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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Eclipse

Quinta, 08 de Julho de 2010 às 03h00

3 Comentários

Acredito que o único motivo para a autora Stephenie Meyer dividir a estúpida história de "Crepúsculo" em quatro livros é o comercial, visando lucros.


É inegável que dar o título de "saga" à medíocre dúvida de uma personagem que avalia a porcentagem do amor em um triângulo amoroso é de um exagero absurdo, que soa como uma imbecilidade tremenda, mas rendeu a terceira continuação nos cinemas.


Este se inicia com a negação a um pedido de casamento. No primeiro filme, a mesma personagem já havia concluído que o vampiro era o amor de sua vida. No segundo, ela se entregou ao "batismo" para se tornar uma vampira e viver feliz para sempre.


Não sei o que é pior em uma produção tão micha como essa, começando pelas atuações. Todos os atores parecem ter passado por sessões de botox com o Dr. Hollywood para encarar seus personagens. Bella (Kristen Stewart) não dá sequer um sorriso em todo o filme; Edward (Robert Pattinson) é um verdadeiro boneco de cera, não reage nem quando beija sua amada; Jacob (Taylor Lautner) parece ser o único arrogante que demonstra algum sentimento, porém, apenas nos diálogos, e é um gesso em cena; e Jane (Dakota Fanning) é uma boneca de ventríloquo que envergonha todo o resto da carreira.


Interessante mesmo é a abordagem homossexual que se faz no filme. Primeiro, as mudanças comportamentais de Edward quando Jacob aparece. Segundo, os próprios diálogos: na cena em que os três personagens se isolam em uma cabana na colina de uma montanha sobre névoas, Jacob diz a Edward "Eu realmente te deixo a flor dessa pele gelada". Digno de um remake de sucesso "O Segredo de Brokebackeclipse".


Vale destacar o roteiro, tolo e fútil, dotado de diálogos que desconfiam da inteligência do espectador, como a cena em que a família Cullen anuncia que alguém está criando um exército, e a protagonista conclui: "um exército de vampiros". Ou a cena pré-batalha em que todos os vilões correm para o confronto e Edward solta: "Está começando".


Talvez haja uma falta de lógica ou compreensão para a adaptação. É inadmissível que um vampiro de 109 anos como Edward seja tão pobre intelectualmente e de uma imaturidade tremenda, dotado de um machismo sem igual, o que leva a um filme moralista e sem evolução, distante dos parâmetros sociais e comportamentais do século 21.


Enfim, o que esperar de um sucesso como esse? Claro, os insuportáveis berros das Crepusculetes quando veem os bestiais personagens dessa "sagazinha".

O Golpista do Ano

Quinta, 24 de Junho de 2010 às 03h00

1 Comentário

"Isto realmente aconteceu. Mesmo!" São as primeiras palavras dos diretores-roteiristas Glenn Ficarra e John Requa sobre "O Golpista do Ano" (2010). Uma premissa para o que virá das absurdas vigarices do personagem Steven Jay Russell (Jim Carrey), no filme baseado em livro de mesmo título.


Como um "Prenda-me Se For Capaz gay", o filme retrata a vida de Russell, um policial que, cansado de sua vida familiar, decide abandonar a carreira, assumir sua homossexualidade e viver no melhor conforto possível. Para isso, pratica golpes e peripécias que o levam à prisão, onde conhece o frágil e delicado Phillip Morris (Ewan McGregor), com quem vai viver um amor de verdade.


Fica clara a suavização da abordagem à homossexualidade no decorrer do filme, com pontos altos e baixos, como na cena em que Russell, criança, discute as formas das nuvens com seus amigos, espantando a todos. Enquanto os outros viam formas de animaizinhos, o seu "parece uma salsicha de homem". Ou, quando adulto, atinge orgasmo extremo com um homem.


O roteiro utiliza uma narrativa de desconstrução sob o contexto de flashback, iniciando o desfecho com os acontecimentos narrados pelo próprio Russell.


Os personagens são convincentes. Carrey apresenta um Russell inteligente e moderado, mas ainda faz uso de ações caricatas, como no acidente no supermercado para se beneficiar do seguro.

McGregor explora a leveza e a fragilidade, fazendo de Morris um delicado amante. Santoro rouba a cena, vive o primeiro amor de Carrey, e os diretores constroem cenas memoráveis, como o melhor golpe já planejado, clímax da produção. O que falha mesmo é a cena final, que ainda utiliza o velho clichê a la happy end, mas o que vale mesmo é a mensagem da frase inicial. Levo isso com tom irônico, assim ainda resta esperança em Hollywood.

Cinema inteligente é o cinema de rua?

Quinta, 10 de Junho de 2010 às 03h00

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Conhecemos dois tipos de cinema: cinema experimental, que foi de Lumière, Porter, Méliès e que, posteriormente, adquiriu estrutura narrativa com Griffith; e o cinema clássico, que vem de uma estrutura literária, considerada hoje por muitos como narrativa previsível, expressão adotada após uma infinidade de inovações que ocorreram ao longo da história.


Acontece que, através dessa linguagem narrativa, classificou-se o cinema inteligente, visto por uma separação entre o cinema que "pensa" de Fellini, Buñuel, Bergman, Godard, Kubrick, Lynch, meus preferidos, do cinema que "vende" como Blockbusters e Hollywood.


A questão é que o cinema vendável adota uma estrutura narrativa comercial, puramente a fim de entreter. De fato, essa fórmula funciona, pois vemos cada vez mais as filas das salas de cinema aumentando. Já o cinema que "pensa" é visto como chato, atrai um público menor, que não corresponde a mais do que dez expectadores na plateia hoje em dia.


Para um existem investidores, claro! É o que move as ditas continuações, sempre usando novas tecnologias, efeitos especiais como o 3D, que está no auge atualmente. E o outro cria rupturas, investe na ideia, na premissa de uma câmera na mão e imaginação na cabeça, dito cinema de rua, sem muitos recursos, em que a trucagem é a montagem.


Vejo que, cada vez mais, o que "pensa" é deixado de lado, com poltronas vazias e poucas semanas em exibição. O que "vende", cresce cada vez mais, com bilheterias esgotadas há semanas antes da estreia. Ora, não foi justamente o que "pensa" que desenvolveu toda essa sétima arte? Então, o cinema inteligente é cinema de rua? Não, o cinema inteligente é o cinema do público que, eventualmente, escolhe o que vê, e sendo assim, o que... pensa!

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