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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Respeitou demais

Quarta, 21 de Dezembro de 2011 às 03h00

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Volto a me encontrar com o amigo leitor cinco dias após nossa última conversa por aqui. Na ocasião, fiz você se imaginar na pele de Muricy Ramalho. Realmente era uma encrenca a situação do ‘Muriçoca’. O que fazer para parar o melhor time do mundo? Agora a gente se reencontra para falar da grande final do Mundial da Fifa.

Ah, antes de mais nada, que fique claro. Eu acreditava sim num milagre com uma eventual vitória santista. Mas ela não veio. E porque não veio? Dizem que é muito fácil comentar futebol depois do jogo. E você, amigo leitor, não é obrigado a concordar comigo. Tenha a sua opinião. Independente disso, certamente irá concordar comigo em alguns pontos.

O primeiro é obvio. O futebol que o Barcelona joga não é desse planeta. E o que eles fazem já há algum tempo com o Real Madrid, que fica literalmente na roda, certamente fariam com qualquer outro time brasileiro. Isso é fato.

Mas não vim aqui hoje para falar somente do Barça. E o Santos? Será que fez mesmo tudo o que pôde. Até certo ponto sim. Mas respeitou demais o adversário. Quem joga bola, quem assiste futebol, sabe. Não digo no sentido de bater, dar pontapé. Mas de marcar forte, morder no meio campo, encurtar os espaços. O Santos ficou esperando, esperando... E pagou caro.

Você deve estar pensando: mas, mesmo assim, perderia de qualquer forma. Concordo, também acho que, com o futebol jogado pelo Barcelona no domingo, perderia mesmo. Mas poderia ter ‘brigado’ mais, dado mais carrinho, dado um chega para lá no Messi. E principalmente partido para cima. Faltou o Santos ser mais Santos. Jogar como está acostumado. Enfim, respeitou demais.

Mas mesmo assim, que fique claro. Não é hora de apontar vilões. Começar com aquele complexo de vira-latas de que nada presta e o Neymar é uma porcaria. Adotar esse discurso é assinar atestado de burrice. Esse moleque é craque, mas também respeitou demais o Barcelona de Messi. O olhar dele no túnel encantado com a presença de Messi mostrou bem isso. E digo mais. Neymar também mostrou humildade ao reconhecer que o Santos teve uma aula de futebol com o Barcelona.

E digo mais uma outra coisinha antes de encerrar. Tomamos um choque de realidade no domingo. Não por causa do Santos. Mas pelo futebol brasileiro. Estamos muito atrás e já não é de hoje. Um alerta, a Copa de 2014 é logo ali. E a decepção pode ser bem maior.

*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa
felipesantilho@tribunaimpressa.com.br

Pra cima deles, Santos!

Quarta, 14 de Dezembro de 2011 às 03h00

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A madrugada quente daquele 13 de dezembro de 1992 ainda vive firme na minha memória. Nunca escondi de ninguém meu amor pelo São Paulo. Amor este bem mais intenso nos tempos de criança do que agora, como repórter de esportes. A profissão me fez ver o futebol de outra forma. De um jeito ainda apaixonante, mas sem fanatismo.

E foi lá no distante 1992 que vivi um dos melhores momentos da minha infância. Lá estava eu com meus oito anos ao lado do meu pai na frente da tevê preta e branca aguardando para ver o São Paulo encarar o todo poderoso Barcelona. Lembro-me de cada detalhe. Logo na escalação, olha que timaço: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero, Amor, Witschge e Beguiristiain; Stoichkov e Laudrup.

O São Paulo de Telê Santana também tinha um grande time: Zetti, Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo, Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller. Quando a bola rolou, logo no primeiro tempo, o búlgaro Stoichikov abriu o placar para os favoritos. Mas brilhou a estrela de Raí e o camisa 10 garantiu o feito histórico para o Tricolor.

Cito o São Paulo como exemplo de quanto um Mundial pode marcar a vida de um torcedor. Imagino como está o coração de cada santista. Certamente batendo forte como o da Fernanda Antunes, nossa personagem da edição de hoje.

E é diante de tudo que cerca o Santos, o Mundial de Clubes no Japão e a presença do próprio Barcelona, que declaro a minha torcida ao clube brasileiro. Hoje é dia de acordar cedo e tomar café em frente à tevê. Algo parecido com o que fiz há 18 anos. É dia dos Meninos da Vila jogarem com responsabilidade, mas sempre mantendo o lema ‘ousadia e alegria’ criado por Neymar e que virou nossa manchete hoje.

