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Quarta-Feira, 22 de Fevereiro de 2012

Quinta, 26 de Janeiro de 2012 às 03h00

À espera de um ‘mea culpa’

O banimento das sacolinhas plásticas teve seu marco inicial prático ontem (25/1): mercados da cidade deixaram de fornecê-las a seus consumidores.

Por Sérgio Ferreira Mendes*

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O banimento das sacolinhas plásticas teve seu marco inicial prático ontem (25/1): mercados da cidade deixaram de fornecê-las a seus consumidores. Elas são um problema ambiental; demoram cem anos para decompor-se. Alegra-me que nos deixarão.

Por outro lado, o que é insuportável é o oportunismo de certos setores comerciais e industriais.

Passou-se toda a culpa para o consumidor, como se mais ninguém tivesse nada a ver com o assunto. Em nome de uma bela causa, o meio ambiente, faz-se "caridade com chapéu alheio": também o custo foi todo transferido ao consumidor. Assim lhes é fácil e indolor.

O esquema de substituição proposto é, no mínimo, espúrio.

Os supermercados fornecem ecobags (a um preço alto) e sacolinhas biodegradáveis (R$ 0,19 cada) e fica por isso mesmo. Como apurou reportagem desta Tribuna de 24/1, o uso doméstico das sacolinhas para, por exemplo, acomodação de lixo para coleta, terá de ser provido por sacos plásticos comprados. Entre sacolinhas e sacos de lixo, uma família de quatro pessoas pode ter um acréscimo de até R$ 50 no seu orçamento mensal.

O consumo de plástico será o mesmo; apenas estará devidamente subsidiado.

O irritante é que indústria e comércio convenientemente se esqueceram que a introdução de tão "nefasta" embalagem deve-se a eles mesmos. Eles lançaram a novidade e nos acostumaram a ela.

São as maravilhosas soluções que, com o passar do tempo, se mostram não tão boas assim, como a talidomida para as grávidas e pastilhas de cocaína para dor de dentes.

Creio que merecemos um mea culpa da indústria e do comércio. No mínimo.

* bacharel e licenciado em Letras
sergio.mendes@tribunaimpressa.com.br

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