Volto a me encontrar com o amigo leitor cinco dias após nossa última conversa por aqui. Na ocasião, fiz você se imaginar na pele de Muricy Ramalho. Realmente era uma encrenca a situação do ‘Muriçoca’. O que fazer para parar o melhor time do mundo? Agora a gente se reencontra para falar da grande final do Mundial da Fifa.
Ah, antes de mais nada, que fique claro. Eu acreditava sim num milagre com uma eventual vitória santista. Mas ela não veio. E porque não veio? Dizem que é muito fácil comentar futebol depois do jogo. E você, amigo leitor, não é obrigado a concordar comigo. Tenha a sua opinião. Independente disso, certamente irá concordar comigo em alguns pontos.
O primeiro é obvio. O futebol que o Barcelona joga não é desse planeta. E o que eles fazem já há algum tempo com o Real Madrid, que fica literalmente na roda, certamente fariam com qualquer outro time brasileiro. Isso é fato.
Mas não vim aqui hoje para falar somente do Barça. E o Santos? Será que fez mesmo tudo o que pôde. Até certo ponto sim. Mas respeitou demais o adversário. Quem joga bola, quem assiste futebol, sabe. Não digo no sentido de bater, dar pontapé. Mas de marcar forte, morder no meio campo, encurtar os espaços. O Santos ficou esperando, esperando... E pagou caro.
Você deve estar pensando: mas, mesmo assim, perderia de qualquer forma. Concordo, também acho que, com o futebol jogado pelo Barcelona no domingo, perderia mesmo. Mas poderia ter ‘brigado’ mais, dado mais carrinho, dado um chega para lá no Messi. E principalmente partido para cima. Faltou o Santos ser mais Santos. Jogar como está acostumado. Enfim, respeitou demais.
Mas mesmo assim, que fique claro. Não é hora de apontar vilões. Começar com aquele complexo de vira-latas de que nada presta e o Neymar é uma porcaria. Adotar esse discurso é assinar atestado de burrice. Esse moleque é craque, mas também respeitou demais o Barcelona de Messi. O olhar dele no túnel encantado com a presença de Messi mostrou bem isso. E digo mais. Neymar também mostrou humildade ao reconhecer que o Santos teve uma aula de futebol com o Barcelona.
E digo mais uma outra coisinha antes de encerrar. Tomamos um choque de realidade no domingo. Não por causa do Santos. Mas pelo futebol brasileiro. Estamos muito atrás e já não é de hoje. Um alerta, a Copa de 2014 é logo ali. E a decepção pode ser bem maior.
*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa
felipesantilho@tribunaimpressa.com.br
