É óbvio, explícito, escancarado, ululante que os supermercados têm de fornecer opção gratuita de transporte para as compras dos clientes. Além de mim e de todos os clientes, que temos o poder de opinar e contestar, mas não de determinar, a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) também pensa assim, para nossa sorte e alívio. A nota divulgada pelo Procon na quarta-feira passada obriga os supermercados participantes da campanha "Vamos Tirar o Planeta do Sufoco" a disponibilizar alguma maneira para os cientes alocarem os produtos recém-comprados, sem cobrar por isso, assegurando um direito adquirido pelo consumidor, como reforçou o Centro de Orientação e Defesa do Consumidor e Mutuário (Codecom) de Araraquara.
A preocupação da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e dos 15 estabelecimentos da cidade que aderiram à iniciativa, com o nosso já tão combalido planeta é louvável. A entidade só não tem o direito de tirar o sufoco do planeta e repassá-lo aos clientes. Ou ela se limita a propor uma campanha de conscientização ou mostra que está engajada de verdade na luta por modelos de desenvolvimento sustentável e arca com a decisão. Mas estaria mesmo a Apas tão comprometida com a questão ou a decisão de barrar as sacolinhas plásticas tem viés marqueteiro? Onde se embalam frutas e legumes? São plásticos biodegradáveis?
Qualquer cidadão consciente anseia por um mundo e futuro melhores. Como esperar não é saber, também os cidadãos têm suas obrigações inevitáveis e devem contribuir independente das leis. Um cenário favorável à vida na Terra, entretanto, não há de surgir a partir de oba-obas. Os supermercados não hão de ser nossos guardiões intocáveis fazendo bonito com a sacola dos outros.
* É jornalista e publicitário
rodrigobrandao@tribunaimpressa.com.br
