Há 47 anos, Argemiro Partelli e a esposa Wanderliza, a Dona Wanda, chegavam à colônia da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, que, na época, formava os únicos três quarteirões acima da linha do trem. Eletricista ferroviário vindo de Itirapina, ele trazia no colo uma filha de 6 anos e, com essas duas mulheres, construiria uma história que a esposa não cansa de repetir.
"Existia uma porteira que era fechada depois das 22 horas. Não tinha asfalto, nem energia. Mesmo assim, a gente era feliz", relembra. "Meus três filhos iam brincar na chácara, que tinha um pomar. Jogavam bola, passavam o dia se divertindo", conta. Hoje, esse lugar é o campo da Atlética.
Wanda lembra que todos os funcionários tinham direito ao passe de trem. "Íamos fazer compras em São Carlos. Voltávamos cheios de coisas. Era um tempo de fartura", diz. "As festas de fim de ano não eram como as hoje, onde cada um leva o que vai comer e beber. A gente recebia as pessoas em nossa casa e fazia questão de oferecer tudo. Tinha bacalhau, queijo, linguiça de colina", gaba-se.
A família, que pagava aluguel à Companhia, ganhou o direito de comprar o imóvel depois de um abaixo-assinado, assim como os outros moradores. "Hoje o que restou foram a casa e as lembranças", lamenta.
Três gerações
Filhos e netos de Wanda estudaram na escola mais antiga da Vila, Antonio Lourenço Correa. Este ano, é a vez do bisneto.
Tranquilidade
Uma vez, acordei e me deparei com a porta aberta. Uma de minhas filhas chegou do Melusa e não fechou. Levei um baita susto. Mas nunca ouvi falar de assalto por aqui. Wanderliza Partelli
