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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Sete de Setembro

Quarta, 07 de Setembro de 2011 às 14h27

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No dia 07 de setembro de 1822, o príncipe regente D. Pedro declarou a separação política entre Portugal e o Brasil colônia. Desde então, comemoramos esta data como nossa independência. É costume haver desfiles e paradas militares, onde diversos órgãos de segurança ostentam com orgulho suas conquistas. Também as escolas participam, com seus alunos marchando ao som de fanfarras. É uma festa cívica e com o objetivo de lembrar a data em que o povo brasileiro conquistou a liberdade. Os anos passaram, o Brasil experimentou várias formas de governo, passou por períodos duros sem nenhuma liberdade de expressão, e chegou a uma democracia onde o povo escolhe seus representantes. Os desfiles cresceram, e outros segmentos da sociedade começaram a participar desta festa, que em algumas cidades reúne milhares de pessoas. Volto a pensar no objetivo. Povo liberto, povo sem amarras políticas, independente e soberano. Pena que existam algumas nódoas que tiram o brilho desta data. Uma delas é a corrupção em todos os cantos, tanto no poder público quanto no privado. Vemos diariamente na mídia notícias sobre Ministérios envoltos até o pescoço em escândalos de todos os tipos, empresas prestadoras de serviços faturando quantias escandalosas em todos os segmentos, desde obras de infraestrutura como estradas, pontes, passando por escolas, estádios de futebol, enfim são desvios de dinheiro público em todos os cantos deste Brasil. As irregularidades, quando descobertas pelo Tribunal de Contas da União, entram na fila das averiguações e no emaranhado jurídico de um sistema feito para não dar em nada. Em seguida, aparece outro escândalo maior e o anterior cai no esquecimento. Assim o Brasil vai crescendo aos olhos do mundo. É um crescimento muito desigual, maquiado, como um grande desfile de 07 de setembro. Muitos morrem nas portas dos hospitais, milhares nas mãos de bandidos que tomaram conta de todo Brasil, mas o desfile não pode parar. Fico imaginando um desfile diferente, onde mostrassem os problemas que afligem a nossa cidadania, não só as belezas dos aviões fazendo malabarismos, soldados e estudantes com novos uniformes, marchando ao som de bandas afinadas. Gostaria de ver um pelotão representando a corrupção, outro a falta de segurança, mais um mostrando a situação calamitosa das escolas e hospitais e, por fim, um grande batalhão de verdadeiros brasileiros como eu, gritando por justiça, educação, segurança e mudanças que nos dêem motivos para sentir orgulho de nosso país. Talvez, assistindo a este desfile, lá do alto dos palanques, possa estar entre os políticos e autoridades, um grande brasileiro ou brasileira que se lembre do real sentido desta comemoração, se sensibilize pela demonstração de amor à pátria destes homens do povo e tome a decisão de dar um basta nesta situação.