O Mundial de Clubes é um prato cheio para quem gosta de futebol de verdade. Por isso, que o Peixe passe pelo Kashiwa Reysol hoje e que o mesmo ocorra com o Barcelona na outra semifinal, amanhã. O futebol agradece. Pra cima deles, Santos!

*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa
felipesantilho@tribunaimpressa.com.br

Ferroviária: todos passarão

Sexta, 09 de Dezembro de 2011 às 03h00

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Depois de três anos de muitas conversas, enfim a Ferroviária assume a condição de clube-empresa hoje à noite.

O grande objetivo é que, assim, a Prefeitura consiga quitar as dívidas trabalhistas surgidas nos últimos sete anos e que há tempos vêm derrubando os cabelos dos diretores da equipe.
Conforme conta nossa reportagem de capa de hoje e o torcedor mais atento já está careca de saber, ficou acertado que a Prefeitura quitaria as dívidas da Associação Ferroviária de Esportes (AFE), quando em troca, adquiriu o antigo estádio da Fonte Luminosa.

O problema é que muitas ações trabalhistas continuaram aparecendo. Situação nada anormal no futebol, mas que vem atrapalhando e muito o trabalho da Ferroviária que ainda carece de apoio e principalmente estrutura — é comum vermos o time implorando para poder encontrar lugares para treinar.

Mais do que isso, também há a esperança de que, com S/A e AFE juntas, o poder público tenha mais sucesso na busca por projetos e parcerias para o time que carrega em sua camisa mais do que uma paixão.

Falo em paixão. Uma palavra que descreve bem o sentimento de uma torcida carente de conquistas. Uma torcida que não desanima apesar das adversidades e que vê nesta fusão a maior esperança de todas.

E isso só aumenta a responsabilidade dos envolvidos neste projeto. Gente importante e que tem se dedicado muito pela da Ferroviária. Porém, é bom ficar atento, porque a falta de paciência do torcedor grená é tão grande quanto sua paixão pelo time. Falhar agora pode significar a volta para um tempo em que esse mesmo torcedor não quer nem lembrar.

A lição de Soró

Quem assistiu ao documentário "AFE: a história de um acesso" do cineasta Guilherme Bonini em parceria com a editoria de esportes da Tribuna Impressa e do Araraquara.com certamente se lembra da maior de todas as lições do filme. Com os olhos cheios de lágrimas e um tom de voz emocionado, o torcedor Rodrigo Coutinho Sossolote, o Soró, foi brilhante: "A Ferroviária só vai voltar a ser grande quando todos se unirem. Cidade, torcida, comissão técnica, jogadores... e deixarem as vaidades de lado. A Ferroviária só vai voltar a ser forte quanto todo mundo se unir. Em prol de um ideal só, que se chama: Associação Ferroviária de Esportes". Amém, Soró!

*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa
felipe.santilho@tribunaimpressa.com.br

Os segredos de Tite e Catanoce

Quarta, 07 de Dezembro de 2011 às 03h00

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Assim como fiz na única vez em que escrevi neste espaço, peço licença aos amigos leitores para ocupar o lugar do nobre editor Emerson Bellini, que curte as merecidas férias ao lado da esposa e da pequena Gigi. A partir de hoje até o dia 28, divido com os amigos leitores um pouco do que pensa este humilde repórter. Há quase seis anos escrevendo textos jornalísticos neste Caderno que tanto prezo, confesso que fico meio sem jeito na hora de escrever um artigo. Da outra vez, falei da relação entre o esporte e o videogame. Mas dessa vez, vamos falar única e exclusivamente do futebol ‘de verdade’.

O assunto da semana é o Corinthians, que no domingo, de forma merecida, conquistou o pentacampeonato brasileiro. Mas estamos em Araraquara, onde o sangue que corre nas veias do torcedor é grená. O amigo já deve estar se perguntando: "O que tem a ver uma coisa com a outra?" Eu respondo: os técnicos Tite e Paulo Cezar Catanoce têm muito mais em comum do que o estilo ‘paizão disciplinador’.

