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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Quinta, 02 de Fevereiro de 2012 às 03h00

Questão de prioridade

A polêmica surgida em torno da eleição da construção de um campo de futebol como obra prioritária da região 13 do Orçamento Participativo, abordada na edição de ontem da Tribuna Impressa, é legítima e necessária — aliás, qualquer debate o é quando seus oponentes permitem-se realmente ouvir e refletir sobre os argumentos do outro lado.

Por Jornal Tribuna Impressa

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A polêmica surgida em torno da eleição da construção de um campo de futebol como obra prioritária da região 13 do Orçamento Participativo, abordada na edição de ontem da Tribuna Impressa, é legítima e necessária — aliás, qualquer debate o é quando seus oponentes permitem-se realmente ouvir e refletir sobre os argumentos do outro lado.

Neste caso, moradores contrários à proposta argumentam que o valor de R$ 425 mil destinados ao projeto, que prevê também área de aulas para crianças e adolescentes, deveria ser investido em segurança, educação e saúde — com ênfase no primeiro.

É imperativo contribuir com algumas questões para a reflexão.

A realidade brasileira nos brinda com várias provas de que, quando uma comunidade começa a considerar investimento em segurança item prioritário, é sinal de que, lá atrás, seu aparelhamento educacional falhou. Mais de uma pesquisa sociológica já mostrou que muitas crianças de famílias pobres, cujos pais trabalham fora, utilizam seu tempo ocioso fora da escola em atividades que podem levá-las ao crime.

Também está mais do que provado, pelo exemplo de inúmeros projetos sociais, que esporte e lazer são ferramentas eficientes de apoio à educação e à formação de jovens mentes ociosas. Isto posto, quem pode garantir se a existência do tal projeto de futebol há mais tempo não teria minorado as estatísticas de criminalidade? Quem sabe, no futuro, a existência dele não contribuirá para maior segurança nos bairros?

Não se trata de diminuir o grau de prioridade de investimentos de segurança, educação e saúde, mas de enriquecer a reflexão, tendo em mente que o lazer e o esporte podem, a longo prazo, prevenir o aumento da criminalidade e que aparatos de segurança são como remédios: tratam bem os sintomas, mas não eliminam as causas.

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