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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

William Blake, o visionário

Sábado, 10 de Março de 2012 às 03h00

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"Ver o Universo no grão de areia e o Paraíso em uma flor; Segurar o Infinito na palma de sua mão e notar a Eternidade em uma hora."

Estas quatro linhas podem sintetizar o que, hoje em dia, se chama "a nova consciência" — a capacidade de entender que tudo está interligado, os instantes mágicos fazem parte do cotidiano, e basta um pouco de abertura interior para perceber que somos capazes de mudar por completo a nossa realidade, eliminando a maior parte das coisas que nos deixa insatisfeitos. Na época em que tais versos foram escritos, porém, eles passaram quase despercebidos.

Seu autor, o inglês William Blake (1757-1827), nasceu de uma família pobre, e morreu totalmente rejeitado pelos círculos intelectuais da época. Alegavam os críticos que misturava muito misticismo ao seu trabalho, tinha comportamentos estranhos (como, por exemplo, ficar nu com sua mulher no jardim de uma casa de campo que lhe tinha sido emprestada), ser demasiadamente inocente em seus textos.

Os críticos morreram, e Blake é hoje considerado — não apenas por sua literatura, mas também por suas gravuras, que tive oportunidade de ver na Tate Gallery, em Londres — um dos artistas mais completos do milênio passado.

Blake conta que, ainda criança, estava em um parque perto de Londres quando viu anjos nas árvores, e o profeta Ezequiel surgiu entre as criaturas aladas. Mais tarde, já com 30 anos, o seu irmão menor morreu — e Blake garante que seu espírito lhe apareceu alguns dias depois, coberto de luz, para ensiná-lo a fazer "livros não impressos", ou seja, gravar texto e ilustrações de modo artesanal, em tiragens limitadíssimas.

Seguindo o conselho, Blake começa a desenvolver uma tese que chama "os estados contrários da alma humana".

Um destes estados é a inocência, quando a imaginação nos leva ao crescimento.
O outro estado é a experiência, quando a nossa imaginação se vê diante de regras, moralidade, e repressão.

Blake viveu intensamente a vida, morreu pobre, mas garantindo que tinha feito tudo o que desejava. Em um de seus trabalhos mais polêmicos, "O casamento do céu e do inferno" — ele diz ter visitado o reino das trevas, e anotado os provérbios que os demônios costumavam dizer entre si. A seguir, uma seleção destes provérbios.

"Na época de semear, aprende. Na época da colheita, ensina. No inverno, aproveita."
"A estrada dos excessos leva ao palácio da sabedoria."
"A cisterna contém; mas a fonte transborda."
"A Prudência é uma solteirona velha e rica, cortejada pela Incapacidade."
"Um tolo não vê a mesma árvore que vê um sábio."
"O que deseja, mas não age, semeia a peste."
"Nenhum pássaro voa demasiado alto apenas com a ajuda de suas próprias asas".
"As prisões foram construídas com as pedras da lei, e os bordéis, com as pedras da religião."
"O que hoje está provado, ontem era apenas um sonho."
"Tudo que pode ser imaginado, é um reflexo da verdade."
"Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos do conhecimento."
"De água parada, sempre espere o veneno."
"A raposa cuida de si mesma; mas Deus cuida do leão."
"O homem que melhor te conhece é aquele que permitiu ser abusado por ti."
"As orações não aram; os elogios não amadurecem."
"Nunca saberás o que é suficiente, se não te permites saber o que é mais que suficiente".

*Paulo Coelho é escritor e escreve aos sábados neste espaço

A busca da diferença

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012 às 03h00

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Você sabe exatamente onde está agora? Você está numa cidade, junto com muita gente e, neste momento, existe uma grande chance de várias pessoas abrigarem em seus corações as mesmas esperanças e desesperanças que você abriga.

Vamos adiante: você é um pontinho microscópico na superfície de uma bola. Esta bola gira em torno de outra, que por sua vez está localizada num cantinho de uma galáxia, junto com milhões de bolas semelhantes.

Esta galáxia faz parte de algo chamado Universo, cheio de gigantescos aglomerados estelares. Ninguém sabe exatamente onde começa e onde termina o que chamam de Universo.

Mesmo assim, você é o máximo; luta, se esforça, e tenta melhorar, tem sonhos, fica alegre ou triste por causa do Amor. Se você não estivesse vivo, algo ia estar faltando.

A seguir, algumas histórias sobre o nosso direito de sermos únicos.

A árvore gigantesca

Um carpinteiro e seus auxiliares viajavam pela província de Qi, em busca de material para construções. Viram uma árvore gigantesca; cinco homens de mãos dadas não conseguiam abraçá-la, e seu topo era tão alto que quase tocava as nuvens.

