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Sexta-Feira, 25 de Maio de 2012

Domingo, 05 de Fevereiro de 2012 às 03h00

Facetas da ficção

‘Fina Estampa’ tem trama que se equilibra entre a fantasia e o realismo

Por Mariana Trigo/TV Press

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Aguinaldo Silva sempre foi uma das melhores assinaturas do realismo fantástico na tevê. Sua experiência como repórter policial e com o roteirista Doc Comparato trouxe naturalismo para suas obras, enquanto sua convivência com o autor Dias Gomes desnudou suas ideias para mostrar o improvável na ficção. Esse casamento ficcional rendeu tramas famosas na história da teledramaturgia, como "Roque Santeiro", "Pedra Sobre Pedra" ou "Fera Ferida", todas temperadas com doses generosas de realismo fantástico. Até que, anos depois, Aguinaldo decidiu deixar para trás o excesso de fantasia em histórias como "Senhora do Destino" ou "Duas Caras". Mas foi por pouco tempo. Aguinaldo sucumbiu ao estilo que mais o identifica na assinatura das histórias. Em "Fina Estampa", o autor tem deixado para trás os limites da verossimilhança tentando encontrar a cumplicidade com o telespectador.

Bordões

Ao trazer bordões de personagens de outras histórias, como Íris, de Eva Wilma, pronunciando "well", mesmo bordão que a atriz usava como a arrogante Altiva, de "A Indomada", trouxe um elo quase afetivo do público e uma autoexaltação quase narcísica. Já quando Aguinaldo traz a expressão "bebê" para o vocabulário de Teresa Cristina, de Christiane Torloni, ele ultrapassa a ficção e se joga em um terreno quase movediço. Por um lado, a identificação com o público é imediata ao lembrar do depoimento da atriz durante a última edição do Rock in Rio. Por outro, parece lembrar, a todo momento, que as maldades da personagem não passam de uma brincadeira ficcional, onde tudo é permitido. Com isso, a dramaticidade da personagem esvai-se e sobrevive o pueril, a caricatura e a brincadeira.

No entanto, a condução da história em seus núcleos principais, como da própria vilã, está mais afinado que nunca. A dobradinha da atriz com Marcelo Serrado e seu subserviente Crô foi toda ajustada e ambos estão ainda mais à vontade em seus papéis.

O mesmo pode-se dizer da sempre emocionada Lilia Cabral como Griselda. A protagonista enxugou os excessos da milionária. Essa mistura com papéis quase de história em quadrinhos traz um equilíbrio de elementos interessantes à história. Principalmente quando esses personagens são embasados por um texto irônico, ágil e inteligente, sem artifícios exagerados, apesar de delírios absolutamente fantasiosos do autor.


Pela internet, Aguinaldo Silva interage com público

Que Aguinaldo Silva sempre causa burburinho nas redes sociais não é mais novidade. Mas, agora, o autor de ‘Fina Estampa’ (Globo) decidiu ir um pouco além. Em seu blog (www.aguinaldosilvadigital.com.br), ele pede ajuda ao público, em formato de enquete, para decidir qual será o destino da pequena Vitória.

Na trama, a menina será disputada judicialmente por Esther (Julia Lemmertz) e Beatriz (Monique Alfradique). O rolo entre as duas começou quando Danielle (Renata Sorrah) fez uma inseminação em Esther com o óvulo de Beatriz e o sêmen de Guilherme (Isio Ghelman), o irmão morto da médica. O procedimento é considerado antiético, pois os doadores eram conhecidos da própria especialista.

A história deve pegar fogo até o final da novela e, para jogar mais lenha na fogueira, Aguinaldo deixou a decisão dessa polêmica nas mãos dos espectadores. "Quem é a mãe nesse caso: a biológica ou aquela que hospedou a criança?’’, escreveu o autor em seu post. Ele ainda coloca no blog que essa será uma das subtramas mais fortes da novela das nove. "Uma mulher que cria na própria barriga, dá à luz e amamenta o filho de outra?’’, questionou.

serviço

"Fina estampa"

Globo - Segunda a sábado, às 21h.

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