Célio Pezza - escritor
Agosto, 2011

Modificações genéticas

Segunda, 29 de Agosto de 2011 às 08h02

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Quem conhece a história do aprendiz de feiticeiro? É uma história simples, mas de profunda mensagem ética e moral. Em um castelo no alto de uma montanha, morava um poderoso feiticeiro, o qual, com seu chapéu, seu livro de magia e sua varinha, fazia toda sorte de encantamentos. Um dia, contratou um ajudante para serviços gerais, e este, aproveitando-se de uma saída do patrão, pegou a sua varinha, colocou o seu chapéu, abriu o livro mágico e começou a mexer com o que não conhecia. No início, conseguiu fazer com que as vassouras criassem vida e fizessem o seu trabalho de limpeza do castelo; em seguida, animou os baldes, que se enchiam de água e andavam pela casa de um lado para o outro, lavando tudo ao seu caminho. Animado com seus novos poderes, continuou fazendo suas mágicas até que perdeu o controle das forças liberadas e ficou desesperado, pois não era mais senhor da situação. Os baldes não paravam de jogar água pelo castelo e as vassouras varriam cada vez com mais força, destruindo tudo pelo caminho. Em pouco tempo, tudo aquilo que era uma diversão se tornou um terrível pesadelo. Na história, apareceu de volta o verdadeiro mestre, colocou as coisas em seus devidos lugares e, o assustado aprendiz de feiticeiro aprendeu a lição, aceitando com humildade as reprimendas do seu patrão. Esta pequena história infantil, transformada em filme por Walt Disney, deveria ser uma leitura obrigatória para todos que lidam com pesquisas genéticas visando à criação de seres híbridos ou mesmo clones. Terá o homem, tal qual o aprendiz da história, o direito de liberar forças das quais provavelmente não terá o controle, pois não as domina e nem imagina seus futuros desdobramentos? Poderá colocar em risco as gerações futuras por mudanças sutis no código genético? Recentemente li sobre algumas pesquisas com os fios das teias de aranha. Estes fios são considerados mais resistentes que o próprio aço ou resinas tipo Kevlar, que é utilizado em blindagens pela indústria bélica. Os estudos mostraram que se conseguíssemos uma malha com fios da espessura de um lápis, ela teria a resistência suficiente para parar um avião em pleno voo, da mesma forma em que um besouro é parado por uma teia de aranha.

Baseado nisto, cientistas americanos introduziram genes das teias em cabras para que elas produzissem leite com as proteínas necessárias para fazer as teias modificadas. Desta forma teriam uma produção em larga escala do material básico para fazer fios de teia de aranha. Estes fios seriam utilizados para a construção de coletes a prova de balas para o exército americano. Paralelamente está em estudo a criação de um colete especial feito com a pele humana e as teias da aranha. A ideia é substituir a queratina existente na pele humana por material genético das aranhas, para que o próprio corpo humano se transforme em um colete a prova de balas natural. Os geneticistas ainda não tiveram sucesso na criação deste material, mas as pesquisas continuam. Na medida em que for descoberto mais sobre o genoma humano e sobre as mudanças genéticas em geral, poderemos imaginar um futuro com soldados que possuam coletes naturais a prova de balas, que pulem mais alto, que corram mais rápido, que enxerguem muito mais longe e assim por diante. Podemos também imaginar um futuro onde as crianças são feitas em laboratórios e outras existam somente para fornecimento de material genético e órgãos, como alguns filmes de ficção já estão prevendo.

Como disse o poeta americano E. Cummins em 1958: "Não ser ninguém além de mim mesmo, em um mundo que está fazendo o possível, dia e noite, para nos transformar em qualquer outra pessoa, significa travar a mais dura batalha que qualquer ser humano é capaz de travar".

