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Quinta-Feira, 24 de Maio de 2012

Domingo, 29 de Janeiro de 2012 às 03h00

Cidades da região contêm transmissão da dengue neste início do ano

Após passarem por epidemias em 2011 e 2010, municípios iniciaram mais cedo os trabalhos de combate à dengue; Araraquara, Nova Europa e Américo Brasiliense tiveram uma confirmação cada até agora e estão em alerta para evitar novo surto

Por Gabriela Martins

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As oito principais cidades da microrregião de Araraquara conseguiram conter, até agora, a transmissão de dengue neste início de ano. Apenas três municípios registraram casos da doença em 2012 e, ainda assim, foi um em cada local.

Américo Brasiliense, Araraquara e Nova Europa abriram a contagem, mas estão intensificando seus trabalhos de combate ao mosquito para impedir que os números cresçam nos próximos meses, especialmente porque o período crítico segue até março, pelo menos. Na época de chuvas, a proliferação do mosquito Aedes aegypti fica mais fácil.

Araraquara iniciou 2012 com um caso confirmado no Jardim Universal, Zona Oeste, dentre 37 suspeitas analisadas. Mas a cidade está em alerta porque registrou alto índice de densidade larvária (larvas do mosquito transmissor), como mostrou reportagem publicada ontem — o número chegou a 4,8, quando o recomendado é, no máximo, 1. Nos últimos quatro anos, a cidade teve três epidemias. A maior de todas aconteceu em 2011, quando a Vigilância confirmou 2.568 casos e duas mortes.

De acordo com o coordenador de Vigilâncias em Saúde, Feiz Mattar, a cidade tem um clima que ajuda na proliferação do mosquito. Isso, atrelado a outros fatores, como o descarte irregular de pneus, garrafas e outros objetos que permitem o acúmulo de água, fez com que o índice larvário da cidade tenha ficado alto novamente neste início de ano.

Para controlar a transmissão, o bloqueio nas casas antes realizado após a confirmação de um caso, agora é feito na primeira indicação de suspeita da doença. Segundo Mattar, é uma forma de prevenir o contágio não só na residência do infectado, como também nos lugares que ele frequenta.

Para apoiar o combate, Araraquara recebeu aditivo de R$ 112 mil do Plano de Plano de Contingência Contra a Dengue, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

Importado

Nova Europa e Américo Brasiliense registraram um caso de dengue cada, mas um foi importado de Araraquara e o outro da Bahia. No ano passado, Nova Europa teve 12 notificações, que geraram 11 confirmações e um trabalho de conscientização e combate junto à população.

Américo fechou o ano com 734 notificações, 218 casos autóctones e 12 importados. De acordo com a Secretaria de Saúde, os adoecimentos pararam em agosto.

Américo estuda criação de comitê

A Prefeitura de Américo Brasiliense vem estudando a criação de um Comitê de Combate à Dengue, que terá a função de integrar departamentos municipais em uma ação de prevenção à doença, como o monitoramento da limpeza pública.

Desde o ano passado, a cidade intensificou a fiscalização, em especial em áreas industriais e no Centro, que concentrou o maior número de casos em 2011. Partindo do Centro para o restante do município, os trabalhos são realizados em duplas de agentes.

O Departamento de Saúde afirma que 70% dos criadouros nas casas estão em calhas, vasos de plantas e ralos e não são retirados pela população. Nesses casos, a orientação é para que ocorra supervisão e limpeza periódica dos ambientes feita pelos próprios moradores.

3.329

Esse é o número de casos de dengue registrado nas oito cidades da Região em 2011. Este ano, houve três adoecimentos na mesma área — em Araraquara, Nova Europa e Américo Brasiliense

Santa Lúcia tem apenas três agentes

O município de Santa Lúcia fechou 2011 com 11 casos confirmados de dengue. Destes, cinco foram autóctones e seis importados.

A cidade tem apenas três agentes para fiscalizar toda a área. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, a equipe vem realizando limpezas quinzenais em cemitérios, borracharias e ecopontos da cidade (que guardam os pneus recolhidos na cidade).

Além disso, fazem mutirões, visitas casa a casa e realização de bloqueios em casos de suspeita da doença.

Gavião distribui repelentes

Sem registro de casos neste ano, Gavião Peixoto dá continuidade ao combate à dengue realizado no ano passado, quando seis casos autóctones e 21 importados foram confirmados no município. Antes, foram seis anos sem adoecimentos.

A partir do dia 1º de fevereiro, a Prefeitura iniciará a distribuição de mais de 1,2 mil mudas de citronela, um repelente natural, e milhares de sementes da crotalária, planta que atrai a libélula, inseto predador do mosquito da dengue.

