Inacreditável e revoltante a constatação de que em 2011 triplicaram os registros de flagrantes de embriaguez ao volante, em Araraquara, conforme reportagem desta edição.
É cada vez mais consenso considerar alguém embriagado ao volante tão perigoso quanto um portador de arma de fogo. Ainda que não seja sua intenção atirar para matar, a arma sempre pode disparar, acertando a ele próprio ou alguém por perto. A pessoa armada que tem prática, treinamento e autodisciplina para portar uma arma ainda é um perigo menos imprevisível do que um motorista embriagado, que perde alguns controles sobre sua percepção e coordenação motora, na maioria das vezes sem admiti-lo e/ou sem o perceber.
Já há, inclusive, na comarca de Araraquara, precedente jurídico de condenação por homicídio culposo de motorista embriagado responsável por acidente com vítima fatal.
Punir quem provoca um acidente sob efeito de álcool ajuda a reprimir o comportamento temerário, mas não é suficiente. Ainda que provoque arrependimento e promova justiça, não faz voltar o tempo, não devolve vidas tiradas, não compensa familiares pela perda de entes queridos, nem devolve a saúde a inválidos produzidos pelos trânsito.
A conscientização, fruto de educação moral e autodisciplina, é que previne acidentes e mortes. Conscientização é que faz uma pessoa tomar a atitude correta não por medo de ser punida, mas porque o contrário coloca em jogo não apenas a sua vida, mas também a de outros.
