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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Domingo, 29 de Janeiro de 2012 às 03h00

Dígitos e mexericas

Meu primo Jorge Mangussi é de São João da Boa Vista (terra do extinto Palmeirinha, segundo ele mesmo), trabalha em Bebedouro (terra do Internacional, um dos tantos “Inter” espalhados pelo Brasil) e mora aqui em Araraquara (terra da nossa um dia gloriosa Ferroviária).

Por Rodrigo Brandão*

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Meu primo Jorge Mangussi é de São João da Boa Vista (terra do extinto Palmeirinha, segundo ele mesmo), trabalha em Bebedouro (terra do Internacional, um dos tantos "Inter" espalhados pelo Brasil) e mora aqui em Araraquara (terra da nossa um dia gloriosa Ferroviária). Fanático por futebol, são-paulino de coração, Jorge adotou a Ferroviária como segundo time. Na quinta-feira passada, enviei-lhe um e-mail logo pela manhã para combinarmos de assistir à estreia da equipe, na Arena. Solicitei o número de seu celular. Ele me respondeu sem muito cuidado, e acabou enfiando um "7" a mais, complicando momentaneamente nossa comunicação.

Coincidentemente, no dia seguinte, anteontem, li que a Anatel anunciou a inclusão de um dígito nos números de telefone celular com DDD 11 (São Paulo e região metropolitana), deixando-os com nove dígitos a partir de julho, a fim de ampliar os recursos de numeração nessa área.

Há quase um ano, em fevereiro de 2011, o número de endereços na Web chegava ao limite. O protocolo (IP) que identifica sites e máquinas conectadas à Internet estava esgotado — são 4,3 bilhões de endereços possíveis dentro dessa sequência numérica. Seria implantado um novo sistema, capaz de suportar até 340 decilhões de combinações, rompendo um padrão tecnológico de 30 anos.

Assim, "coisas" não palpáveis, abstratas, como informações compostas de números e a própria paciência, atingem um limite. Para o segundo caso, vamos ao estádio. Se não podemos ampliar o limite da paciência, esvaziemos a lixeira do cérebro xingando o juiz durante 90 minutos. Tudo civilizadamente. O tempo de barbárie das mexericas arremessadas nos bandeirinhas são impensáveis para os dias de hoje.

* é jornalista e publicitário
rodrigobrandao@tribunaimpressa.com.br

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