A terceira edição do projeto Prefeitos Paulistas será realizada na próxima sexta-feira, no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara. O objetivo é entender a influência do perfil pessoal dos gestores públicos sobre suas decisões à frente do Executivo, de acordo com o economista Valdemir Pires, que coordena o projeto ao lado do colega Antonio Gaeta. Os pesquisadores explicam que estudo vai obter uma fotografia do perfil humano de prefeitos com mandatos nas cidades do Estado de São Paulo até 2012, a partir de entrevistas com chefes do Executivo, como amostragem das 645 cidades paulistas.
"A academia tem a tendência de encontrar novas metodologias de gestão, para tornar a administração mais ágil e melhorar os resultados. Mas há uma certa desvalorização da política, que é âmbito da administração por excelência. Precisamos conhecer o indivíduo, para saber se ele tem o perfil para encaminhar nossas propostas, porque foi o ser humano quem nós elegemos", explica Pires.
Partindo desse princípio, os professores Pires e Gaeta realizam eventos na Unesp, abertos aos alunos da universidade, para sabatinar prefeitos de diferentes perfis, cuja identidade é revelada apenas no momento das entrevistas. Apesar de a ideia original ser a realização das entrevistas apenas aos alunos da Unesp, Pires conta que está havendo crescente interesse da população em geral pelo projeto. "Estamos realizando esse projeto porque as prefeituras de São Paulo não conhecem a Administração Pública da Unesp, apesar de nosso curso ter um perfil municipal. Mesmo prefeituras da região não sabem que o curso existe. Então, estamos trazendo os prefeitos para conhecer a universidade e mostrar seu trabalho aos alunos e a toda a população interessada", comenta.
Humanização
Ele pondera que as perguntas são voltadas para o entendimento do perfil pessoal e cultural, justamente para que se entenda a parcela das decisões dos prefeitos que depende desse tipo de repertório humanístico, pois algumas atitudes dos gestores são de cunho estritamente técnico. Nas decisões orçamentárias, por exemplo, ele lembra que a alocação de recursos pode mostrar se o prefeito tem perfil mais ou menos social, mas existe um limite para isso. "Queremos focar nas decisões que dependem do prefeito. Mesmo a literatura na qual é baseado o texto de abertura dos eventos tem várias citações literárias, de autores como José Saramago, Nicolau Maquiavel. Carlos Fuentes e Ítalo Calvino", conta, reforçando o caráter humanista da pesquisa.
Pires ressalta ainda que não existe tempo definido para conclusão do projeto e nem mesmo uma linha pré-definida de pesquisa pela qual serão avaliados os dados colhidos nas entrevistas, que estão sendo gravadas e serão utilizadas como base para posterior produção de material pela universidade. O que está definido até agora, de acordo com o professor, é que os prefeitos escolhidos devem apresentar a maior diversidade possível. "Estamos escolhendo prefeitos de municípios pequenos, médios e grandes, com diferentes perfis culturais e trajetórias políticas. Temos 645 prefeitos no Estado e, como as entrevistas são mensais e realizadas durante os oito meses de período letivo, devemos ter uma amostra de 32 prefeitos em quatro anos. Por isso, a diversidade deve ser a maior possível", lembrou.
Entrevistas começaram por Bauru e São Carlos
Os dois primeiros eventos abertos ao público para sabatinar os prefeitos foram realizados no dia 27 de maio, quando foi entrevistado o prefeito Osvaldo Barba (PT), de São Carlos, e no dia 24 de junho, quando a entrevista foi com Rodrigo Agostinho (PMDB), prefeito de Bauru. "O Barba está na faixa dos 60 anos e tem uma trajetória política maior, enquanto o prefeito de Bauru tem apenas 31 anos, é muito novo. O próximo prefeito a ser entrevistado cumpriu mandato quando jovem e agora é prefeito novamente, então, une os dois tipos de experiência. Mas não posso revelar ainda seu nome", acrescenta. Pires disse que o prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) já foi procurado, mas por incompatibilidade de agendas, ainda não foi possível fazer a entrevista com o gestor araraquarense. "Ele definitivamente está na lista, pois tem trajetória política e perfil diferenciados", completa. A análise do material vai levar em conta outros tipos de publicação existentes sobre os prefeitos paulistas, mesmo que de caráter diversos da proposta do projeto Prefeitos Paulistas, como o livro lançado neste ano pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam), com base em entrevistas com 96,7 % dos prefeitos paulistas eleitos, realizadas no final do ano passado. "O estudo publicado pelo Cepam é magnífico, mas não é exatamente aquilo que a gente quer mostrar com nosso trabalho. Vamos utilizar a publicação como referência, assim como a série de entrevistas que a Tribuna Impressa vem publicando todos os domingos com os prefeitos da região", adianta Pires.
A terceira edição do projeto Prefeitos Paulistas será realizada no próximo dia 25, das 19 às 23 horas, no Anfiteatro A da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas até esta segunda-feira pela internet (pitagoras.fclar.unesp.br/inscrições). Todos os interessados podem se inscrever, com direito a certificado de participação. As vagas são limitadas.