Carta à Presidenta Dilma

Terça, 02 de Agosto de 2011 às 10h37

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Excelentíssima Presidenta (*) Dilma, como sabemos que gosta de ser chamada. Tenho esperança de que esta carta chegue às suas mãos. Ela é um pedido sincero de um brasileiro que ama seu país e não suporta mais ver tantos desmazelos. Ao mesmo tempo, é uma sugestão para que a senhora passe de simples Presidenta do Brasil à condição de Estadista e heroína de nosso povo. Um Estadista exerce sua liderança com sabedoria e sem limitações partidárias. Ele se preocupa com a próxima geração, diferente de um político, que se preocupa com a próxima eleição. Vou lhe pedir que enfrente a FIFA, ao Comitê Brasileiro de Futebol, aos inúmeros cartolas e corruptos que estão espalhados pelo país e cancele a Copa do Mundo no Brasil. Sim! Cancele a Copa. Pegue estes bilhões que vamos gastar em estádios e superfaturamentos de todos os tipos e gaste na construção de hospitais, escolas, estradas e outras obras sociais para o nosso povo. Os novos empregos gerados serão os mesmos, só que canalizados para outras obras. A Copa dura perto de um mês e depois se acaba. O sonho é muito curto para se gastar tanto, ao mesmo tempo em que nosso povo sofre doente indo de um hospital para outro sem encontrar médicos ou vagas nos hospitais. Nossas crianças precisam de escolas e professores para uma vida toda e não de um mês de jogos de futebol. Nosso povo precisa de justiça e de uma razão para acreditar no país. Nosso povo precisa poder andar nas ruas com segurança. Nosso povo precisa de uma mão forte e de uma posição firme neste momento crítico. Nosso povo precisa de sua Presidenta. Não temos mais a quem apelar e a senhora é a nossa última esperança. Excelentíssima Presidenta Dilma, ouça este apelo que é de milhões de brasileiros e assuma com coragem a decisão de mudar este país de uma vez por todas. A senhora será lembrada não por ter destruído o sonho de uma Copa, mas como aquela que construiu o sonho de um Brasil melhor para os brasileiros. Será lembrada como a heroína do povo, quem deu o mais importante passo para acabar com a corrupção no país e teve a coragem de bater de frente com esses ratos que andam pelo país roendo as nossas riquezas. Não estão roubando só dinheiro, mas principalmente, o ânimo, a vida e a esperança de todo um povo. Excelentíssima Presidenta Dilma, a senhora tem nas mãos como mudar tudo e ditar as novas regras. Esta não é uma carta irônica, acredite. É uma carta de boa fé, de quem quer aplaudi-la e gritar aos quatro ventos que o Brasil tem finalmente o comando de uma Estadista como nunca teve e de que a senhora teve a coragem de dar um basta neste sistema que corrói a alma de nosso povo. Quero bater palmas e gritar seu nome nas ruas e explicar a todos porque faço isto. A senhora tem a chance. Não a desperdice, pelo amor aos brasileiros. Sei que vai me perdoar se, em alguns trechos, falei indevidamente. Sei que vai entender que falei com o coração e não com a razão. Sei que vai entender que sou simplesmente um brasileiro que pede pelo seu país. Sei que vai pensar no assunto e espero que tome alguma decisão que a perpetuará no nosso coração. Pode ter a certeza de que nunca esqueceremos a mulher de fibra e princípios que um dia teve a coragem de enfrentar os poderosos a favor do povo.

(*) - De acordo com o dicionário Houaiss, "presidenta" é o feminino de presidente, embora seja menos usual. No dicionário Aurélio, "presidenta" significa "a esposa do presidente" ou a "mulher que preside".

Corrupção

Quinta, 21 de Julho de 2011 às 06h07

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No final do ano passado a ONG Transparência Internacional (www.transparency.org) divulgou um relatório sobre o Índice de Percepção da Corrupção no mundo referente ao ano de 2010. Foram analisados 178 países e avaliados com notas de zero (mais corruptos) a dez (menos corruptos). Os países menos corruptos foram Dinamarca, Nova Zelândia e Cingapura, com notas de 9,3. O país mais corrupto foi a Somália. O Brasil teve a nota 3,7 e ficou em 69° no ranking, bem perto da Colômbia e do Peru, com notas 3,5. Alguns países mais conhecidos e suas notas: Austrália (7,8), Japão (7,2), Chile (7,1), Estados Unidos (6,9), Portugal (6,0), Brasil, Cuba (3,7), Colômbia, Peru (3,5), Argentina (2,9), Bolívia (2,8), Paraguai (2,2), Somália (1,1).

Talvez alguém possa ter comemorado o índice brasileiro, pois afinal estamos melhores que muitos de nossos vizinhos, mas a verdade é que a corrupção no Brasil está atingindo níveis insuportáveis e parece que o povo está conformado com a situação. A cada dia, aparecem novos casos envolvendo políticos do alto escalão, empresários, obras públicas de todos os tipos, licitações, tráfico de influências, todos os tipos de negócios ilícitos e absolutamente nada acontece.

