O ronco é definido como "o som áspero e cavernoso próprio da pessoa que ronca, da pessoa que dorme respirando a custo".
A literatura jurídica registra caso pitoresco envolvendo o ronco da mulher. O marido, propôs ação de separação judicial alegando que não mais suportava o ronco da mulher e o casal se separou. Ela submeteu-se a longo tratamento e deixou de roncar. O casal voltou a ter vida em comum, mas um ano depois, o ronco voltou. Aí, a separação foi definitiva.
Historiadores mais voltados aos aspectos pitorescos de nossa história, registram que Dom Pedro II, nos saraus da corte, não só dormia, como roncava e às vezes até abusava da flatulência. Era um concerto à parte.
Desde criança, adoro ir ao cinema e há mais de meio século, Glauce é minha acompanhante. Ultimamente se nega a assistir filmes comigo, pois dez minutos após o início do sessão, não só durmo, como ronco. Ela me dava cutucões com o cotovelo, eu acordava assustado e logo depois dormia novamente e voltava a roncar.
Quando alugamos um bom filme na locadora, preciso pagar em dobro, pois só consigo assisti-lo em três fases, em razão do sono e o ronco tem um som mais forte que os tiros do filme policial e até mesmo dos canhões dos filmes de guerra.
Quando o Cao e o Mário ingressaram na faculdade em Campinas, o João Primiano, a Marlene, Glauce, eu e os meninos fomos levar os móveis para o pequeno apartamento alugado no bairro Taquaral. Após o rápido almoço, João deitou-se sobre um colchonete e dormiu na carroceria do caminhão. Algum tempo depois eu desci e meia dúzia de garotos haviam colocado uma folha de árvore nos lábios do João, o qual subia e descia, ao sabor de seus roncos. Os garotos se divertiam em gostosas risadas e não pude conter a vontade de me agrupar a eles. Que saudade!
* é advogado e professora da Uniara
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