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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Gostar de gente

Domingo, 25 de Abril de 2010 às 14h01

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Se fôssemos fazer uma pesquisa agora para saber qual é a primeira das preocupações dos brasileiros, certamente a medicina apareceria em primeiro lugar. Com todas as pessoas que conversamos, a questão do atendimento na saúde aparece sempre em primeiro lugar. O pessoal que tem plano de saúde se queixa do atendimento dos convênios médicos. Parece até uma contradição, pois aqueles que pagam também não estão satisfeitos. No SUS, também temos casos absurdos de falta de atendimento, conquanto seja o Programa de Saúde que mais avançou nos últimos dez anos no mundo ocidental.

Os especialistas mundiais em saúde pública apontam para um dado impressionante. Faltam recursos em todos os lugares, até mesmo na Inglaterra e Alemanha, que têm os melhores programas de saúde do mundo.

Provavelmente, as insatisfações estejam ligadas a um problema muito mais sério. Estariam os nossos médicos qualificados espiritualmente para serem médicos? Estariam também as enfermeiras e atendentes dos hospitais qualificadas para a profissão? Neste contexto, as estatísticas revelam que nunca na história da medicina houve tantos recursos, tantos cursos e tantas qualificações como em nossos tempos.

Está correto afirmar que a medicina de hoje é muito mais complexa do que no passado. Há uma parafernália imensa de novas máquinas e equipamentos e, também, uma vasta enciclopédia sobre medicamentos. Há muita gente envolvida com a saúde, mas ela não satisfaz. O problema é mais vasto quando perguntamos para o nosso médico se ele está satisfeito com sua profissão. Em geral, ele faz uma cara de descontentamento, disfarça, negocia intimamente a resposta, para depois declarar que, se pudesse, provavelmente, estaria em outro campo, aliás, "que já estou pesquisando".

Uma leitora nossa (Suely Pereira), nos enviou uma correspondência a respeito de nosso artigo sobre Medicina e Saúde para lembrar uma frase de nosso querido médico Dr. Adib Jatene: "Para ser médico é preciso gostar de gente".

Temos aí uma frase para reflexão permanente, talvez, uma solução para os graves problemas da medicina, do médico e da saúde em geral.

*Pesquisador, jornalista e escritor
gattolini@uol.com.br

O edifício da felicidade

Domingo, 11 de Abril de 2010 às 14h10

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Conheci em São Paulo um mestre de obras que tinha uma regra de conduta nas obras que ia construir. Todos os dias fazia uma reunião prévia no canteiro de obras para pedir proteção a Deus. Ele fazia um círculo com os trabalhadores, passava as diretrizes das obras que iam executar e terminava a reunião com orações a Deus.

Na fase de fincar as estacas, ele dizia: "meus amigos, hoje começaremos a construção do andar térreo, que vamos chamar de andar da Fraternidade. Quando perguntado sobre o nome fraternidade, dizia para os trabalhadores que sem a fraternidade o homem não iria evoluir, porquanto no reino de Deus tudo é fraterno e socialmente justo.

Ao iniciar o segundo andar afirmava: "vamos começar a construir o andar da compaixão. Sem esta qualidade, o nosso edifício ficaria a carecer da força vital dos santos sentimentos. O segundo andar significava o Desprendimento, que cada pessoa deve ter em todos os momentos de sua vida. O terceiro representava a Verdade, pois o mundo de Deus precisa desta qualidade para sepultar as mentiras. O quarto andar recebia o nome do Perdão, palavra ensinada por Jesus e que revela a grandeza de alma que o ser humano deve buscar constantemente. No quinto andar, indicava a ponte que ligava ao futuro. "É a fé - dizia ele - que nos dá equilíbrio para enfrentarmos a depressão e o pessimismo". No sexto andar apontava a Humildade, que amplia o nosso círculo de amizade e acaba com a nossa tola vaidade. Ao chegar à fase final, colocou no sétimo andar o nome de Gentileza, pois enquanto o homem não consegue ter amor irrestrito aos seus semelhantes, deve ser pelo menos gentil.

Quando terminou a obra, perguntei a mestre Chico que nome daria aquele edifício.

