Quem não cede é sedentário.
Quem não cede não sabe se movimentar em prol de algo ou alguém. Não se estica nem se alonga para o próximo.
O sedentário só pensa nele e, erroneamente, calcula que seus alongamentos, caso os fizesse, acabaria beneficiando mais gente do que ele próprio. Logo, sua equação lhe subtrairia alguns ganhos e isso jamais poderá acontecer.
Ao redor de um sedentário sempre há vários outros iguais a ele. Reparem. Há mais sedentários do que cedentes, infelizmente.
Enquanto que, para quem cede, o outro, o próximo, ganha conotações positivas, para o sedentário, o outro ou o próximo é sempre visto com falsas observações. Para o sedentário, todo mundo é concorrente.
O sedentário vive algemado em seus pensamentos, correndo atrás de ideias que o tornem sempre o melhor mas, na realidade, isso nunca acontece.
E não acontece porque a Natureza segue uma só lei, que é a dela, e não a que nós queremos ou aquela que ilusoriamente pensamos fazê-la.
Ceder é verbo divino. Atitude de gente nobre. Está a anos-luz de sedentário.
Ceder é praticar; não tem jeito. A gente precisa começar cedendo para entender o mecanismo inteiro.
Sedentário é egoísta e sedentarismo é egoísmo.
Quem não abre mão de nada, também não abre a mão para nada. Dar é diferente de ceder. Aliás, distinto.
Cedentes sorriem dignamente. Cedentes estão sempre prontos para partir ou chegar. Cedentes já se libertaram de várias amarras.
É nítido olhar para um cedente. O foco nos chega naturalmente, desprovido de quaisquer mecanismos.
O cedente não ocupa lugar, cede o dele.
O sedentário... ah! o sedentário... este só incha corporações, repartições, infla o ego, não sai do lugar e ainda acredita que o lugar também nunca sairá dele.
Um tem esperança e o outro tem herança.
Ceder é estar a disposição, é ter disposição para o bem comum.
Sedentário é gente ao contrário e gente ao contrário não tem valia. É coisa do avesso.
Se der, amanhã a gente começa bem cedo.
Se der, começamos hoje mesmo.
Ceder e sedentário
Quarta, 08 de Junho de 2011 às 03h00
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Quarta, 25 de Maio de 2011 às 03h00
1 ComentárioTem dia que é assim mesmo. Há milhões de coisas para serem ditas, mas não queremos dizer nada; há milhões de coisas a serem feitas e não queremos fazer nada; há cem coisas para serem resolvidas e não queremos resolver nada.
Fico me perguntando o porquê desse estado de alma abatido que nos assola de repente.
Se fizéssemos um paralelo da Natureza com os nossos dias, diríamos que passamos pelas quatro estações no mesmo dia. Acordamos bem, sorrindo, ensolarados, cheios de luz; num segundo momento uma chuva de granizo se forma nas nossas cabeças e um temporal nos deixa encharcados; com um frio outonal nos recolhemos e no final do dia renascemos. Resplandecemos. Flores e borboletinhas para todos os lados.
Esta ordem também pode ser inversa. Pode ser modificada, afinal, não há segmento sentimental nenhum nelas. É justamente desses desconhecidos sentimentos que estamos falando, portanto, a ordem das estações, bem como a ordem dos sentimentos não altera a desordem provocada.
Nas investigações feitas, por mais que me pergunte, nessas horas nem elaborar algo consistente consigo.
Fujo de mim por meio da enxurrada. Só pode ser isso. Não encontro uma resposta que me satisfaça.
Céticos comungam com a cruel realidade; espiritualistas compartilham a fé com a falta dela; os outros que compõem a grande maioria escusam-se das maneiras mais inoportunas possíveis.
Tem gente que dá preguiça. Não por mal, não por bem, não por nada. Mas é gente que evita o esforço, que se desvia do trabalho, vive pelos atalhos, apática mesmo.
Cruzar com esses indivíduos nestes nossos momentos vulneráveis é um perigo. É ser imediatamente atacado, devorado, deglutido sem ao menos retrucar, sem que nos deixem o poder de replicar.
