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Todo mundo vai ao circo, menos eu

Sempre desconfiamos que a festa no apartamento de cima era bem mais animada do que a nossa

26/01/2013 - 03:00

Zezé Brandão

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Sempre desconfiamos que a festa no apartamento de cima era bem mais animada do que a nossa.
Agora é oficial: era mesmo. Um estudo realizado por duas universidades alemãs constatou que a maior rede social do mundo, o Facebook, é também a maior fonte de inveja entre os seus mais de um bilhão de usuários.

Explica-se: no Face, as famílias são todas felizes; as crianças são lindas; as férias são na Toscana; os pratos que se pedem nos restaurantes são de dar água na boca; as barrigas, mais do que tanquinhos, são negativas; as festas que esse povo frequenta são chiques, animadas, de arromba.

Um detalhe estarrecedor: a maior causa de ressentimento entre os “faceiros” são as fotos de férias, uma vez que viagens conferem status, convivência social, sofisticação, conhecimento, glamour, mas, sobretudo, ócio, sinônimo de poder e de bem viver.

Enquanto isso, eu e você aqui, plantados na realidade, levando vidas ordinárias, com filhos comuns, férias sem nenhum exotismo, pizzas domingueiras que definitivamente não merecem um post, e festinhas familiares indignas de qualquer comentário.

O maior espanto causado pela pesquisa, é que TODOS, ou quase, os usuários têm a mesma sensação, as mesmas emoções amargas, o mesmo estado de frustração e solidão — inclusive os que passam férias na Toscana e postam os pratos deslumbrantes que saboreiam cercados de amigos bronzeados e de barrigas negativas.

Algumas conclusões óbvias a que chegou uma das pesquisadoras, Hanna Krasnova, da Universidade de Berlim: o Facebook corre um enorme risco de se autoextinguir por causar mais sentimentos negativos do que positivos, posto que, afinal, ninguém está muito a fim de ver jogado na própria cara o fato de que o outro é muito mais felicitado no aniversário do que você. Ou que “todo mundo” está mais satisfeito com a própria vida do que eu.

Mas a conclusão mais evidente, e a essa eu não sei se as pesquisadoras alemãs também chegaram, é que nesse universo do “parecer”, parece bem mais fácil conviver com a própria infelicidade do que com a felicidade dos outros.
 

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