A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) divulgou na última quarta-feira nota que obriga os supermercados participantes da campanha "Vamos Tirar o Planeta do Sufoco" a fornecerem uma opção gratuita para o transporte final das compras. Segundo esta norma, na falta de caixas de papelão ou outros itens para os consumidores alocarem os produtos comprados, o estabelecimento deve fornecer de graça as sacolas biodegradáveis, de amido de milho.
A substituição das sacolas confeccionadas com derivados de petróleo — que demoram a se decompor no meio ambiente — por sacolas de amido de milho, caixas de papelão ou carrinhos teve início no dia 25 de janeiro em cem cidades do Estado. Em Araraquara, 15 estabelecimentos aderiram à campanha da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (Acia).
Órgão fiscalizador em Araraquara, o Centro de Orientação e Defesa do Consumidor e Mutuário de Araraquara (Codecom) reforça que o não cumprimento fere o Código de Defesa do Consumidor (CDC). De acordo com João Paulo Prada, gerente do órgão, os supermercados precisam sempre ter uma opção gratuita ao cliente, já que as sacolas são um direito adquirido e por isso a confeccionada em amido de milho deve ser uma opção e não uma saída.
Desconhecimento
Ontem, a equipe da Tribuna Impressa e do portal Araraquara.com foi a diferentes supermercados da cidade e constatou que a norma do Procon ainda é desconhecida em unidades das redes Patrezão, Savegnago, Paulistão e no Supermercado 14. Nos dois primeiros, havia pouca quantidade de caixas disponíveis e nos dois últimos havia opções de caixas a sacos de arroz (leia texto abaixo, à direita). Nenhuma loja considerou dar as sacolas biodegradáveis.
Os clientes, por sua vez, reclamam da situação e questionam a iniciativa. A coordenadora de telemarketing Silmara Barbosa da Silva, de 35 anos, diz que conseguir caixa está difícil. "Hoje elas valem ouro. Eu mal cheguei e a moça do caixa avisou que não tinha, por isso deveríamos comprar sacolinha. Nós nos recusamos, porque a compra é grande", diz a consumidora do Patrezão, que estava com dois carrinhos cheios.
O jeito foi colocar os produtos soltos no carrinho. "Nós fazemos compras grandes a cada 15 dias e mais algumas coisas no final de semana. Não pago nem vou pagar pela sacolinha, não está certo isso", dizia Silmara, que conseguiu três caixas depois da entrevista para a equipe de reportagem.
O comerciante Marcos Martins, 40, reclama que sempre que está de passagem pelo local acaba comprando uma sacolinha. "Às vezes, estou na rua e lembro que preciso de algo. Paro e compro, mas como estou sem sacola retornável, arco com os gastos. Pago hoje por algo que, para mim, não é um produto", reclama.
Caixa de papelão e saco de arroz são oferecidos
Os gerentes dos supermercados visitados pela reportagem assumem desconhecer as normas do Procon-SP, mas garantem que oferecem caixas de papelão gratuitamente, além de opções como sacos de arroz para o transporte final dos produtos.
Geraldo Patreze, da Rede Patrezão, diz que a mudança requer tempo e que nunca embutiu o preço das sacolas no valor dos produtos que vende. "Deixamos sempre caixas de papelão, mas o fluxo de clientes acaba sendo maior que o de caixas", justifica.
O gerente do Savegnago, Eduardo Mendonça Gomes, diz que não faltam opções, mas prometeu consultar a rede a respeito das sacolas gratuitas. "Muitos já se acostumaram com as sacolas retornáveis, mas temos as caixas de papelão e sacos de arroz, que suprem a necessidade."
No Paulistão, o gerente Valmir Roberto Mancine afirma que o número de caixas é suficiente e que as pessoas estão se acostumando com a substituição.
No Supermercado 14, onde há caixas, sacos de arroz e farinha, há também reclamações. "As pessoas não querem pagar pelas sacolas de amido de milho, mas elas precisam entender que isso é para ajudar o meio ambiente", fala o gerente Vagner Janete Napolitano.