— Não vamos perder nosso tempo com esta árvore — disse o mestre carpinteiro. — Para cortá-la, demoraremos muito. Se quisermos fazer um barco, ele afundará, de tão pesado o seu tronco. Se resolvermos usá-la para a estrutura de um teto, as paredes terão de ser exageradamente resistentes.

O grupo seguiu adiante. Um dos aprendizes comentou:

— É uma árvore tão grande e não serve para nada!

— Você está enganado — disse o mestre carpinteiro. — Ela seguiu seu destino a sua maneira. Se fosse igual às outras, nós já a teríamos cortado. Mas porque teve coragem de ser diferente, permanecerá viva e forte por muito tempo.

Quero ser um anjo

O abade João Pequeno pensou: "estou cansado de ser um homem como os outros, preciso ser igual aos anjos, que nada fazem, e vivem contemplando a glória de Deus". Naquela noite, abandonou o mosteiro de Sceta e foi para o deserto.

Uma semana depois, voltou para o convento. O Irmão Porteiro escutou-o bater na porta, e perguntou quem era.

— Sou o abade João — respondeu. — Estou com fome.

— Não pode ser — disse o Irmão Porteiro. — O abade João está no deserto, se transformando em anjo. Já não sente mais fome, e não precisa trabalhar para sustentar-se.

— Perdoa meu orgulho — respondeu o abade João.

— Os anjos ajudam a humanidade; este é o trabalho deles, e por isso não precisam comer, apenas contemplar.

"Mas eu sou um homem. A única maneira de contemplar esta mesma glória é fazendo o que os anjos fazem — ajudando meu próximo. O jejum não adianta nada."
Ouvindo o gesto de humildade, o Irmão Porteiro tornou a abrir a porta do convento.

Qual o melhor exemplo

Perguntaram a Dov Beer de Mezeritch:

— Qual o melhor exemplo a seguir? O dos homens piedosos, que dedicam sua vida a Deus sem perguntar por quê? Ou o dos homens cultos, que procuram entender a vontade do Altíssimo?

— O melhor exemplo é a criança — respondeu Dov Beer.

— A criança não sabe nada. Ainda não aprendeu o que é a realidade! — foi o comentário geral.

— Vocês estão muito enganados, porque ela possui quatro qualidades que nunca devíamos nos esquecer. Está sempre alegre sem razão. Está sempre ocupada.

Quando deseja qualquer coisa, sabe exigi-la com insistência e determinação. Finalmente, consegue parar de chorar muito rápido.

*Paulo Coelho é escritor e escreve aos sábados neste espaço

Duas histórias reais na porta de uma igreja

Sábado, 04 de Fevereiro de 2012 às 03h00

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Encontro na 5a Avenida

Eu estava saindo da igreja de Saint Patrick, em Nova York, quando um rapaz brasileiro se aproximou.

— Que bom encontrá-lo aqui —disse, sorrindo — Precisava muito dizer alguma coisa.

Eu também gostei do encontro com um desconhecido. Convidei-o para tomar um café, contei a chatice que foi minha viagem a Denver, sugeri que fosse até o Harlem no domingo, para assistir um serviço religioso.

O rapaz, que devia ter vinte e poucos anos, me escutava sem dizer nada.

Eu continuei a falar. Disse que acabara de ler um livro de ficção sobre um grupo terrorista que toma de assalto a igreja de Saint Patrick, e o escritor descrevia tão bem o cenário que me chamara a atenção sobre muitas coisas que jamais havia visto em minhas visitas ao local. Assim, tomara a decisão de passar por ali aquela manhã.

Ficamos quase uma hora juntos, tomamos dois cafés, e eu conduzi a conversa o tempo todo. No final, nos despedimos, e desejei uma excelente viagem ao rapaz.

— Obrigado — disse ele, afastando-se.

Foi quando eu notei que seus olhos estavam tristes; alguma coisa tinha dado errado, e eu não sabia exatamente o quê. Só depois de caminhar algumas quadras foi que me dei conta: o rapaz se aproximara dizendo que precisava muito falar comigo.

Durante o tempo que passamos juntos, eu assumira o controle da situação. Em nenhum momento, perguntei o que ele queria; na tentativa de ser simpático, preenchi todos os espaços, não permiti um momento de silêncio, onde o rapaz finalmente pudesse transformar um monólogo em diálogo.