Amigos, sinto dizer-lhes mas, nesse caso, a responsabilidade é toda nossa. E de novo, ao nos desembaraçarmos, voltamos aos nossos questionamentos anteriores.
Sabem de uma coisa? Vamos.
Sigamos em frente sem muitos porquês. Vamos nos perguntando "como", que simplifica e esclarece.
Não é pela falta de nos interrogar ou de indagar que nós nos sentimos exauridos.
O esgotamento vem porque não encontramos respostas a nossa altura, logo, ficamos sem elas. Ficamos sem nós também, pois nos distanciamos para justificar o injustificável.
E, para que isso não torne uma bola de neve, sejamos mais singelos e sem muito ornamentos para que a neve derreta, transforme-se num rio e assim, tiremos proveito da exuberante Natureza que se formará e trará, naturalmente, todas as respostas que ainda buscamos.
E sem precisar ter dias onde há milhões de coisas para serem ditas, mas não queremos dizer nada; onde há milhões de coisas a serem feitas e não queremos fazer nada; onde há cem coisas para serem resolvidas e não queremos resolver nada.
Encontro com Antonio
Quarta, 11 de Maio de 2011 às 03h00
0 ComentáriosDas profundezas de algum lugar que desconheço surge Antonio. Procuro saber, mas não sei de onde veio e como veio.
Deve ter vindo de muito longe, de um lugar equidistante e trouxe consigo água. Elas encheram-me os olhos, meus baldes quase vazios daquele momento, minha cuia, meu tempo seco e meu rio.
Antonio foi chuva branda no sertão árido de uma realidade que se mostrava enxuta.
Ou então um clarão em algo que não via um raio de sol entrar. Umidade e humildade ali, juntas, secas e molhadas.
Dias antes, doutora Liliana pedia-me mais calma e menos orgulho.
Liliana e Antonio ali, juntos, sinalizavam-me novo mergulho.
Eu pedra, doutora presente, felicidade,embrulho e Antonio férias, dunas, silêncio e barulho, quase julho.
Não hesitei em nenhum momento. Acatei a doutora, catei um livro e mais uma vez, naquele santuário me senti serva e servida.
Rezei depois até pra Santo Antonio !
Se Antonio veio da mata eu não sei, mas como flores e florais, cores e corais, mortos e mortais já fizeram o caminho dos vegetais, o patrimônio de Antonio deve ter atravessado parte da floresta.
Antonio deuterônimo com verso, versículo e matrimônio.
De onde veio Antonio ?
Do mesmo jeito que veio não foi. É que normalmente vão. Mas, ele não.
Deixou poesias, olhares bem à mostra, amostragens de exímia gentileza e mostrou-se bem na capa.
É isso mesmo, ele tinha uma capa. Não faz mal que fazia calor, nem que a temperatura estivesse alta. Sua capa estava a sua altura.
Pode ser que Antonio seja alfaiate. Pode ser que jogue xadrez. Xeque-Mate!
Pode ser que seja da mata mesmo. Da mata ciliar, aquela dos cílios. Pode ser que seja da mata virgem também, aquela do exílio.
O que queres tu de mim ? Queres tu de mim?
Quer? Estude.
É isso. Estude Olga. Estude muito. Estude mais. Estude sempre.
Quem sabe Antonio seja mais um a me ensinar.
Quem sabe Antonio seja mais um para eu aprender.
Quem sabe ?
Quem ???
olgadb@bol.com.br
Desamor
Quarta, 27 de Abril de 2011 às 03h00
0 ComentáriosPenso que todos vivem, viveram ou um dia viverão um desamor. Palavra estranha essa.
Há quem o viva normalmente, como se amor, amar, desamor e desamar não fizessem diferença nenhuma. Criam teses que, se não forem analisadas com toda periculosidade que o tema merece, se deixam convencer e convencem-se de um grande equívoco que a Natureza e sua sublimidade nos oferta.
Trocar de amor é o oposto de trocar amor.
Trocar de amor é moeda sem valor, é escambo, é escândalo. É ser vândalo na própria e na alma alheia.
Trocar, substituir, alterar, são verbos que usamos para as coisas. As pessoas coisaram o Amor.
