimento." E reforça que o material danificado foi doado desta maneira e não chegou a este estado por má conservação. Detalhe: alguns álbuns têm o selo da Biblioteca Mário de Andrade.

‘Patrimônio histórico não tem volta’

Para a ex-coordenadora do Museu de Imagem e Som (MIS), Tereza Tellarolli, a cada descarte de acervo uma comissão com três pessoas deve ser montada para avaliar o material. ‘Patrimônio histórico não tem volta, por isso é preciso cuidado na hora de descartar qualquer coisa’, afirma. Segundo ela, a decisão, para ser pertinente, deve passar por uma equipe técnica com conhecimento do que está sendo analisado. ‘É normal na esfera pública haver condições menores que as ideais para a Cultura — isso é um fenômeno geral em qualquer lugar —, mas é preciso ter preparo para saber o que está sendo decidido’, reforça.

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10 Comentários

  • 04 de novembro de 2011 às 07h34 | Ronan C. disse:

    Isso é lamentável, como podem fazer uma coisa dessa? Pq não doam para quem gosta de música, para algum colecionador, ou algum sebo da cidade.... Isso é coisa de gente despreparada. Lamentável

  • 04 de novembro de 2011 às 09h34 | Alcindo Sabino disse:

    ´É a CULTURA de ARARAQUARA sem EIRA nem BEIRA.....REVOLTANTE!!!!!!!!!!!! Uma ação de governo que se pretenda progressista, ou transformadora, tem a Cultura como prioridade,infelizmente não é essa postura que estamos vivenciando nesse ultimo período aqui em Araraquara.A Cultura está presente em todas as ações da sociedade. É revoltante como Secretaria de Cultura encara de forma simplista uma atitude de má gestão tão séria. Será que o desrespeito é por desconhecimento do Patrimônio Cultural ? Democratizar A Cultura é democratizar o acesso aos bens da cultura universal, permitindo às pessoas se elevarem à autoconsciência de participar no gênero humano. Temos que ampliar o raio de ação das obras culturais e não enfraquecê-las,jogá-las literalmente no LIXO.

  • 04 de novembro de 2011 às 09h55 | Fabhao disse:

    Quem foi a múmia que jogou no lixo um acervo desse!!!!!???? Tenho Mais de 450 LP,s.....e Não deixo nem poeira chegar perto......e Alguem me joga fora uma raridade dessa.....é Pakabá!!!!

  • 04 de novembro de 2011 às 10h50 | Rubens Miranda disse:

    Primeiramente quero parabenizar o Jornal Tribuna Impressa por mais esta reportagem. Raramente me aborreço com as coisas erradas que vem acontecendo nesse governo na área da Cultura, aprendi a controlar-me, sem deixar de indignar-me, entretanto, dessa vez não dá para segurar. As justificativas são as mais estapafúrdias possíveis. E vem justamente daqueles que tem a obrigação de zelar pela coisa pública. Ainda não entenderam que material histórico não serve apenas quando funciona; ele é histórico e precisa ser preservado. Até os dias de hoje me causa náusea quando me lembro da derrubada do antigo Teatro que ficava onde hoje está o horroroso prédio da Prefeitura.

  • 04 de novembro de 2011 às 12h20 | Junior Maiores disse:

    Pois é!!!e Assim vai, e a cultura, e a fundesport, e a dengue, e o asfalto,e o social, são tantos os absurdos, tá dificil esse governo municipal, será que compensa suportar isso por mais 4 anos???

  • 04 de novembro de 2011 às 12h43 | Braitti disse:

    Vindo do poder publico ja era de se esperar...afinal Quem liga pra cultura brasileira...bando De hipocrita...esse Material poderia ser muito bem aproveitado, quantos não gostam de partilhar de grandes obras. Realmente A ignorância leva o ser humano a atos despresiveis.

  • 04 de novembro de 2011 às 12h52 | Juliano disse:

    Discos possuem muitas informações, mesmo quando estão impróprios para a audição. Apenas o fato de manusear um LP, independente do seu estado, pode trazer muito conhecimento, desde a experiência tátil de perceber os materiais até mesmo a leitura dos selos e capas. Nas capas podem ser percebidas as vestimentas típicas de época, cabelos da moda, linguagem corporal e escrita, conhecer os músicos que participaram das obras, produtores, estúdio onde foi gravado, confirmar ano de lançamento, entre outras coisas. Realmente muito triste ler uma notícia desta. Estragou meu dia. Quando quiserem descartar mais alguma coisa, poderiam convocar os colecionadores da cidade para ajudarem na avaliação das obras. Algumas obras ficam "novinahs" apenas com uma boa lavada. Ou então, doem para quem sabe o que esse material significa.

  • 05 de novembro de 2011 às 17h13 | Indignada disse:

    Nossa que falta de cultura! Jogar fora uma historia desta! Quem é o responsavel pelo mis ?

  • 06 de novembro de 2011 às 00h46 | Marcelo disse:

    Equivocos acontecem, mas tem consequências. Se houve seria bom tentar recuperar com urgência - neste domingo - o material em bom estado ainda no aterro sanitário. E Atenção Secretária do Meio Ambiente: O Baquelite ( plástico termofixo ) e o Vinil ( PVC ) - NÃO PODEM SER JOGADOS EM ATERROS SANITÁRIOS

  • 06 de novembro de 2011 às 13h26 | Araraquarense Indignada disse:

    Estamos aguardando uma explicação dos responsaveis atraves da imprensa para que todos fiquem sabendo apos esta averiguação do material histórico que foi descartado ou melhor colocado no lixo!