Talvez ele tivesse algo muito importante para compartilhar comigo. Talvez, se naquele momento eu estivesse realmente aberto para a vida, eu também teria algo para entregar ao rapaz. Talvez, tanto minha vida como a dele, tivesse mudado radicalmente depois daquele encontro. Nunca vou saber, e não vou ficar me torturando com o fato de que não soube aproveitar um momento mágico do dia; erros acontecem.

Mas, desde então procuro manter viva na memória, a cena da minha despedida, e os olhos tristes do rapaz; quando eu não soube receber o que me era destinado, tampouco consegui dar aquilo que eu queria, por mais que me esforçasse.

Encontro no Posto Seis

O padre José Roberto, da Igreja da Ressurreição no Rio de Janeiro, saía certa manhã bem cedo, quando seu carro foi cercado por três adolescentes.

— Passamos a noite em claro, padre — disse um deles, em tom desafiador. — Pode imaginar onde estivemos? Como qualquer ser humano normal, José Roberto preferiu ficar quieto.

Imaginou o que significa uma noite em claro naquela idade, sentiu medo pelos riscos que os garotos devem ter corrido, pensou na preocupação dos pais.
O adolescente que iniciara a conversa terminou por responder à própria pergunta:

— Ficamos na Igreja de N. Sra. Copacabana, adorando a Virgem. Saímos de lá tão eufóricos que viemos caminhando até aqui (aproximadamente 3 km), cantando alto, rindo, falando com todo mundo. Pelo menos uma das pessoas nos perguntou: "como é que vocês, tão jovens, não têm vergonha de estarem bêbados a esta hora da manhã?"

O padre José Roberto deu partida no seu carro, e seguiu em direção ao seu compromisso. No caminho, se perguntou muitas vezes: " Eu também me deixei levar pelas aparências, e cometi uma injustiça em meu coração. Será que algum ser humano vai finalmente entender a frase de Jesus, ‘vocês serão julgados com a mesma medida com que julgam seu próximo?’".

O poder sempre coloca ao alcance do guerreiro um centímetro cúbico de sorte. A arte do guerreiro consiste em ser permanentemente fluido, para conseguir utilizá-lo.

***

Todo mundo dispõe de suficiente poder para conseguir alguma coisa. O segredo do guerreiro consiste em desviar a energia que antes dedicava a suas fraquezas, e utilizá-la em seu propósito nesta vida.

*Paulo Coelho é escritor e escreve aos sábados neste espaço

A Roda do Tempo

Sábado, 28 de Janeiro de 2012 às 03h00

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Há anos morreu Carlos Castaneda, sem dúvida o mais importante escritor da geração hippie, embora jamais tenha sido aceito pela intelectualidade. Mas Castaneda pouco se importava com isso.

Na ocasião, publiquei uma coluna com alguns trechos de seus livros editados no Brasil — e foi surpreendente o número de correspondência recebida. Muitos perguntavam: "mas ele viveu tudo o que diz?" Não tenho ideia, e isto tampouco tem importância — o que conta é a sua maneira de repensar o mundo. Seguem textos de "A Roda do Tempo" ("The Wheel of time", Laugan Productions), onde o próprio Castaneda selecionou o que lhe parecia mais importante de tudo que publicou:
***
Um guerreiro aceita a responsabilidade de seus atos — mesmo os mais triviais. O homem comum nunca assume seus erros, mas assume qualquer vitória, mesmo que seja dos outros. Ele é um ganhador ou um perdedor, e pode transformar-se em perseguidor ou vítima, mas jamais chegará a condição de guerreiro, porque não merece.
***
Um guerreiro às vezes deve ser disponível, e às vezes deve estar oculto. É inútil para um guerreiro estar todo tempo disponível, assim como é inútil esconder-se quando todos sabem onde ele está escondido. Alternando a disponibilidade com a indisponibilidade, ele não se cansa à toa, e não cansa aqueles que estão ao seu lado.
***
Para o homem comum, o mundo é estranho porque, quando não está cansado de viver, está sofrendo por coisas que acredita não merecer. Para um guerreiro, o mundo é estranho porque é estupendo, pavoroso, misterioso, insondável. A arte do guerreiro consiste em equilibrar o terror de ser um homem, com a maravilha de ser um homem.
***
Os atos têm poder. Especialmente quando o guerreiro sabe que cada luta pode ser sua última batalha. Existe uma estranha felicidade em agir com pleno conhecimento da idéia que podemos morrer no próximo minuto.
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O mais difícil neste mundo é adotar a postura de um guerreiro. De nada serve estar triste, queixar-se, ou dizer que alguém está nos fazendo mal. Ninguém está fazendo nada a ninguém, e muito menos a um guerreiro.
***
A confiança do guerreiro não é a confiança do homem comum. O homem comum busca a aprovação nos olhos do espectador, e chama a isso de certeza. O guerreiro busca ser impecável perante si mesmo, e chama a isso de humildade. O homem comum está ligado aos seus semelhantes, o guerreiro está conectado com o infinito.
***
Há muitas coisas que um guerreiro pode fazer em um determinado momento, e que não podia fazer há alguns anos. Não foram as coisas que mudaram; o que mudou foi a ideia que o guerreiro tinha a respeito de si mesmo.
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O poder sempre coloca ao alcance do guerreiro um centímetro cúbico de sorte. A arte do guerreiro consiste em ser permanentemente fluido, para consegui-lo utilizar.
***
Todo mundo dispõe de suficiente poder para conseguir alguma coisa. O segredo do guerreiro consiste em desviar a energia que antes dedicava a suas fraquezas, e utilizá-la em seu propósito nesta vida.

