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No segundo dia de protestos, jovens ocupam a Câmara de Araraquara

Em eco às manifestações que tomam conta do Brasil, araraquarenses interrompem sessão legislativa e usam a tribuna

18/06/2013 - 21:00

Mariana Bruno - Mariana Bruno

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Deivide Leme/Tribuna Impressa
Manifestantes em frente à Câmara, momentos antes de entrarem e ocuparem o plenário (Foto Deivide Leme/Tribuna Impressa)

“Ôôô, a revolução chegou.” Com essa frase e embalados por ensurdecedor apitaço, pelo menos 150 manifestantes levaram o segundo dia de protestos em Araraquara, ontem, para dentro da Câmara de Vereadores. Eles ocuparam o plenário, interrompendo o que prometia ser mais uma sessão tranquila.

FOTOS: Confira galeria de fotos da manifestação desta terça-feira

VÍDEO: veja vídeo do protesto

A maioria dos manifestantes era formada por jovens estudantes. Muitos menores de idade, que ainda estão começando ou nem começaram o exercício da democracia por meio do voto.

Em comum, a experiência inédita de ter contato e fazer parte de um movimento de mobilização nacional, que vem chacoalhando o Brasil. Situação vista, pela última vez, há 22 anos, quando os “caras pintadas” foram às ruas e conseguiram tirar do poder Fernando Collor de Mello.

“Nunca tinha pensado que iria participar de um movimento assim, mas estou achando o máximo. Os jovens estão engajados”, diz a estudante de 16 anos Bruna Benvindo da Silva Ferreira. Com a cara pintada. Apesar de a surpresa na Câmara ter sido geral, e o desconforto visível, os 18 vereadores permaneceram no plenário, observando o ato.

O presidente da Câmara, João Farias (PRB), precisou, várias vezes, pedir aos manifestantes que se organizassem e assistissem à sessão, para não interrompê-la.

Entre divergências de como o encaminhamento das questões seria feito, representantes do movimento Reage Araraquara tomaram a frente. O líder do movimento, Marcelo Bonholi, usou a tribuna para fazer críticas à Saúde do município e à CTA, empresa de transporte. Na sequência, foi a vez de Eleonora Ducerisier, que também faz parte do movimento, usar a tribuna.

“A pauta local de reivindicação é sobre o transporte público e saúde”, afirma o estudante Eduardo César Machado, 31. O diretor do Sismar, Marcelo Roldan, negou acusações de que o sindicato estaria “pegar carona” nos protestos para forçar uma pauta de interesses da entidade. “Não somos líderes. Apesar de sempre termos tentado e reforçado sobre a importância da mobilização”.

'São muitos anos de indignações reprimidas'

O cientista político Fábio Pacano, da Unesp, analisa os protestos e toda a corrente de apoio ao movimento como uma reação em cadeia de indignações reprimidas da população, principalmente das camadas que mais precisam. “Não se resolvem os problemas das escolas, dos hospitais, mas tem dinheiro para a Copa, e aí alguém ‘risca o pavio’”, exemplifica Pacano. “Pelo ritmo das negociações, se o Estado fosse uma empresa, já teria decretado falência. Hoje em dia, as redes sociais ajudam muito nessa mobilização”, continua ele. “Sou da geração dos caras pintadas, não tínhamos esse instrumento”, compara Pacano.

Confira no jornal 'Tribuna' a avaliação dos políticos sobre os protestos.

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