A iniciativa visa combater o mosquito de maneira natural. "As armas naturais no combate à doença, deverão ser apenas mais uma ferramenta, pois continuaremos os arrastões, visitas casa a casa, palestras e orientação", explica Susana João, coordenadora do Controle de Endemias.

Susana afirma ainda que está sendo realizado no município a Análise de Densidade Larvária (ADL). Por ora, já foram encontradas larvas em mais de 40 quarteirões da cidade e de 11 em Nova Pauliceia. "Eliminar os criadouros é fundamental no combate à doença", finaliza.

No ano passado, foram realizadas palestras, arrastões para a retirada de materiais que acumulam água, visitas, vistorias e distribuição de milhares de panfletos casa a casa, o que deveria ser confirmado pelo morador com assinatura — desta forma, não poderia alegar desconhecimento do problema.

6 anos
Gavião Peixoto passou seis anos sem nenhum caso de dengue. Até que no ano passado teve 27 casos adoecimentos e epidemia

Taquaritinga tem índice de Breteau zerado

Taquaritinga já realizou o índice de Breteau este ano e teve uma feliz surpresa — a média de larvas do mosquito da dengue na cidade foi zero.

Segundo o diretor do Demcove, Fabrício Fernando Araújo, Taquaritinga registrou até sexta-feira dez notificações da doença, mas seis foram negativadas; quatro aguardam resultados.

Em 2010, houve epidemia na cidade, mas a transmissão foi controlada em 2011 — baixou de 1.547 para 62 casos (52 autóctones e dez importados). Ao todo, houve 195 notificações.

O Demcove tem 15 agentes de campo, que realizam trabalhos casa a casa e bloqueios. Nos próximos meses, outras 15 pessoas vão juntar-se ao grupo. "Esse efetivo e o Dia de Faxina vão ajudar a eliminar criadouros nos bairros; o controle mecânico e químico vai atuar em pontos estratégicos e imóveis especiais", adianta Araújo.

Rincão livra-se de epidemia

Diferente do grande número de casos registrados em 2010 — eles chegaram a 660 —, Rincão fechou 2011 com um total de seis adoecimentos, sendo três importados e três autóctones. Neste ano, houve cinco notificações, nenhuma confirmada.

De acordo com o diretor de Saúde da cidade, Carlos Alberto Ferreira, as Secretarias reuniram-se no último dia 13 de janeiro e passarão a trabalhar em conjunto no combate à doença. Como parte da estratégia, a partir do dia 21 de fevereiro será realizada uma campanha educativa para orientar a população. "No dia 25 de fevereiro, realizaremos o Dia D de combate à dengue em Rincão e dia 10 de março no Distrito de Taquaral. Também estamos organizando uma passeata das crianças na volta às aulas", diz o diretor de saúde.

Matão manteve ações preventivas

Matão ainda não registrou nenhum caso de dengue este ano, entretanto, no ano passado foram 414 casos confirmados — 370 autóctones e 44 importados, além dos 262 negativados. Por isso, a Prefeitura intensificou os trabalhos preventivos contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti durante o período crítico.

Os 35 agentes da cidade visitam diariamente as residências, eliminando pontos de acúmulo de água e colocando veneno nos vasos, ralos e locais em que as larvas do mosquito se proliferam.

O secretário da Saúde, José Francisco Dumont, afirma que além de intensificar os trabalhos nas casas, vem trabalhando com empresas, borracharias e comércio de sucatas, onde as chances de proliferação são maiores. "No ano passado, tivemos uma diminuição considerável nos casos de dengue em consequência do clima, das campanhas de conscientização e do trabalho dos nossos agentes", defende.

O Diretor da Divisão de Vigilância Sanitária, Carlos Roberto Trevizaneli, ressalta que nos meses de janeiro, julho e outubro é realizado o levantamento do índice de infestação larvária, que possibilita trabalhar nos locais onde há maior incidência do mosquito. "Através desse processo, podemos trabalhar nos locais mais infestados, com conscientização e informações dos perigos da doença."
A cidade mantém ainda o telefone 3384-4034 para denúncias de focos do mosquito.

Eu vi

"Estamos mantendo um trabalho contínuo no combate à dengue, mas sempre vale lembra, que todos precisam fazer a sua parte, eliminando os recipientes com água parada e deixando os agentes de saúde efetuarem a vistoria nas residências."

Francisco Dumont
Secretário de Saúde de Matão

Eu vi

"As pessoas precisam cuidar de seus quintais, principalmente durante o Carnaval, quando muitos vão viajar. Afinal, 80% dos casos de Araraquara estão dentro das residências. Infelizmente, ainda temos alguns impedimentos para a fiscalização. Algumas pessoas não permitem a entrada do agente, por achar que ele pode ficar de olho na casa e também pelo velho costume de achar sempre que o problema está na casa do vizinho."

Feiz Mattar
Coordenador das Vigilâncias em Saúde de Araraquara


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