*Paulo Coelho é escritor e escreve aos sábados neste espaço

Lênin desce aos infernos

Sábado, 21 de Janeiro de 2012 às 03h00

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Depois de fazer a Revolução Russa, acabar com as diferenças de classes sociais, e dedicar sua vida inteira ao comunismo, Lênin finalmente morre. Por ser ateu e ter perseguido os religiosos, termina sendo condenado ao inferno.

Ao chegar lá, descobre que a situação é pior que na Terra: os condenados são submetidos a sofrimentos incríveis, não há alimento para todos, os demônios são desorganizados, Satanás comporta-se como um rei absoluto — sem qualquer respeito por seus empregados ou pelas almas penadas que aguentam o suplício eterno.

Lênin, indignado, rebela-se contra a situação: organiza passeatas, faz protestos, cria sindicatos com diabos descontentes, incentiva rebeliões. Em pouco tempo, o inferno está de cabeça para baixo: ninguém respeita mais a autoridade de Satanás, os demônios pedem aumento de salário, as sessões de suplício ficam vazias, os encarregados de manter acesas as fornalhas fazem greve.

Satanás já não sabe o que fazer: como seu reino pode continuar funcionando, se aquele rebelde está subvertendo todas as leis? Tenta um encontro com ele, mas Lênin, alegando não conversar com opressores, manda um recado através de um comitê popular, dizendo que não reconhece a autoridade do Chefe Supremo.

Desesperado, Satanás vai até o céu conversar com São Pedro.

— Vocês lembram daquele sujeito que fez a revolução russa? — diz Satanás.

— Lembramos muito bem — responde São Pedro. — Comunista. Odiava a religião.

— Ele é um bom homem — insiste Satanás. — Mesmo que tenha seus pecados, não merece o inferno; afinal, procurou lutar por um mundo mais justo! Na minha opinião, ele devia estar no céu.

São Pedro reflete algum tempo.

— Acho que você tem razão — diz finalmente. — Todos nós temos nossos pecados, e eu mesmo cheguei a negar Cristo por três vezes. Manda ele para cá.

Louco de contentamento, Satanás volta sua casa, e envia Lênin direto para o céu. Em seguida, com mão de ferro e alguma violência, termina com os sindicatos de demônios, dissolve o comitê de almas descontentes, proíbe assembleias e manifestações de condenados.

O inferno volta a ser o famoso lugar dos tormentos que sempre assustou o homem. Louco de alegria, Satanás fica imaginando o que deve estar acontecendo no céu.

"Qualquer hora, São Pedro vai está batendo aqui, pedindo que Lênin retorne!", ri consigo mesmo. "Aquele comunista deve ter transformado o Paraíso em um lugar insuportável!"

O primeiro mês passa, um ano inteiro passa, e nenhuma notícia do céu. Morto de curiosidade, Satanás resolve ir até lá para ver o que está acontecendo. Encontra São Pedro na porta do Paraíso.

— E aí, como vão as coisas? — pergunta.

— Muito bem - responde São Pedro.

— Mas está tudo mesmo em ordem?

— Claro! Por que não haveria de estar?

"Este cara deve estar fingindo", pensa Satanás. "Vai querer me empurrar Lênin de volta."

— Escuta, São Pedro, aquele comunista que eu mandei, tem se comportado bem?

— Muito bem!

- Nenhuma anarquia?

- Pelo contrário. Os anjos são mais livres que nunca, as almas fazem o que bem desejam, os santos podem entrar e sair sem hora marcada.

— E Deus, não reclama deste excesso de liberdade?

São Pedro olha, com uma certa piedade, o pobre diabo a sua frente.

— Deus? Camarada, Deus não existe!

*Paulo Coelho é escritor e escreve aos sábados neste espaço