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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Contradições na Estação Primeira do Brasil e no berço de Macunaíma

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012 às 03h00

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Hoje, dia 11 de fevereiro de 2012, na tentativa de descrever parte do que tenho vivido esta semana em Salvador, retorno a esta coluna, desejando a todos os leitores mudanças conscientes, solidárias e mais humanas. Como se a vida pudesse ser reinventada, eu olho para o cenário baiano e vejo: uma alegria imensurável de viver, gentileza e generosidade. Porém, a realidade que se mostrou esta semana me aflige muito. Não preciso falar o que todos estão acompanhando pelas tevês e jornais; quero apenas dividir com vocês algumas contradições no âmbito da Dança.

Nicolas Fernandes de Souza, formado pela Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira e bailarino do Grupo Gestus, ingressou com louvor na Graduação em Dança da Universidade Federal da Bahia (a primeira do Brasil). Fazer a matrícula dele no último dia 08 foi uma espécie de renovação de minhas crenças na profissão.

Contradição 1: solicitei o projeto político-pedagógico atualizado da EMD Iracema Nogueira (para fins de uma publicação internacional) à Secretaria Municipal de Educação, à Secretaria de Cultura e à Assessoria de Imprensa, em 1o/11/2011. Não recebi resposta alguma até hoje, 3 meses e 10 dias.

Contradição 2: notícia de assalto seguido de assassinato do jovem estudante Marcelo Barros. Fui banca dele na fase de Habilidades Específicas do Vestibular 2012 para Dança na UFBA, em dezembro último. Fez um teste brilhante e emocionante. Vai dançar para as estrelas agora!

Em meio a tantas outras contradições, sigo construindo a Dança por aqui e por todos os lugares por onde passo e uma última para vocês, caros leitores: "Araraquara está invadindo Salvador". Mas sobre isso, falarei na próxima coluna. Até daqui 15 dias!

* é Doutora em Comunicação e Semiótica (Políticas Públicas em Dança), diretora do Grupo Gestus e Idealizadora do projeto Gestus Cidadãos/LUPO
gilsamara@gmail.com

Gestus brasileiro

Sábado, 03 de Dezembro de 2011 às 03h00

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Neste dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 19h30, no Melusa Clube, o projeto Gestus Cidadãos fará a apresentação do espetáculo "Gestos Brasileiros", com entrada franca. Para quem não conhece, Gestus Cidadãos é um projeto social que oferece aulas de dança, música, teatro, artes visuais e capoeira a 120 crianças e jovens, entre 8 e 15 anos de idade. Além disso, oferece atividades complementares como oficinas e palestras aos pais e interessados.

Colocar em prática uma pedagogia que vai além dos muros da escola formal, tendo a arte e a educação como verdadeiros instrumentos de transformação, é um dos objetivos centrais do Gestus Cidadãos, além de favorecer um processo de democratização da arte, sua fruição e produção, visando agregar valores de cidadania e qualidade de vida. Aprovado pela Lei Rouanet, em 2010, e com patrocínio exclusivo da Lupo, o projeto foi idealizado por mim, com base em outro projeto que implantei em Araraquara, a Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira.

A equipe responsável pelo espetáculo e pelas atividades curriculares é formada por profissionais de nossa região: Luzinete Silva (Dança Contemporânea), Flávio Kuri e Lima (Música e Danças Brasileiras), Diego Ferreira Gomes (Capoeira), Rafael Otoni (Dança de Rua) e Adriano Reali (Teatro). A comunicação visual e assessoria de imprensa ficam por conta de Pablo Lozano; a Coordenação Administrativa é de Leonice Moura; a Coordenação de Oficinas com Gilson Almeida, a coordenação pedagógica é de Cássio Mascarenhas Robert Pires e a coordenação geral de Lilian Moura. Com este time de primeira, o projeto já se destacou em vários eventos e suscitou curiosidade de outros profissionais da Pedagogia e Arte.

Destaco que a sensibilidade de empresários é fundamental para que projetos como este permaneçam. A Lupo tem patrocinado Dança desde 2007 e, especificamente, neste projeto social, demonstra que a responsabilidade social vai além de uma única área como o esporte ou o meio ambiente. Aproveito para convidar a todos para este espetáculo que trará a cultura brasileira com muita qualidade e recheada da alegria das crianças e jovens. Serão apresentações temáticas como: samba de roda, capoeira, funk, samba de coco, xaxado, puxada de rede, ciranda, samba, jongo e o convidado especial Grupo de Práticas e Pesquisas em Danças Brasileiras GIRAFULÔ.

*é Doutora em Comunicação e Semiótica, bailarina e diretora do grupo Gestus
gilsamara@gmail.com

Gestus encerra temporada 2011

Sábado, 19 de Novembro de 2011 às 03h00

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No próximo dia 24 de novembro, quinta-feira, no Sesc São Carlos, o Grupo Gestus de Araraquara/SP, encerrará sua temporada 2011 do projeto About Angels. Das 14h30 às 16h30, na sala das atividades corporais, o elenco ministrará a oficina de Dança Contemporânea e, às 20h, no Teatro do Sesc, apresentará dois trabalhos: "Sobre Todos Nós", com concepção minha e "Viral", com coreografia de Mário Nascimento, de Minas Gerais.

