Sempre que se pensa a Região Administrativa Central do Estado de São Paulo, do ponto de vista populacional (com consequências típicas sobre o perfil das finanças municipais), salta aos olhos o fato de que ela contém somente duas cidades com mais de 200 mil habitantes (Araraquara e São Carlos, sedes das duas Regiões de Governo contidas pela RA Central) e 24 outras com populações muito inferiores a essa; a terceira mais populosa com apenas um pouco mais de 75 mil habitantes (Matão). Por essa via, conclui-se que o perfil populacional da região está mais para a realidade brasileira (71% dos municípios com até 20 mil habitantes) do que para a realidade paulista (somente 58% dos municípios com até 20 mil habitantes).
Entretanto, uma análise mais detida, utilizando faixas populacionais significativas (considerando cidades de muito pequenas ou nanicas - até 5 mil habitantes - até extremamente grandes ou gigantes - acima de 500 mil habitantes), leva a conclusão mais precisa.
Considerando a faixa das cidades muito pequenas ou nanicas (até 5 mil habitantes), a RA Central está melhor do que o país e o Estado, possuindo apenas 15% do total (contra 22,8% e 24,3%, respectivamente).
A tabela abaixo permite visualizar a situação em todas as faixas consideradas:
- Cidades pequenas (de 5 a 10 mil habitantes): RA Central em posição semelhante à brasileira (que é pior do que a de São Paulo);
- Cidades de pequenas a médias (10 a 20 mil habitantes: RA Central em posição semelhante à paulista (que é melhor que a brasileira);
- Cidades médias (20 a 50 mil habitantes): RA Central coincidindo simultaneamente com as situações brasileira e paulista;
- Cidades de médias a grandes (50 a 100 mil habitantes): RA Central em posição muito melhor do que o Brasil e do que São Paulo;
- Cidades grandes (100 a 500 mil habitantes): RA Central melhor do que o Brasil e pior do que São Paulo;
- Cidades muito grandes ou gigantes: RA Central não contemplada.
Há um juízo de valor implícito ao considerar a posição da RA Central em melhor ou pior posição do que o Brasil ou o Estado de São Paulo: a avaliação positiva a priori do aumento da população. Entretanto isso é inquestionável somente até certo limite, como se pode concluir pela observação do caos instalado nas metrópoles e megalópoles de todo o mundo e, por outro lado, da estagnação típica das vilas que se auto-intitulam cidades (sem qualquer preconceito contra vilas, que podem ser excelentes lugares para se morar e viver, dependendo das condições sociais de quem avalia).
Cidades nanicas enfrentam problemas, mas cidades gigantes também. Qual o melhor porte de cidade para o Brasil, tendo em vista sua extensão territorial e a natureza da ocupação dos espaços geográficos? Não seria o das cidades de dimensões populacionais na faixa de 250 mil habitantes (como São Carlos e Araraquara, grandes a meio caminho do teto dessa categoria), desde que bem integradas entre si, em termos de vias e cadeias produtivas? Se for, a situação atual da RA Central coloca, para o planejamento de seu futuro urbano-industrial, a meta de ampliação demográfica de 24 de suas 26 cidades, tendo um modelo por referência - as duas maiores cidades da região. Nesse caso, devem ser estabelecidas metas ambiciosas para 24 cidades da RA Central, estando 19 delas em situação que exigirá muito esforço para chegar à meta.
Todo o anteriormente exposto não passa de divagações de quem gosta de pensar as cidades e nelas viver (em meio a contradições). Mas não seria interessante, então, que os agentes políticos e os administradores públicos, a partir de seus cargos, divagassem um pouco? É instigante pensar - e articular, negociar, planejar - tendo em mente a inquietação sobre quanto tempo levará para que Trabiju e Ibaté ou Matão e Porto Ferreira sejam do porte de São Carlos e Araraquara e a curiosidade de como será a realidade regional quando isso acontecer. Mas políticos pensam no curto prazo (as próximas eleições). Quem pensa no longo prazo (as próximas gerações) são os estadistas. Quem disse isso mesmo? Mas será que políticos não podem, de repente, se converter em estadistas? Em que ritmo e em que proporção? O que poderia acelerar essa metamorfose?

*Economista, professor e pesquisador do Departamento de Administração Pública da Unesp/FCL-Araraquara
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