Aonde foi parar a turma dos "caras pintadas", que um dia saíram pelas ruas, exigindo a saída do Presidente Collor e o fim da corrupção? O país entrou numa espiral crescente de corrução, e o próprio senador Pedro Simon disse recentemente que com toda a corrupção que ele vê de um tempo para cá, aquilo que existia no governo Collor deveria ter sido enviado para o Juizado de Pequenas Causas. Onde estão a OAB, os magistrados, as elites culturais, os empresários, políticos e líderes sindicais honestos e todas as vozes que representam a parcela honesta deste Brasil? Todos assistem, reclamam em pequenas rodas e nada acontece! Ministros corruptos pedem sua saída e voltam para seus antigos cargos, como se nada tivesse acontecido. Um deles chegou a indicar seu sucessor. CPIs são instauradas todas as semanas e acabam em pizza depois de certo tempo. O dinheiro é escasso para tudo, menos para a compra de favores e para superfaturamentos de todos os tipos de obras, desde uma pequena estrada até um grande estádio de futebol.

Tudo isto aparece na mídia, e o povo de tanto ver essa bandidagem, acaba se acostumando e aceita dando risadas e fazendo piadas. O assunto é sério, não é para piadas, mas infelizmente é isto que está acontecendo. É uma questão de lógica, pois se um político gasta mais nas campanhas do que iria ganhar se dependesse só de seus salários, o que se pode esperar dele? Por outro lado, é um hipócrita quem critica a corrupção e tenta subornar um guarda de trânsito para evitar uma multa e utiliza meios ilegais para escapar dos impostos. Estes merecem o que está acontecendo. Eles estão ajudando a piorar o país para seus filhos e netos. Temos que nos mobilizar numa grande campanha pela corrupção zero e nos lembrar do que disse Martin Luther King pouco antes de seu assassinato: O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons!

FIFA e Soberania Nacional

Quinta, 14 de Julho de 2011 às 19h45

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Uma recente medida provisória aprovada pela Câmara dos Deputados estabelece que a FIFA e o COI (Comitê Olímpico Internacional) terão poderes para definir os gastos com a Copa do Mundo de 2014, não tendo que respeitar a atual lei de licitações 8.666 de 1993. Esta medida, além de facilitar tremendamente o desvio de verbas, afronta até mesmo a nossa Soberania Nacional, pois confere a uma entidade externa poderes acima dos constituídos no nosso país.

Esta mesma FIFA cujos dirigentes vêm sendo denunciados por subornos pela própria BBC de Londres, passa a ter poderes para mudar projetos e desconsiderar os limites determinados pela própria Lei das Licitações, ainda por cima com a ressalva de que os números podem ser mantidos em sigilo. Tudo isto, com base na premissa de que precisa haver maior rapidez nas obras necessárias para a realização da Copa do Mundo e que o governo brasileiro deu as garantias financeiras necessárias ao empreendimento na época da candidatura do Brasil para sediar o evento.

Dá para sentir pelo Brasil inteiro o cheiro de corrupção associada a esta Copa do Mundo, o desvio de dinheiro público e a falta de seriedade com que o assunto é tratado. Será que não existem mais limites para este descalabro? Toda a mídia mostra esta situação e a cada dia, vemos uma nova notícia um pouco pior, dando a impressão de que a decência foi totalmente perdida. Até aonde vamos? É revoltante ver um país como o nosso, cheio de problemas sociais e sempre com a desculpa de que "faltam verbas" para uma série de áreas prioritárias como saúde, educação, saneamento, estradas, segurança pública e muitas outras, promover um derrame de dinheiro como o que está configurado nesta Copa do Mundo de Futebol.

Não sou de modo algum contra a Copa do Mundo no Brasil, mas sou contra a corrupção e desmandos com o nosso dinheiro que a ela estão associados.

Espero que muitas vozes de peso dentro de Brasília e por todo o nosso Brasil se levantem contra esta situação vergonhosa e digam "basta" para esta FIFA, seus associados e defensores. Enfrentem esta situação com força e coragem e acabem com este descalabro nacional. A hora é agora, antes de sumirem com o nosso dinheiro e desdenharem de nossa Soberania Nacional.

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