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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Domingo, 05 de Fevereiro de 2012 às 03h00

Vítimas de assaltos sofrem transtornos traumáticos

Depois de serem reféns, pessoas têm insônia e revivem roubos em frequentes pesadelos

Por Marco Antonio dos Santos

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No dia 17 de janeiro deste ano, uma balconista de 17 anos, que preferiu não se identificar, vivenciou os momentos mais atemorizantes de sua vida. Dois homens entraram na farmácia em que ela trabalha, na Avenida Francisco Salles Colturato, Região Central de Araraquara, e anunciaram um assalto. Por quase duas horas, eles fizeram terror psicológico que ficou gravado na memória da jovem. "Perdi o sono por muitas noites só de lembrar o que aconteceu. Além disso, cada vez que entra uma pessoa correndo na farmácia, fico apreensiva, pensando que tudo vai se repetir", conta a balconista.

A insônia é o sintoma mais frequente nas pessoas que foram vítimas de assaltos, segundo o psicólogo Fábio de Carvalho Mastoianni, professor do Centro Universitário de Araraquara (Uniara). Segundo ele, isso faz parte do que se chama tecnicamente de Transtorno de Estresse Pós-traumático, que inclui a reprodução das cenas na memória constantemente. "Eu lembro do rapaz atrás de mim, com o revólver encostado nas minhas costas, me pedindo para colocar todo o dinheiro do caixa numa bolsa", relata a jovem.

Vítima de um assalto residencial com reféns, ocorrido em novembro do ano passado, um publicitário de 30 anos morador do Jardim Morumbi, Zona Oeste da cidade, também não esquece o momento em que três assaltantes entraram em sua casa. Ele, a mãe e o pai tiveram pés e mãos amarrados, foram amordaçados e colocados cada um em um cômodo. "Naquele momento, eu tentei ouvir o que acontecia com meus pais porque estava preocupado com o que podia acontecer com eles", conta o publicitário, que também teme dar o nome.

Após os assaltantes deixarem a casa, ele se esforçou para tirar as amarras e libertou os pais.

A mesma situação vivenciou o morador de uma cidade vizinha surpreendido durante visita a um amigo no Jardim Cambuy, Zona Norte de Araraquara, em 17 de janeiro. Por quase uma hora, ele ficou sob ameaças e mira de revólveres de ladrões. "Foi a primeira vez que passei por isto na vida e confesso que ficarei traumatizado por muito tempo. Não tem coisa pior que alguém apontar uma arma para você", desabafa.

O que é transtorno pós-traumático

O Transtorno do Estresse Pós-traumático é um conjunto de sintomas físicos e emocionais ligados à ansiedade, provocados por um forte momento emocional, como presenciar e vivenciar assaltos, assassinatos e acidentes de trânsito. Os efeitos podem variar de uma pessoa para outra, conforme a estrutura psicológica e a formação familiar de cada um.

Os diagnósticos devem ser feitos por um psicólogo, que irá escolher o tratamento mais adequado para a vítima.

Traumas são superados devagar

Especialista em Psicologia Jurídica, Fábio de Carvalho Mastroianni considera comum e normal as vítimas de assaltos reviverem cenas do crime por até 30 dias.

"A pessoa que passa por uma situação de muito estresse e se vê em risco iminente de morte costuma ficar com as imagens marcadas por muito tempo na mente", avalia.

Ele também acha natural que, mesmo quem nunca apresentou os sintomas antes, começar a ter insônia e sonhar com tudo que o acontece durante o assalto por algum tempo. No entanto, faz um alerta: se a insônia e os pesadelos persistirem por mais de um mês, é hora de procurar ajuda médica. "O ideal é se consultar com um psiquiatra para verificar se é o caso de tomar remédios para ajudar a enfrentar nesta fase difícil", aconselha.

O psicólogo também recomenda o envolvimento de todos os integrantes da família na recuperação da vítima de assalto.

Eu vivi

"O momento mais difícil foi quando os assaltantes me trancaram na sala de injeção junto com a outra menina que trabalhava na farmácia. Depois que ouvimos os ladrões irem embora, começamos a chorar e a gritar por socorro. Fomos salvas por uma mulher que ouviu tudo e chamou um rapaz que conseguiu arrombar a porta. Desde aquele dia, eu não carrego mais dinheiro nos bolsos e só ando com cópia dos meus documentos."

Janaíana (*nome fictício)
Balconista

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