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Quarta-Feira, 08 de Fevereiro de 2012

Quinta, 09 de Setembro de 2010 às 03h00 ( Atualizado em 09/09/2010 às 08h54 )

Pais e educadores precisam se unir contra o bullying, a ‘epidemia silenciosa’

Não poderia ser mais preciso o título do caderno Comportamento, da edição do último domingo da Tribuna, para se referir ao fenômeno do bullying: ‘Epidemia silenciosa’.

Por Jornal Tribuna Impressa

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Não poderia ser mais preciso o título do caderno Comportamento, da edição do último domingo da Tribuna, para se referir ao fenômeno do bullying: ‘Epidemia silenciosa’. Trata-se de uma das mais disseminadas pragas sociais dos nossos tempos, em que vítimas e vilões se misturam entre nossas crianças no ambiente escolar, com o agravante de que há um terceiro grupo que, às vezes involuntariamente, também colabora com o mal: os omissos. Quando falamos de um problema que já marcou negativamente uma entre cada três crianças do País - e nossa cidade se insere nessa estatística - é porque chegou a hora de uma política específica para enfrentar essa doença.

No mínimo, os números já justificariam um mutirão de professores, familiares e estudantes. Se 45% das crianças e adolescentes já vivenciaram o problema, como alvos, autores ou simples testemunhas e 28% já foram vítimas, não se trata de algo passageiro. Ao contrário, é um problema que cresce mundialmente e que possui elementos que dificultam uma medição mais exata de suas dimensões. Como nem todos os pais querem tocar no assunto e muitas escolas preferem ignorar a questão, o que dizer, então, das próprias crianças?

O bullying resume todas as formas de intimidação, agressão psicológica ou física e pressões intencionais que se tornam sistemáticas no ambiente em que convivem as vítimas e os autores dessas ações. Um verdadeiro "soco na alma", conforme depoimento de aluno araraquarense. Ou seja, o ato de frequentar a escola para adquirir conhecimento, que deveria funcionar como a forma mais profícua de aprendizado e crescimento pessoal dos meninos e meninas, pode se transformar em uma tortura diária. Numa verdadeira fábrica de traumas, com consequências drásticas para o desenvolvimento, provocando muitas vezes transformações e feridas psicológicas para o resto da vida.

A reportagem revela uma série de episódios, ocorridos aqui em Araraquara que sintetizam as diversas práticas de bulliyng. Um aparentemente inocente apelido pode ser o começo de tudo, até se transformar em humilhação. ‘Zoar’ o colega mais quieto ou mais estudioso às vezes termina com isolamento, discriminação ou atitudes tirânicas endereçadas a quem é alvo. E uma antipatia pessoal levada ao extremo nas ações em grupo pode terminar tanto com um empurra-empurra como com agressões sistemáticas e graves. Além do que, a tendência de se achar ‘natural’ ou ‘coisa de adolescente’- atitude normalmente vista em muitos pais e professores - também pode significar um episódio de bullying em plena gestação.

Há consenso entre os educadores de que, como em todos os obstáculos envolvendo o desenvolvimento de crianças e adolescentes, a ampla informação é fundamental. Todos precisam estar atentos e saber o que é, como e quando se pratica o bullying. O tema deveria ser obrigatório a partir da própria sala de aula, quando não objeto de ações mais aprofundadas dentro das escolas. É a forma inicial mais apropriada de se desmistificar um assunto que não pode ficar nas sombras, sob pena de facilitar a ação dos autores e estimular a omissão das testemunhas.

O avanço da ‘epidemia silenciosa’ tem provocado iniciativas institucionais importantes como mostrou a Tribuna, tanto na esfera federal, quanto na Câmara Municipal de Araraquara. A propósito, existe proposta do verador Lapena de "programa continuado" no município com adoção de uma campanha sistemática de esclarecimento e prevenção, como já existe em algumas escolas. Isto é tão louvável quanto imprescindível e precisa ser adotado imediatamente. Mas as providências não devem parar por aí e, como em outras circunstâncias, torna-se essencial a participação das famílias no enfrentamento do problema. Em boa parte das vezes, as alterações de comportamento que revelam indícios de bullying são detectadas no convívio familiar e cabe aos pais comunicar à escola e entrar junto com os educadores nessa batalha. A omissão, quando se trata desse tema, pode ser tão nociva à criança quanto a própria prática do bullying.

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