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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Quarta, 01 de Fevereiro de 2012 às 03h00

Censo e senso

Se o mundo vai se acabar este ano, como propôs o filme — a propósito, o pior a que já assisti, empatado com “Independence Day” —, eu não posso afirmar. Não sou postulante de teorias apocalípticas.

Por Rodrigo Brandão*

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Se o mundo vai se acabar este ano, como propôs o filme — a propósito, o pior a que já assisti, empatado com "Independence Day" —, eu não posso afirmar. Não sou postulante de teorias apocalípticas. Também não sou adepto de profecias, nem as da minha vizinha cartomante, nem as de Nostradamus e muito menos as de Hollywood.

Um relatório divulgado anteontem pela ONU — e alguém vai me perguntar por que a ONU merece tanta credibilidade, o que não deixa de ser pertinente — diz que seremos não mais sete, marca atingida no ano passado, mas sim nove bilhões de habitantes terrestres em 2040. O caos, porém, já está anunciado para uma década antes. Em 2030, precisaremos de 50% a mais de alimentos, 45% a mais de energia e 30% a mais de água. Palavras do relatório: "O atual modelo de desenvolvimento global é insustentável. Para alcançar a sustentabilidade, é necessária uma transformação na economia global".

Uma das ações propostas pela ONU, de acordo com a matéria da Reuters, consiste na aproximação entre governos e cientistas. A consideração vem ao encontro de uma discussão, fundamental, que começa a ser ampliada: indicações políticas ou nomeações técnicas? Por razões óbvias, que até um rato de laboratório consegue elucubrar, a segunda opção tende a evitar ambientes que favoreçam a proliferação da corrupção e a produzir resultados práticos mais eficientes.

Para tanto, estabelecendo um recorte ao cenário brasileiro, urge uma reforma política — a ironia é que ela há de ser feita por políticos. Para ontem. Antes que o mundo acabe. Se for para manter esse balaio de partidos, esse amontoado de sanguessugas a comandar departamentos sem conhecimento específico algum, então é melhor que o mundo acabe mesmo. Porque não pode, com o mínimo de bom-senso, Aloizio Mercadante ser o ministro da Educação.

* é jornalista e publicitário
rodrigobrandao@tribunaimpressa.com.br

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