Por várias vezes, Tite esteve perto de ser demitido. Porém, Andrés Sanchez não cedeu à pressão da imprensa e da torcida. Manteve o treinador. Deu respaldo e confiança a ele. Resultado: Corinthians campeão. Decisão acertada do presidente que bancou Tite até o fim.

Em Araraquara, Paulo Cézar Catanoce nunca admitiu risco de ser demitido. Contratado no meio do ano, o treinador teve de tirar um time da cartola em duas semanas. Assim o fez. E quando o Copa Paulista começou, a torcida levou um susto. Com um primeiro turno muito ruim, a Ferroviária amargou a lanterna de sua chave.

Uma campanha que em qualquer outro time resultaria em possíveis mudanças na comissão técnica. Mas o presidente Welson Alves Ferreira Júnior teve a mesma atitude vista no Timão. Bancou PC Catanoce até o fim do torneio. Com mais ritmo de jogo e alguns reforços, a Ferrinha reagiu classificando-se de forma heroica.

E assim foi na segunda fase. Outro início difícil e nova classificação. Pronto. PC Catanoce manteve seu respaldo com a torcida afeana, transformando-se no homem forte da Ferroviária para a tão sonhada campanha do acesso à elite do Campeonato Paulista.

Coincidência ou não, Tite foi confirmado ontem como treinador que irá comandar o Timão na Libertadores, um título tão importante para os corintianos como o acesso da Ferroviária à Série A1.

Moral da história? No futebol, muitas vezes, é melhor dar confiança a seu treinador e tempo para ele trabalhar do que simplesmente demiti-lo.

*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa
felipe.santilho@tribunaimpressa.com.br

Esporte, futebol e vídeo-game

Sábado, 15 de Outubro de 2011 às 03h00

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Peço licença aos amigos leitores para ocupar este nobre espaço do Caderno de Esportes por um dia. Lugar muito bem utilizado pelos jornalistas Juca Kfouri e Emerson Bellini. Enquanto o nobre editor curte sua merecida semana de folga com a família, tenho a honra de dividir com vocês algumas palavras que vão além das do dia a dia das reportagens.

E logo de cara quero juntar dois temas que têm me acompanhado desde garoto quando arriscava os primeiros passos: o esporte e o vídeo-game. Se você está na casa dos 27 anos, como eu, certamente vai se identificar com o assunto. E essa história começa lá atrás: quem não se lembra do Atari?

Junto com um dos melhores presentes da minha vida, veio um jogo especial: o Enduro, alguém se lembra? Um jogo criado nos anos 80 e que chegou por aqui na década seguinte. Foi este o primeiro jogo de automobilismo de muita gente. Você controlava um carro, semelhante a um Fórmula 1, onde o objetivo era ultrapassar determinado número de veículos para chegar à próxima etapa.

A garotada de hoje, inclusive, pode colocar no Youtube para ver. A gente achava aquilo divertido. É sério. Digo isso porque vídeo-game, hoje, às vezes chega a ser mais emocionante do que um jogo de verdade. Que fique claro: algumas vezes.

Mas e o futebol virtual? No Atari, tenho na memória rara imagem de dois quadrados, no caso os jogadores, e outro quadradinho, no caso a bola, numa tela inteira verde. E este era o jogo que eu mais gostava. Só que o tempo passou, nós crescemos e a paixão continua.

Os jogos de futebol foram os que mais cresceram e impressionam. O Fifa, que antes parecia meio óbvio, ganhou força e está recuperando os fãs do PES ou Winning Eleven para quem preferir.

Caso queira, você pode ser o grande astro do seu time começando no futebol amador até ser contratado por uma grande equipe. Ou então brincar de ser técnico, montando taticamente a formação da sua equipe. Aproveito para contar um segredo aos amigos. Tirei daí a ideia da reportagem publicada recentemente com a manchete ‘A prancheta do professor’, com o desenho tático da Ferroviária de PC Catanoce.

Até o lutador Anderson Silva, campeão do UFC, disse ter se inspirado nos golpes do vídeo-game nas suas lutas. Mas aí já é outra história. Quem sabe, para outro artigo. E se você chegou ao final deste texto e gosta do assunto, deixo aqui o desafio. Topa uma partidinha de PES 2012?

*Felipe Santilho é repórter de Esportes da Tribuna Impressa e escreve excepcionalmente neste espaço
felipesantilho@tribunaimpressa.com.br

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