Trata-se de um importante evento para o grupo araraquarense que tem representado, não apenas a região, mas o Brasil, em turnês internacionais e nacionais. Só com este projeto, o grupo percorreu cidades como Belém/PA, Teresina/PI, Parnaíba/PI, Salvador/BA, Ribeirão Preto/SP, Araraquara/SP, entre outras, e os países Costa Rica e Equador.

Foram três anos entre a concepção, criação, ensaios e apresentações e o trabalho não para por aí. O Gestus irá receber, em dezembro, o coreógrafo iraniano Khosro Adibi para iniciar os experimentos para o novo projeto que terá participação dos núcleos artísticos de Araraquara e Salvador.

O Gestus contou nos últimos anos, com o patrocínio da Lupo, empresa de Araraquara, via Lei Rouanet, lei de incentivo cultural que destina recursos de renúncia fiscal aos projetos submetidos e aprovados pelo Ministério da Cultura.

Aproveito para convidar a todos para mais esta apresentação do Grupo Gestus, em São Carlos, comemorando suas duas décadas de trabalho ininterrupto.

* é Doutora em Comunicação e Semiótica bailarina e diretora do grupo Gestus
gilsamara@gmail.com

Adeus a um amigo que conheceu Araraquara

Sábado, 05 de Novembro de 2011 às 03h00

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"Neste momento, meu coração deveria estar parado, já que tantos outros que ele teve deixaram de bater. Porém, já que não posso mais ser amado, deixem-me ainda amar."

Foi a última mensagem postada no Facebook por Marcello Castilho Avellar. Como escreveu primorosamente Arnaldo Viana sobre a mensagem, assim que soube da notícia da morte: "um caminho para quem quiser tentar desvendar o que o gênio indomável sempre quis dizer, sem nada querer dizer".

Jornalista, crítico de cinema, de dança, de literatura, de teatro, professor universitário, Marcello, que trabalhou por 30 anos a serviço do caderno de Cultura do jornal Estado de Minas, esteve em Araraquara em 2007 para conhecer a Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, projeto que idealizei e implantei durante a gestão Edinho Silva (2001-2008). Veio in loco para conhecer o projeto que ganhava asas e já estava conhecido por todo o Brasil, até porque não bastava ouvir falar de algo, fazia questão de ver, sempre com olhar crítico de um intelectual artista. Veio, assistiu a ensaios e apresentações e escreveu sobre o projeto no Estado de Minas.

Marcello faleceu aos 50 anos, nesta terça-feira, dia 1o de novembro, em sua casa em Belo Horizonte/MG, de morte natural. Nada natural é deixar-nos mais órfãos, nós da Dança, da Arte, da Cultura, da Educação, de um mundo que carece de pessoas éticas, dedicadas, obstinadas ao trabalho.

E ainda como Arnaldo Viana disse: "gênios têm a mania de nos surpreender. Vão e vêm, assim de repente, mesmo sem as fantasiosas nuvens de fumaça das mil e uma noites. São assim até na morte. Falo de Marcello Castilho Avellar. Sei que ele não tinha pretensão de ser gênio. Mas era, mesmo sem querer sê-lo."
Quero deixar aqui registrada minha singela e profunda homenagem a este amigo que sempre me apoiou.

* é doutora em Comunicação e Semiótica, bailarina e diretora do grupo Gestus
gilsamara@gmail.com

Pop-Up: Ventana 1

Sábado, 22 de Outubro de 2011 às 03h00

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Pop-Up é o primeiro procedimento de um trabalho artístico em processo, iniciado em março de 2010 com o GDC — Grupo de Dança Contemporânea da Universidade Federal da Bahia, acerca de questões da percepção: visual, tátil, sonora, cinestésica. Todos os integrantes debruçaram-se em estudos teórico-práticos sobre visão, espacialidades, labirintos, janelas como molduras a partir de uma pergunta: A imagem é um acidente?

O palco é uma ampliação de uma superfície de Braille. O público entra num espaço comum para compartilhar sensações e percepções. Estudos sobre enquadramento, moldura, profundidade, volume, cor, som, entre outros, constroem a cena que se apresenta como pop-ups, janelas inesperadas e passíveis de bloqueio.

Na dança contemporânea, a pergunta, a indagação, o questionamento são procedimentos possíveis e necessários para uma composição e, também, mostram-se como modos de apresentação ao espectador/ público. A dança pergunta e o espectador levanta hipóteses sobre ela; é copartícipe da dança, é parceiro de criação. Trata-se de uma ambiente dialógico de corpo que dança, corpo que vê a dança e corpo que percebe a dança, num tripé não-hierárquico.

Na obra em processo Pop-Up: Ventana 1, este primeiro procedimento veio recheado de perguntas e propostas de estudo sobre imagens e corpo. O que selecionamos olhar? O que nosso aparato fisiológico nos permite ver? A pergunta que o corpo faz na dança é uma pergunta imagética que permeia o sistema visual-perceptivo da dança no tempo-espaço. O que você oferece ao olhar? Frame/ Fração/Retalho. A imagem é um acidente? Pop-Up: uma obra nutrida pelos olhares... "Eu penso com os olhos. Muitas partes se movendo! Eu penso vendo. Há mais do que aparenta. Eu penso pela visão e pelo movimento. Um dá origem ao outro!" (Lisa Nelson).

* é bailarina, diretora do Grupo Gestus e professora doutora da Universidade Federal da Bahia
gilsamaramoura@gmail.com

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