"Ora, moço, aprendi tudo isso com Jerônimo Mendonça. Seguindo seus preceitos, acabamos de construir o Edifício da Felicidade."

Neste Edifício da alma - destacou ele - a felicidade pode passear, exibir-se, falar e comunicar-se com seus semelhantes, mas mora com endereço certo na consciência tranquila.

Aprendi com mestre Chico que o amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é a usina geradora da felicidade.

Quando se aposentou, mestre Chico recebeu uma comenda da companhia onde trabalhou durante 42 anos e um cheque para comprar a sua primeira casinha. Ele estava radiante, pois depois de construir centenas ou milhares de casas e apartamentos, era a primeira vez que ia ter sua casa própria. Mas sua maior realização estava dentro do Edifício da Felicidade que construiu pacientemente ao longo de sua existência. Quando morreu, milhares de pessoas foram ao seu enterro, muitas delas reconstruídas espiritualmente pelo exemplo daquele humilde pedreiro.

*Jornalista, pesquisador e escritor
gattolini@uol.com.br

Orçamento Participativo em Araraquara

Domingo, 21 de Março de 2010 às 14h13

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Desde 2003, quando o Orçamento Participativo foi implantado, assisti a pelo menos dez reuniões. No início, como era novidade, tanto as autoridades quanto o público demonstravam certa hesitação. Com o decorrer dos anos, as autoridades descobriram que o Orçamento Participativo era um ótimo instrumento para se aproximar do povo, ouvir suas reivindicações, algumas delas até mesmo fora da pauta da reunião, mas nem por isso importantes.

A reunião do Orçamento Participativo realizada na última quinta-feira, dia 18 de março, no bairro Maria Luíza, demonstrou o quanto essa modalidade de governar subiu de importância. Quase todos os secretários estiveram presentes, inclusive o prefeito Marcelo Barbieri e seu vice, Walter Merlos. Esse contato com o povo serve também para executar uma espécie de sintonia fina com a população. E para nós que viemos de períodos ditatoriais, quando tudo era resolvido em gabinetes hermeticamente fechados, o Orçamento Participativo é, indiscutivelmente, um grande avanço.

No entanto, ele tem alguns defeitos. O primeiro deles é reunir numa mesma região bairros diferentes, com demandas excludentes, e população diferenciada. A mesma proposta de um bairro não é válida para outro e assim por diante. Outro ponto importante e que pode representar um avanço no modelo é a realização dos Orçamentos Participativos Setoriais. Aí já não se trata mais de bairros, mas sim de atender determinadas demandas de setores que precisam ser ouvidos, que têm soluções a demonstrar e sugestões que podem ser aproveitadas no contexto da administração pública.

Reuniões com a presença da população sempre são boas. Em 2008 tivemos as reuniões do DAAE em diversos bairros. Muitas sugestões foram apresentadas pelos moradores, visando melhorar os serviços. Em nosso bairro, Chácara Flora, algumas sugestões não foram atendidas pela empreiteira, que deixou um problemão para ser resolvido por este Departamento e também pela Secretaria de Obras. Fora do contexto da pauta surgiu uma sugestão dos moradores no sentido de que o IPTU das chácaras que contribuíssem com plantas nativas fosse diferenciado. O vereador Elias Chediek, presente à reunião, afirmou que iria propor a criação do IPTU VERDE, o que efetivamente aconteceu e aprovado por unanimidade.

A saúde, a educação, o transporte, a pavimentação, o lixo são sempre temas recorrentes nessas reuniões. A participação do povo, em determinados momentos, e em decorrência de suas dificuldades de sobrevivência, pode parecer contestações aos políticos. Mas compreendidas as demandas e feitos os esclarecimentos, a população sai satisfeita com os políticos.

Depois de participar durante mais de 40 anos de reuniões ministeriais, de governadores, de prefeitos, chego à conclusão de que o Orçamento Participativo, bem elaborado e honestamente implementado, é o melhor instrumento para valorizar a política através dos postulados básicos da honestidade, da eficiência e da valorização do que temos de melhor, o nosso povo.


*Jornalista, escritor e pesquisador gattolini@uol.com.br

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