As pessoas não amam; não constroem mais edifícios amorosos. Acreditam que amar não pode configurar nenhuma dificuldade, nenhuma diferença, nenhum sentimento incomum. Um desvio e a estrada linda e florida que caminhava, torna-se imediatamente a paisagem de um abismo.
Não dá tempo de frear. Ninguém também o quer.
Mais fácil, mais produtivo, mais rápido, mais proveitoso é deformar a nossa mais pura percepção para.
Nós nos burlamos.
Amor precisa de chave, de chaves, mas para encontrá-las é preciso também muito saber. Pouca gente sabe. Cada vez mais sabemos menos.
E, na crença equivocada de que a solidão é apenas viver só, aprendemos a roubar conceitos,a não mais compreender o sentido e a intenção da vida e, ao invés de abrirmos portas, nós as arrombamos.
Cometemos delitos e diante de nós mesmos não chegamos a nenhum veredicto. Falta-nos quesitos.
Somos seres cada vez mais egoístas, cada vez mais voltados somente aos nossos interesses, às nossas verdades, aos nossos ínfimos prazeres.
Não levamos mais em conta sentimento nenhum e, para viver melhor aprendemos a separá-los de nós, varrendo-os para bem longe, num lugar equidistante, para que nunca mais os vejamos ou, caso alguma ponta aponte, tenhamos a visão disfarçada de uma alma sem responsabilidades.
Estamos paupérrimos de suprimentos amorosos. Há quem ainda nunca o tenha experimentado.
A quantidade, nesse caso, nunca será fator contábil para a qualidade. Se assim fosse, e há quem acredita que seja, o Homem não passaria de um irracional.
Amor precisa de degustação. Precisa de gosto e de ação. Seu paladar, a princípio, é o céu da boca, depois é a eternidade do céu e dos seus.
Estamos na contramão
Quarta, 20 de Abril de 2011 às 03h00
0 ComentáriosEstamos na contramão de mundo. Sentido anti-horário, sem bússola, sem sinal, sem nenhuma troca de roupa, sem tempo.
Estamos pegando gato, cachorro e cobra pela traseira. Estamos sendo mordidos, envenenados pela nossa própria ignorância.
A grande maioria que resiste insiste em não acreditar, em não querer ver a transformação urgente e necessária de que carecemos.
O mundo carece de carícias, de afagos, de perícias, de peritos, de novos visitantes e novas vistorias.
A humanidade roga, clama por especialistas; faz-se urgente especializar-se.
Aonde chegamos nós ??? Nossas escolhas constatam a paisagem que escolhemos anteriormente e o que vemos hoje foram quadros eleitos há pouco como nossos prediletos.
Nossas obras de arte só podem mesmo ir a leilão. Quem dá mais ???
São raríssimos aqueles que ainda têm para dar. Os recursos humanos estão sem recursos. E os humanos também.
Estamos gordos, acima do peso e boa parte já comprometida com a gordura mórbida.
Gordos de corpos e desnutridos na alma, no amor; sem nutrientes para suprir a dignidade que falta, a sinceridade que revela e a disciplina que eleva.
A gordura mórbida já matou boa parte da população. Destruiu tudo que não fora previsto. A gordura é o excesso, é a consciência cheia de graxa e escassa de consistência.
É a falta do uso no refletir, no tomar uma ou várias atitudes condizentes com sabedoria, pensando nas consequências que as mesmas terão para com o próximo.
A consistência do ser humano consiste cada vez mais nele mesmo. E é como se isso bastasse, como se o mundo esperasse de nós apenas este comportamento.
Nós não sabemos nada. E muito pouco ou quase nada também não sabemos de nós.
Estar na contramão já é não estender a mão para alguém, pois as direções estão opostas.
Contramão é desfavor, é não se desdobrar, é não alongar o corpo, é não distender um só músculo em prol de uma atitude mesurada a curto prazo dada como não lucrativa.
O lucro também está na contramão do entendimento. O lucro prolonga-se no tempo, sempre a longo prazo, desdobrando-se em várias facetas.
Nossa viagem ainda é muito longa. Melhor seria pegar o sentido correto.
É uma boa reflexão para o próximo passo.
Boa viagem a todos.
