Terça-feira de Carnaval talvez não seja o dia mais adequado para reflexões aprofundadas, mas, mesmo assim, tentemos um pequeno voo.
Tive muitos colegas que cursaram Filosofia; na USP de São Paulo, os prédios de Letras e Ciências Sociais são vizinhos, o que tornava nosso convívio quase que obrigatório. Gosto de Filosofia. "A República" de Platão é uma obra, em certos aspectos, válida até hoje. Fora a Filosofia política de Maquiavel e Marx.
Mas chamava-me a atenção que os meus colegas sempre citavam filósofos. Claro que não há problema algum em citá-los, mas a coisa sempre se deu sob uma certa escolástica. Em suma: eles se imbuíam daquelas teorias que, como parasitas, matavam qualquer germe de pensamento próprio.
Não estou dizendo que devemos abdicar da leitura dos grandes mestres, mas não é possível que concordemos sempre e em tudo com eles. A academia tem a desvantagem de matar o pensamento próprio; se não tomamos cuidado, tornamo-nos simples replicantes durante graduação, mestrado e doutorado.
"Antes o certo que o duvidoso", dirá alguém. Mas, se não nos arriscamos fora do já existente, se não criarmos nossas próprias pequenas teorias, estaremos condenados. Nosso amor excessivo à terra firme pode nos manter em uma condição perene de náufragos.
E digo tudo isso não por ódio à academia, mas pela a necessária fuga do academicismo e do dogmatismo. Temos direito de ter nossas próprias teorias; afinal, uma teoria não é a verdade absoluta, mas uma maneira de explicar a realidade observada.
Terça, 21 de Fevereiro de 2012 às 06h33