3331-5534
é o telefone do Codecom de Araraquara para o consumidor tirar dúvidas

6 Comentários
03 de fevereiro de 2012 às 09h03 | Newton Velloso disse:
" Elas precisam entender que isso é para ajudar o meio ambiente". Essa declaração é uma oferta de um gerente de supermercado. Pois muito bem, se é para ajudar o meio ambiente, vamos ajudar, fornecendo as sacolas biodegradaveis gratuitamente e financiando pesquisa sôbre o assunto, nas grandes universidades da região, para quem sabe encontrar uma solução mais barata e resistente, já que as sacolas biodegradaveis, são extremamente frageis e caras. Apesar das aparencias, muitos consumidores se sentem coagidos a aceitar essa situação, só porque ela em primeira anlise são politicamente corretas, e o consumidor se sente constrangido a concordar com ela. Na verdade, esse acordo deveria ter como objetivo, obrigar os supermercados a substituir as sacolinhas atuais, pelas biodegradaveis, assumindo para isso o custo das mesmas. Leis no Brasil, muito mais importantes, não são cumpridos, porque aferem onus as empresas, mas, quando se trata do cidadão, não importa o custo, principalmente se alguém estiver lucrando com isso. É inadimissivel, que a população tenha de arcar com o onus pressionada por uma propaganda subliminar, que induz a todos a acreditar, que a responsabilidade é dele, cidadão e não de todos os envolvidos.
03 de fevereiro de 2012 às 10h19 | Aline Quezada disse:
Gostei muito desta reportagem. É importante que a população seja informada sobre seus direitos. A partir de agora, vou cobrar dos supermercados que me deem sacolinhas ou caixas. Parabéns à reporter Gabriela Martins pelo alerta.
03 de fevereiro de 2012 às 10h50 | Valeria Aquino disse:
Ás vezes me pergunto :- Quem esta "LUCRANDO" com a não distribuição de sacolas plásticas nos supermercados? Pois Bem, não me diga ser um "ato pela natureza", pois não é! Os legumes e frutas são acondiconados em sacos plásticos,também carnes, embutidos em geral. Será que existe algum político dono de fábricas de sacos plásticos para lixo? (lembram do kit de 1ºs socorros obrigatórios em carros?) E os iogurtes,os refrigerante,as fraldas,os copos e pratos descartaveis não fazem parte do mesmo produto que as sacolas e até mais duros e resistentes? Será que estes ambientalistas,-contra sacolas-já estão estudando um novo meio de banir os outros tipos de plástico utilizados? As lojas de roupas acondicionam nossas compras em sacolas plásticas, este procedimento serve para elas também?Ou Seria somente um meio de ajudar empresários do ramo de supermercados "ganhar um pouco mais"? Assisti No GNT o programa "ENTRE ASPAS" e achei muito estranho somente os estado de São Paulo adotar esta NORMA contra as sacolinhas, enquanto em todo o restante do país o direito do consumidor foi preservado. No Programa foi comentado que o que houve em São Paulo foi algo chamado "ACORDO ENTRE EMPRESARIOS E O ESTADO". Será Que antes do "ACORDO" perguntaram aos consumidores sobre seu posicionamento ?
03 de fevereiro de 2012 às 11h56 | João disse:
Hahaha, esse gerente do 14 brinca com nossa inteligência. Ajudar o meio ambiente? Você está querendo ajudar seu bolso. Quanta hipocresia desses supermercados!
03 de fevereiro de 2012 às 12h27 | Leandro disse:
Ontem fui ao Savegnago e não tinha sequer um única caixa de papelao ou outra opçao gratuita para acomodar as compras, vários clientes levavam as compras nas mãos , ou seja, praticamente somos obrigados a comprar as sacolas oferecidas pelos mercados. Concordo que temos que colaborar com o meio ambiente, mas, em contrapartida, os mercados tambem poderiam fazer a parte que lhes cabe! Oferecer as sacolas biodegradaveis "gratuitamente" (leia-se com valor incluso no preço final dos produtos ao consumidor, como ja ocorria com as sacolas comuns). Pois atualmente, de graça, nem injeção na testa.
05 de fevereiro de 2012 às 19h37 | Douglas disse:
Cama ai, fala serio vai..to Vendo muito comentarios pela televisao onde quem comenta é engenheiro, professor, advado, empresario e nao tem 1,99 para compra uma sacola retornavel..eu Comprei 6 , como vou ao supermecado todo dia deixo uma no carro..agora Para comprar uma garrafa de cerveja de 3,50 ninguem reclama..problema Do brasileiro é esse enquanto o problema nao se torna grave nao muda o pensamento....populacao É apenas 1,99